Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


segunda-feira, 2 de março de 2015

Ninguém pode fazer-te sentir inferior sem o teu consentimento...

Deixo aqui esta velha história que contei e reproduzi, 
vezes sem conta, no âmbito profissional, tendo sempre 
o cuidado de dizer que ela não é da minha autoria.

– Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor sem olhá-lo, disse-lhe:
– Sinto muito meu jovem, mas não te posso ajudar, primeiro devo resolver o meu próprio problema. Talvez depois…
E fazendo uma pausa falou: – Se tu me ajudasses primeiro a resolver este problema com mais rapidez eu talvez te possa ajudar depois...
– C...Claro, professor, gaguejou o jovem... mas sentindo-se de novo desvalorizado e indeciso em ajudar o professor.
Este tirou um anel que usava no dedo mindinho, deu-o ao jovem e disse:
– Monta no meu cavalo e vai até ao mercado. Tenho de vender esse anel para pagar uma dívida. É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceites menos que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou no anel e partiu. Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse mas quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saíam sem olhar para ele, só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era valiosa demais para comprar aquele anel.
Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer-lhe uma moeda de prata e outra de cobre mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer a jóia, sem sucesso, a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou.
O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, livrando assim a preocupação do seu professor e podendo receber ajuda e os conselhos que pretendia.
Entrou na casa e disse:
– Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar alguém sobre o real valor do anel.
– Muito importante o que disseste, meu jovem - contestou sorridente. Primeiro devemos saber o valor do anel. Volta a montar no cavalo e vai até ao joalheiro. Quem melhor para saber o valor exacto do anel? Dizes que queres vender o anel e perguntas quanto te dá por ele. Não importa quanto ele te ofereça, não o vendes... Volta aqui com o meu anel.
O jovem foi até ao joalheiro e deu-lhe o anel para avaliar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou-o e disse:
– Diz ao teu professor que se ele quiser vender o anel agora não posso dar mais que cinquenta moedas de ouro.
– CINQUENTA MOEDAS DE OURO!!! - Exclamou o jovem.
– Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com o tempo poderia oferecer cerca de setenta moedas mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado a casa do professor para contar o que ocorreu.
– Senta-te – disse o professor.
– Tu és como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por alguém com conhecimentos para o fazer. Pensas que qualquer um pode descobrir o teu verdadeiro valor? E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.

– Todos somos como esta jóia – valiosos e únicos – e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem…
Autor desconhecido


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Jaques Brel - La chanson des vieux amants

Claro, brigamos como todo casal
Vinte anos de amor, é um louco amor
Mil vezes você fez as malas
E mil vezes eu sumi
E cada móvel ainda se lembra
Neste quarto sem berço
De cada uma de nossas velhas brigas
Nada mais é do jeito que já foi um dia
Você perdeu o gosto pela vida
E eu o de conquistar você

Mas meu amor
Meu doce, meu meigo e maravilhoso amor
Do raiar do sol até o fim do dia
Não deixei de amar você, te amo

Eu conheço cada sortilégio seu
Você conhece cada um dos meus feitiços
Você me prendeu de armadilha em armadilha
E de vez em quando eu perdi você
Claro, você arranjou alguns amantes
Um caso, uma história passageira
Afinal o corpo precisa sentir prazer
Finalmente, finalmente
Foi preciso muito talento
Para envelhecermos sem sermos adultos

Mas meu amor
Meu doce, meu meigo e maravilhoso amor
Do raiar do sol até o fim do dia
Não deixei de amar você, te amo

E quanto mais os dias passam
Mais aumenta o nosso tormento
Mas será que a paz não é a pior armadilha
Para os que se amam?
Claro, você chora um pouco fora de hora
Eu sofro um pouco mais tarde
Não protegemos mais nossos segredos
Não existe mais espaço para o improviso
Desconfiamos de cada segundo que passa
Nessa doce guerra sem fim

Mas meu amor
Meu doce, meu meigo e maravilhoso amor
Do raiar do sol até o fim do dia
Não deixei de amar você, te amo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Uma ida ao psicanalista...

Ana Luísa estava sozinha na Confeitaria Petúlia, na Rua Júlio Dinis, naquela manhã chuvosa e fria de inverno. Enquanto tomava a sua meia de leite e comia uma fatia da meia torrada, meditava na forma como havia decorrido a última consulta com o seu psiquiatra mais para ocupar a mente sem se preocupar minimamente com os seus problemas. Recordava-se que dessa vez não tinha chorado enquanto contava as suas preocupações diárias, ponto por ponto, página por página. 
Entretanto reparou nas muitas cadeiras vazias que a rodeavam e lembrou-se de como cresceu dividindo um quarto com mais uma cama vazia. A mãe dizia-lhe que era para quando a família aumentasse, o que nunca veio a acontecer. “Nunca tive ninguém ao meu lado”, pensou. Aqui, reprimiu um esgar de choro recordando-se que tinha sido por isso mesmo que se foi habituando a viver sempre em silêncio. Para desviar a atenção desses pensamentos negativos olhou para o exterior, onde uma chuva miudinha parecia segredar-lhe qualquer coisa de negativo.
Entretanto levantou-se, pagou a conta e saiu.
O consultório do Dr. Vicente de Mello, psicanalista onde ela regularmente ia por causa dos problemas que a atormentavam desde a sua infância, ficava no último andar do edifício do Shopping Center Itália. Portanto, mesmo em frente à Confeitaria de onde acabara de sair.
Enquanto atravessava o Largo Ferreira Lapa, olhou o relógio e acelerou o passo. Já estava atrasada uns dez minutos. 
No pequeno átrio do prédio, um letreiro cravado na porta avisava que o elevador estava temporariamente avariado.
Nervosa, abanando a cabeça, não teve outro remédio senão subir a pé as escadas dos sete andares do edifício.
Em cada degrau, indignada, pronunciava baixinho um palavrão diferente, à medida que ia subindo. Ficou admirada consigo própria pois comprovou que seu reportório de “palavrões” era muito mais vasto do que ela julgava.
Carregou finalmente na campainha da porta do consultório, cumprimentou o Dr. Vicente de Mello, entrou e atirou-se para o divã, ansiosa.
Deitada de costas, durante cinquenta minutos foi falando sem parar. Contou o sonho que tinha tido na noite de segunda para terça, em que o seu pai batia violentamente (e mais uma vez) na sua mãe.
Desta vez não conseguiu reter as lágrimas de revolta ao recordar o sonho, perante o imperturbável silêncio do Dr. Vicente de Mello, sentado atrás do divã onde ela estava deitada.
Prosseguiu os seus relatos, sem uma única palavra do psicanalista que nada dizia. Ela apenas lhe ouvia o respirar compassado atrás dela.
Aquele silêncio ajudava-a mais do que mil palavras. Sentia-se mais descontraída, menos nervosa.
O Dr. Vicente de Mello era na verdade um grande médico. Fazia-lhe tão bem!
Respirou fundo. Ao fim dos 50 minutos calou-se finalmente, aliviada.
Levantou-se do divã, ajeitou o vestido, levantou-se e olhou-o para lhe agradecer.
O médico, na penumbra do consultório, sentado na cadeira por trás do divã, de cabeça pendente e um ténue fio de saliva a escorrer-lhe pela comissura dos lábios, dormia profundamente...

Ela, furtivamente, saiu do consultório…

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Devaneios "virais"...

Este assunto não vem a propósito de nada, escusam de me perguntar o que se passa! - são apenas devaneios, enquanto luto com este maldito virús que tanta febre e desconforto me causa. Às vezes pergunto-me porque raio sou assim, porque é que tenho sempre que dizer tudo aquilo que penso, expondo despudoradamente tudo aquilo que sou. Alguns amigos (poucos) dizem en passant (e como a não quererem dar importância à coisa) de que dizer-se tudo aquilo que se pensa reduz o nosso leque de amigos. Sobretudo quando falo, ou escrevo, sobre política e/ou políticos.
Ora! Deve ser mesmo por isso! 
Penso que os verdadeiros amigos toleram e aceitam as diferenças. Por outro lado, acho que não é por não concordarem comigo que se afastam quando digo o que penso - até porque todos nós temos grandes amigos que defendem ideias contrárias às nossas - o que nos poderá afastar um dos outros é a falta de empatia! Essa falta de empatia, ou o estar em frequências diferentes, até pode acontecer entre pessoas com postura e ideias semelhantes.
Em conclusão: continuarei sendo eu próprio sempre e em qualquer circunstância.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Um livro não está no livro em si, mas está em nós... (II)

Uns anos mais tarde e depois de ler as obras-primas de Henry Miller, Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio, compreendi finalmente a razão pela qual o Senhor Raul de Sá Correia achou (e bem) que eu, com aquela idade, ainda não tinha a maturidade intelectual e emocional necessária e, portanto, ainda não estava à altura de os ler sem que isso me viesse eventualmente a prejudicar. Nas conversas que fui tendo com ele ao longo desses anos foi deixando bem claro que, para ele, “a importância do livro não está no livro em si mesmo, mas sim no grau de preparação mental e intelectual do leitor”. Onde ele adquiriu essa convicção para mim foi sempre uma incógnita tendo em conta que ele não tinha preparação científica ao nível da pedagogia e, muito menos, da psicologia.
O que é verdade é que ele tinha toda a razão e estava certo. O primeiro desses dois livros foi publicado, em França, em 1934, e foi imediatamente censurado em vários países, inclusive durante três décadas nos EUA, por ser considerado imoral e obsceno. Trópico de Capricórnio foi publicado originalmente também em França, mas em 1939, e foi banido nos EUA até 1961, por ser indecente, indecoroso e a tender para a luxúria.
Hoje em dia, quer um quer outro, são considerados obras intemporais da literatura mundial.
Voltando ao Senhor Raul de Sá Correia, quero relevar a importância que ele teve, com as suas palavras e os seus conselhos, para a minha formação global enquanto homem e cidadão. Ele sensibilizou-me para a importância do conhecimento e incentivou o meu gosto pela leitura. Ao longo de décadas há uma frase dele que me marcou, acompanhou e ainda acompanha: “...um livro não está no livro em si, mas está em nós…”.
Continuei a ler Henry Miller, lendo quase toda a sua obra. Foi um escritor com uma mentalidade muito “à frente” dos políticos da sua época. Para estes falar, ou escrever, sobre sexo era tabu, um tema intocável. Ele veio desmistificar esse conceito e conseguiu escrever sobre sexo de forma natural e mesmo divertida, contando anedotas sobre o tema sem ser pervertido ou obsceno como, injustamente, foi considerado no seu tempo. O problema não estava nele, e muito menos nos seus livros, estava, isso sim, nas pessoas que não estavam mental e emocionalmente preparadas para o ler.

Tudo isto me faz lembrar a anedota velhinha, atribuída (como tantas outras consideradas brejeiras) a Manuel Maria Barbosa du Bocage, a qual reza assim: “Bocage foi certa altura convidado para um jantar em casa de uma família nobre. No final da refeição, a anfitriã, enaltecendo a arte do poeta, insistiu para que brindasse os convidados com uma das suas estórias mas, pedia-lhe para que fosse comedido nos termos, dado a qualidade das pessoas presentes. Bocage fez um longo silêncio e como não encontrasse no seu reportório anedótico, algo que cumprisse os requisitos da Senhora optou por endereçar a todos uma simples adivinha. Então, voltando-se para os convidados, serenamente, perguntou-lhes qual é coisa que tenho neste momento entre as pernas, e que há bastante tempo me está a causar um certo incómodo devido à rijeza. As senhoras presentes, imediatamente abriram os leques e taparam com eles os rostos afogueados e os sorrisos maliciosos. Os cavalheiros levantaram-se dos assentos e protestaram não ser de bom-tom trazer para o convívio de pessoas nobres, um convidado de tão baixa educação. Gerou-se na sala um burburinho tamanho, que fez com que a anfitriã muito ofendida e envergonhada, pedisse ao Bocage para se retirar. Calmamente, Bocage levantou-se e antes de abandonar o seu lugar, voltou-se solenemente para todos os convidados e disse-lhes: minhas senhoras e meus senhores, temo que tenham retirado conclusões apressadas acerca da resposta à adivinha que lhes coloquei. Ao contrário do que imaginaram... aquilo que estava no meio das minhas pernas e me incomodava pela sua rijeza, era a perna da mesa.”

Tal como o livro não está nele próprio mas sim no leitor, também a obscenidade não está nela mas em quem a classifica desse modo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Um livro não está no livro em si, mas está em nós... (I)

Já tive a oportunidade de aqui referir a importância que a Biblioteca do Museu Berta Cabral, em Vila Flor, teve no meu processo de ensino/aprendizagem. Sobretudo na forma como aprendi a organizar e a sistematizar as informações e os conhecimentos, a pensar e a encontrar respostas para os problemas que ia enfrentando.
De facto, foi aqui, nesta Biblioteca (que passei a frequentar aos 15 ou 16 anos) que sedimentei os meus hábitos de leitura.
Recordo que um dos primeiros livros que aqui li e que mais me impressionou foi "O Sorriso ao Pé das Escadas", de Henry Miller. A história criada por este grande escritor tem como protagonista um palhaço, Augusto, que consegue levar, como nenhum outro, o seu público à apoteose. O problema na vida de Augusto é que, apesar de conseguir levar alegria à vida daqueles que assistem aos seus espectáculos, falha absolutamente em conseguir ele próprio ser feliz. Por isso mesmo, decide abandonar o seu circo e partir em busca daquilo que o poderá realmente fazer feliz.
Ficou-me deste livro uma forte impressão e também a convicção de que é muito saudável adquirirmos a capacidade de rir de nós próprios.
Quando acabei de ler este livro pedi ao Senhor Raúl de Sá Correia para me deixar ler outro livro do mesmo autor. O Senhor Raúl, como carinhosamente o tratava, dedicou grande parte da sua vida na criação e manutenção desta biblioteca e a desempenhar, com zelo e dedicação, o seu cargo de Director do Museu. Para além de todas essas qualidades ele era atencioso e prestável para toda a gente e, especialmente, para os jovens que então frequentavam a Biblioteca.
Ao meu pedido ele respondeu mais ou menos assim:
- Olha rapaz, há livros para os quais nós temos de crescer até os podermos ler e compreender.
- Mas eu li este último deste autor... que compreendi e gostei muito! Respondi
- Bom! Então está bem. Espera aí que eu vou ver se te arranjo outro.
Depois de alguns minutos ele apareceu com o livro "Um Diabo no Paraíso", que li com sofreguidão. No final do livro pediu-me para lhe fazer um resumo. Deu-me uma enorme satisfação responder da seguinte forma: Sabe, Senhor Raúl, o autor neste livro faz a comparação entre a forma de viver dos europeus com a dos americanos ao mesmo tempo que nos obriga a avaliar a nossa atitude perante os desafios que a vida nos oferece. É uma exploração da ideia de copo meio-cheio/copo meio-vazio, que é uma metáfora característica da maneira de ser dos americanos.
Ele sorriu, acenou enigmaticamente a cabeça e respondeu: Muito bem, vejo que estás à altura de interpretar e retirar dos textos o essencial da mensagem mas… deste autor, por enquanto, não podes ler mais nenhum livro.

Só muito mais tarde compreendi a razão pela qual ele, nessa época, achou inoportuno que eu lesse mais livros desse autor...

(Continua)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Aprender até morrer...

Este é um provérbio muito antigo que ouvimos, vezes sem conta, ao longo da nossa vida.
Em princípio concordo. Acho até que aprendemos algo de novo todos os dias. O problema é que nem sempre fazemos muito uso daquilo que aprendemos... o que, por vezes, dá em nada.
Por exemplo: com a idade aprende-se (ou devia aprender-se) a viver com desapego e desinteresse pelas coisas que não são essenciais para a vida. Isso sim, é que seria bom! Mas, como todos sabemos, nem sempre é assim.
É fundamental que cada um de nós aprenda a viver bem, dentro da sua maneira de ser, para atingir a felicidade. O meu pai dizia muitas vezes: “cada um vive bem à sua maneira”. Na altura em que ele o dizia eu nem sempre entendi o que ele queria dizer com isso. Parecia uma frase feita e sem sentido. Hoje em dia já não é bem assim, já compreendo melhor mas… à minha maneira. Compreendo, por exemplo, que se soubermos viver, aproveitando cada emoção, cada sorriso, cada beleza da natureza, cada sentimento, cada afecto, caminhando devagar, sem exigir demais da vida, ela decorrerá com naturalidade e quando a morte chegar estaremos também naturalmente preparados para a receber com serenidade. O pior é que corremos tanto que nem damos pelo tempo que passa e quando damos conta, a morte apanha-nos de surpresa. Eu não penso na morte e não tenho medo de morrer; tenho, sim, muito medo que ela chegue com sofrimento e que cause muita dor aqueles que eu sei que gostam de mim. 
A vida tem sido para mim muito, muito boa. Mas comprovo todos os dias que as pessoas em geral vivem cheias de pressa, numa correria desenfreada e num constante atropelo às coisas mais simples, sem espaço para sorrisos, para palavras simpáticas ou para simples gestos de cortesia. Talvez por isso cheguei a esta fase a dar cada vez mais valor a um simples sorriso e a gostar cada vez mais das coisas simples da vida. 

Por tudo isto lembrei-me de uma história bonita que alguém me contou há muito, muito tempo. É, mais ou menos, assim:
“Em tempos, existiu uma tecedeira pobre cujo único meio de sustento era um tear velho que adquiriu e nele trabalhava. Era uma pessoa simples, com uma vida dura mas, no entanto, feliz. Trabalhou muito e com o empenho a sua vida melhorou bastante. Mas não chegava. Continuou a trabalhar sempre mais e foi enriquecendo. Rodeada de bens, sucesso e luxo, um dia, a tecedeira, acordou e sentiu que não tinha nada. Faltava-lhe a alegria de outros tempos. Já não tinha tempo para olhar o pôr-do-sol ou mesmo para apreciar e usufruir de tudo o que tinha. Restava-lhe apenas tempo para trabalhar!
Desesperada, encontrou um palhaço na rua e, entre lágrimas, contou-lhe a sua vida. O palhaço, também ele pobre, dedicava o seu tempo livre a animar crianças de bairros desfavorecidos. Era um homem sereno e feliz. 
Depois de ouvir, com paciência, explicou à tecedeira que a sua vida era como o tecido que ela ia criando no tear, comparando-os. De seguida, perguntou-lhe o que fazia quando cometia um erro ou se enganava ao tecer?
Ela respondeu que desfazia o tecido até ao ponto em que estava bem para voltar a tecer. 
Pois era isso mesmo que ela devia fazer com a sua própria vida, disse-lhe ele." 

O que se passou a seguir, ninguém sabe ao certo. Mas ainda hoje as crianças cantam uma canção sobre uma tecedeira feliz  :-)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Hoje tive um sonho...

Sonhei que estava nu, descalço e num quarto desconhecido. Ao dar-me conta da minha nudez tive um arrepio que me percorreu de alto a baixo e por todo o corpo.
Olhei à minha volta à procura da roupa. Estava amontoada numa cadeira ao fundo da cama. Não me recordava de nada, mas também não perdera totalmente a lucidez. A roupa assim amarfanhada era mesmo obra minha. A Amélia diria logo que sim, pois conhecia muito bem o meu modus operandi. A roupa nesse estado demonstrava que fora mesmo eu despir-me e a “arrumá-la” naquele quarto. Mas porque razão não me lembrava? Onde estava? Que quarto era aquele?
E, de súbito, fez-se luz. Aproximei-me da roupa e procurei a carteira. Primeiro num bolso. Depois noutro. Encontrei-a. Abri-a com voracidade. As notas sorriram para mim. Não tinha sido roubado, menos mal. O famoso árbitro não tinha passado por ali, concluí.
Sentei-me na cama. O quarto rodopiou um pouco. A bebida ingerida em excesso na noite anterior continuava comigo, não me tinha deixado. Afinal não sonhei? Estava bêbado? Resolvi esperar sentado na cama daquele quarto desconhecido. Não sabia o que fazer. E o silêncio "ensurdecedor" daquele lugar! Nem a crepitação normal da mobília já antiga, nem sobrados a ranger, nem passos no andar de cima (mas, haveria andar de cima?). Só a cama reclamou quando me sentei nela. Repentinamente, ouço um pingo, límpido, ruidoso, que caiu da torneira para o fundo do bidé.
Que horas seriam?
Mantive-me sentado na beira cama. Perdi a noção do tempo em que estive assim, estático, com os olhos fixos ao papel de parede, que era horrível. Figuras disformes, parecendo diabos a fixarem-me nos olhos com ar ameaçador. Senti-me no inferno. De repente transformaram-se em anjinhos e vieram salvar-me levando-me de volta para o paraíso. Olhei para o céu enquanto pensava, mas… o meu olhar chocou na sujidade húmida do tecto. Na imundície do tecto  conseguia vislumbrar figuras e imagens que me lembravam aqueles velhinhos que nos jardins atiram milho e pedacinhos de pão aos pombos, que debicavam aos saltinhos mas com olhares desconfiados. 
Ao sentir-me um desses velhos senti uma repugnância enorme. Não por eles, mas pela sua condição. Eu sou (ou sinto-me) novo demais para ficar ali naquele estado de abandono. 
Ali... Mas afinal onde era "ali"? E quem morava, ou dormia... "ali"?
Levantei-me. À medida que caminhava, sentia as picadas do lixo da alcafifa na planta dos pés.
Aproximei-me do guarda-fatos e abri-o. O que encontrei era de uma insignificância que me deixou desolado. Roupas de cama, cobertores, almofadas e travesseiros. Sem me dar conta, comecei a ordená-los, do maior para o mais pequeno, por classes. Primeiro as roupas de cama, depois os cobertores e, por fim, almofadas e travesseiros. No fundo do guarda-fatos encontrei uma moeda de 200 escudos (com a cara de Garcia de Orta), um lenço de papel amachucado e uma chiclete de mentol. Comecei a abrir as gavetas da mesinha de cabeceira. Na do fundo, nada… tudo vazio! Na primeira e mais pequena de todas finalmente encontrei tudo aquilo que aí teria colocado no dia anterior: o Jornal “a bola”, uma caixa de chicletes e um bilhete de um jogo de futebol. Sim, do último  Benfica-Porto a  que tinha assistido. Nas costas, e com a minha própria letra podia ler-se um comentário: "perdemos... hoje não foi possível fazer mais... com Pedro Proença a validar o golo do Maicon completamente fora de jogo…". 

De repente, entra no quarto árbitro da maldição a gritar: “Rua! Fora, já! Este quarto é meu! Não admito que me insultes… eu até sou do Benfica, heterossexual e de esquerda, porra!"

E... acordei!

domingo, 25 de janeiro de 2015

O "Zé" que vai e vem da festa...

O Alexandre, o Jorge, o Rogério, o Mota e eu, 
no velhinho Volvwagen viajava o grupo 5.com,
naquela manhã cinzenta e escura como breu,
demos conta que não se ouvia um único som.

Até que veio a animada conversa,
para o leitão salivámos com cúmplices olhares,
foi uma comezaina sem pressa,
desossando as costelas aos pares.

Fomos tomar café e, como por encanto,
Santa Maria da Feira e suas recordações,
onde comprámos fogaça e nos refizemos do espanto,
jogámos o euromilhões e marcámos as próximas refeições.

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Leitão à Paulo Portas...

Ontem, numa reunião gastronómica cuja ordem de trabalhos foi dedicada quase exclusivamente ao leitão, um dos amigos aí reunidos saiu-se com esta pergunta (enquanto se dedicava com fervor e paixão à arte de bem desossar a tenra carne das costelas do dito):
- Vocês ouviram ontem o Paulo Portas?
- Eu já nem posso ouvir esse gajo! Respondeu de pronto o amigo do lado, enquanto
limpava os beiços com um guardanapo
- Ããhh! sim!? E o que é que ele disse? Questionei eu
- Veio insinuar que foi devido a ele, e à sua acção política, que os pensionistas até aqui afectados pela Contribuição Extraordinária de Solidariedade irão deixar de a descontar a partir deste mês de Janeiro de 2015! É preciso ter lata!!!
- Então não foi o Tribunal Constitucional que chumbou esta medida e que obrigou o governo a devolver, já a partir deste mês, aquilo que nos estavam a roubar!? Questionou, indignado o mais velho dos membros do Grupo 5.com(e)
- Claro que foi! Mas… não nos podemos esquecer que vamos ter eleições e, portanto, ele o que quer é tirar proveito próprio daquilo que foi obrigado a fazer – respondeu o quinto elemento por sinal o mais calado e o mais portista de todos os portistas

A “reunião” continuou assim descontraidamente, cada um fazendo a sua reflexão à volta deste tema e de outros da actualidade política e desportiva nacional.

Quando cheguei a casa não pude deixar de continuar a pensar neste assunto.
De facto, a Contribuição extraordinária de solidariedade foi apenas mais uma das medidas a que este Governo deitou mão (por ser mais fácil e acessível) para impor uma economia política da austeridade.
Com o argumento de que esta era a solução única, obrigatória e incontornável o governo do qual Paulo Portas faz parte, foi impondo outras medidas das quais destaco a sobretaxa no IRS e os cortes salariais extraordinariamente ordinários. Entretanto foram tomadas outras a que já lhes perdi a conta e que não foram mais do que confiscos a que nos sujeitaram e foram percorrendo o seu percurso. Uns foram chumbados, outros inexplicavelmente viabilizados pela permeabilidade do Tribunal Constitucional, mas todos eles foram julgados à luz do nosso direito e em sede própria.

Ora, apesar de todos os elementos que compõem o Grupo 5.com(e) começarem já a sentir problemas de ADN (Afastamento da Data de Nascimento), todos ainda se lembram da violência com que o Governo reagiu ao chumbo do Tribunal Constitucional à tentativa de imposição definitiva da Contribuição Extraordinária de Solidariedade.

Daí a nossa reacção espontânea e a nossa indignação contra esta tentativa oportunista de Paulo Portas de querer apropriar-se dos benefícios eleitorais desta medida…   

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O meu emprego de sonho...

Setembro de 1981.
Lia o Jornal de Notícias na sala de estar da casa dos meus sogros na Madalena, Vila Nova de Gaia e ao deparar-me, na página dos anúncios, com uma proposta de emprego que se enquadrava dentro do meu perfil não hesitei e respondi, candidatando-me imediatamente.
De forma um tanto inesperada, e passados poucos dias, fui convocado para uma entrevista que ocorreu nos escritórios de uma casa da Rua da Restauração, no Porto.
Apresentei-me no local à hora marcada de forma perfeitamente descontraída e com o “à vontade” de quem não dá grande importância ao caso. Diante de três altos funcionários da empresa de alimentos para animais do Distrito de Aveiro que tinha colocado o dito anúncio fui submetido a uma bateria de testes de características mais técnicas e a um interrogatório oral em Português e em Francês.

Respondi, mais ou menos, do seguinte modo:
- Sou Bernardino Fonseca, nome que o meu pai me deu, recalcando o do seu próprio pai que se chamava António Bernardino da Fonseca.
- Nasci em 1953. Cresci dividido entre Pinhal do Douro e Vila Flor, dos Concelhos de Carrazeda de Ansiães e Vila Flor, do Distrito de Bragança.
- Ainda hoje, apesar da minha idade, 28 anos, procuro crescer todos os dias quer seja no trabalho, na família ou com os amigos, mas se calhar não o suficiente para chegar aos calcanhares daqueles que mais admiro. Que são muitos.
- Sou apaixonado pela família, por livros, música e imagino-me como escritor desde pequeno e é isso que tenciono fazer um dia. 
- Estudei Em Vila Flor, Mirandela e Coimbra onde tirei o Curso de Engenheiro Técnico Agrário (antigamente chamado de Curso de Regente Agrícola).
- Hoje, como Professor de Ciências da Natureza e Biologia vejo-me numa profissão pouco ou nada relacionada com a minha formação de base e agarrado, em segredo, nos meus tempos livres aos meus sonhos de trabalhar na minha área de formação de base e a de um dia vir a ser um escritor reconhecido.
- Gosto de quem sou, um pouco desinserido mas feliz e luto por mim, pela minha família, sobretudo pela minha filha nascida há poucos dias. Luto e lutarei por isso na totalidade, mental e fisicamente.
- Sou algo aéreo e distraído e não se admirem se um dia ao passar mesmo junto a vocês não vos cumprimente ou se num outro dia qualquer vos cumprimente na rua atirando-vos um sorriso patético. A não ser que tenha ido ao dentista. Nesse caso devo preferir ser antipático do que babar-me pelo canto dormente da boca.
A descontracção e até a forma irónica como respondi (sem me rir) pelos vistos caíram bem aos entrevistadores e, em consequência, fui de novo contactado. Desta vez, para me comunicarem que, se eu quisesse aceitar as condições que me propunham, tinha o lugar à minha disposição e poderia ocupar a vaga a partir do primeiro dia do mês de Outubro.

E essas condições eram para mim, naquela época, verdadeiramente extraordinárias. Triplicava o vencimento que auferia enquanto professor provisório mais as ajudas de custo para refeições e deslocações e combustível para o automóvel da empresa que me seria distribuído no primeiro dia de trabalho.
Pedi uns dias para ponderar.

A conjuntura pessoal e familiar falou mais alto. Tinha regressado a Vila Flor no ano anterior logo depois do casamento e a Amélia tinha deixado a sua terra, a sua família, os seus amigos e a sua escola para me acompanhar. Vivíamos numa casa situada mesmo do outro lado da Avenida onde ficava a Escola onde tinha sido colocado recentemente. A nossa filha tinha acabado de nascer.
Enfim, atendendo a todas estas condicionantes, agradeci a oportunidade e...  disse não!

E pronto. Foi assim que recusei o meu emprego de sonho. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Fecho os olhos e volto atrás no tempo…

Acabei de ouvir esta música que me levou no tempo,
"percorri" esta distância e "estacionei" em Monção,
na Praça Deu-la-Deu que ficou para mim um templo,
e permaneceu para sempre no meu coração.

Aí ouvi muitas vezes a Joan Baez
nesse tempo em que tudo me parecia perfeito
aí passei a querer-te e a amar-te de vez 
porque tudo quanto me fazias era bem feito...



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Empire State of Mind, JAY Z e Alicia Keys

E eu estava convencido que não gostava deste género de música!!! 
Mas... o que é bom, é bom! 
Ouvi e gostei desta canção do rapper norte-americano de hip hop, Jay-Z, com participação vocal da cantora Alicia Keys, tirada do seu décimo primeiro álbum de estúdio, The Blueprint 3 (2009).



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Confusão e revolta...

Uma das coisas que mais me custa é aceitar as coisas de forma passiva e indiferente. Houve períodos em que as circunstâncias pessoais, familiares ou profissionais me obrigaram a ficar no meu canto conformando-me e abdicando de exprimir a minha opinião, numa espécie de “comer e calar”. Foram os meus piores momentos.
Aceitar o que muitos dizem, aceitar o unanimismo, criando a ilusão de falsas pluralidades não dá, nunca deu, com o meu feitio.
Agora já aposentado e com total liberdade de soltar o meu verdadeiro eu, paradoxalmente, perdi o “palco” habitual que era o local de trabalho e as tertúlias habituais que deixaram de o ser... 
Daí a minha necessidade, quase permanente, de utilizar este blogue para descarregar… desopilando. 
De facto, é aqui que escrevo, “discuto” e debato, comigo próprio, as minhas ideias. É aqui que exulto com as coisas boas que me vão acontecendo. Mas é também aqui que me lamento, protesto, contesto e desabafo algumas mágoas.

Hoje, e sem querer ser contraditório com o que exprimi no post anterior no qual fiz uma apologia à vida e, sobretudo, ao modo de viver a rir, não posso deixar de me revoltar com o que aconteceu em Paris. Cidade que me diz muito, como os meus amigos mais próximos e os meus leitores mais assíduos sabem.

Acabei, agora mesmo, de tomar conhecimento que os dois irmãos que atacaram, na Quarta-feira passada, a redação do jornal satírico Charlie Hebdo e provocaram 12 mortos e 11 feridos, foram abatidos pelas forças especiais francesas, na gráfica em Dammartin-en-Goele, onde se tinham refugiado.
Perante este rol de notícias difundidas à velocidade da luz fiquei revoltado e confuso. 

Revoltado, pela forma chocante e horrorosa como se desenrolou este bárbaro assassinato de dois polícias e dez jornalistas de um jornal que eu não conhecia mas que dizem ser muito interventivo e bem-humorado. Foi um atentado à liberdade de expressão e de imprensa. Foi também um atentado à dignidade humana. Este crime inqualificável que nos entrou pela casa dentro deixou-me convencido de que isto não vai ficar por aqui e que se as instituições e os governos de todo o Mundo não se unirem para defender a Liberdade e os valores fundamentais dos cidadãos então poderemos continuar a assistir a episódios semelhantes a estes e ao que aconteceu no dia 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque, quando foram demolidas as torres de World Trade Center.

Confuso, porque eu fiquei com a convicção que neste caso há incongruências difíceis de explicar. Por um lado, os chamados entendidos na matéria, dizem, na televisão, que os terroristas fizeram este atentado de forma estudada, criteriosa e profissional.
Mas eu pergunto: então se foram assim tão profissionais por que carga d´água, levaram para uma operação (em que vão incógnitos e encobertos) o documento de identificação pessoal e o deixaram no carro para que a polícia convenientemente o encontrasse?
Será que quiseram deixar intencionalmente uma pista para serem identificados?
Depois, dizem que há permanentemente uma vigilância apertada e discreta. E se tinha a tal vigilância como é que os terroristas tiveram tempo para tudo?
Será que os defensores armados de Alá estariam ao corrente desta operação?

Fazendo um pequeno paralelismo com o post anterior. A vida remete-nos frequentemente para a verdadeira grandeza das coisas e ajuda-nos a distinguir entre aquilo que é importante e o acessório. Quando postas em perspectiva, muitas das “guerrinhas” do nosso quotidiano, não passam de suaves altos e baixos comparado com o que se passa a nível global e ficam imediatamente reduzidas à sua dimensão pelo peso destes acontecimentos trágicos e bárbaros que vão acontecendo por esse mundo fora...
  

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

2015. Vamos lá viver e rir, pessoal...

Viver com saúde é uma coisa séria. Ou, melhor dizendo, uma coisa para levar a sério. Que exige cuidados especiais, empenho, saber-fazer, atenção e muita entrega não só a nós próprios mas também às pessoas que nos rodeiam e de quem gostamos.
Sem isso, a vida, a vida com qualidade é porventura uma insignificância artificial, de passar os dias por passar e agredir o corpo e a mente com “lixo” de comer e de pensar.
Viver com saúde, com boa saúde, deve ser diferente disso. Deve ser algo que nunca deve ser negligenciado e um bem ao qual nunca devemos virar as costas.
De facto, a vida é como a água que jorra de uma nascente fresca. Não a devemos sujar e/ou contaminar com práticas físicas ou mentais inadequadas.
Mas se isto é assim, em contraponto, há algo que a vida não precisa e nunca deve ser: demasiado séria. O que quero dizer com demasiado séria? Que sério é este? O sério de perfeito. O sério de demasiado austero e severo. De facto, se levarmos a vida demasiado a sério ao ponto de a encaramos como um desporto de alta competição em que as pessoas se esquecem de se olhar nos olhos, de dizer coisas a brincar e de rir a bandeiras despregadas enquanto vivem, a vida perde a sua graça. Por que razão não podemos salpicar a vida com piadas? Porque terão as pessoas de estar sempre caladas, sérias e centradas no lado mau da vida? Nada tenho contra isto, é verdade. Até acho que nos devemos calar quando for de calar, de nos concentrarmos em silêncio quando assim tiver de ser mas, caramba, também devemos desopilar e dizer, no momento adequado, todas as asneiras e impropérios que sentimos necessidade de dizer. Um bom desabafo no momento certo sabe que nem “ginjas”. Sinto que não é necessário cada um de nós estar sempre sério e sisudo perante a vida. Não sinto que tenhamos de permanentemente evitar uma boa piada. Uma boa anedota ou uma frase engraçada que faça as outras pessoas rir. A vida também é riso. Também é divertimento. A vida saudável também é rirmo-nos e, mesmo, rebentarmo-nos a rir na cara uns dos outros. Qualquer que seja a razão. Porque estamos rotos de cansaço, porque nos aconteceu algo chato e de difícil resolução, porque a descrença pode dar para tudo e desse tudo o riso é o melhor. Viver e rir. Muito. Só assim vale mesmo a pena. 

Bom ano 2015!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A verdadeira "Super Lua"...

A Lua cheia vista e fotografada do jardim do Edifício Vyla Penedo, na primeira hora do dia de hoje - 5 de Janeiro –, apresenta-se maior e mais brilhante do que o habitual.

Este fenómeno “só voltará a repetir-se, nas mesmas condições, dentro de 18 anos” segundo informação do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).

Ainda segundo este organismo, a lua cheia terá, nesta noite, “um tamanho 14 por cento maior e será 30 por cento mais brilhante do que a lua cheia no apogeu, ponto da órbita da lua mais distante da Terra”.



Como gosto da Lua (e de "andar na Lua"), ela aqui fica neste início do ano 2015.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

21ª S. Silvestre Cidade do Porto...

Participei ontem, pela terceira vez, na S. Silvestre Cidade do Porto, 2014.

Associei-me, mais uma vez, a este evento não para ganhar, como é óbvio, mas sim para me divertir e para ter o privilégio de participar e conviver descontraidamente com pessoas que partilham o mesmo espaço, o mesmo espírito de camaradagem e os mesmos gostos.
A partida foi dada às 18 horas da Avenida dos Aliados, junto à Câmara Municipal do Porto, com o seguinte percurso de 10 Km, que fui apreciando com um enorme prazer (o Porto é lindo!):
Avenida dos Aliados; Praça da Liberdade; Rua de Sá da Bandeira; Rua de Santa Catarina; Praça Marques do Pombal (até aqui sempre a subir); Rua da Constituição; Rua do Monte Pedral; Rua Damião de Góis; Rua de S. Brás; Rua de Camões; Rua João das Regas; Praça da República; Rua da Boavista; Retorno antes da Rotunda da Boavista; Rua da Boavista; Rua de Ricardo Severo; Largo da Paz; Praça D. Pedro Nunes; Largo do Priorado; Rua de Aníbal Cunha; Rua da Boa Hora;- Rua da Maternidade; Rua Adolfo Casais Monteiro; Rua D. Manuel II; Túnel de Ceuta; Rua de Elísio de Melo; Avenida dos Aliados; Praça da Liberdade; Rua de Sá da Bandeira; Rua Dr. Magalhães Lemos; Avenida dos Aliados/lado ascendente; Rua Dr. António Luís Gomes; Rua da Trindade; Rua Alferes Malheiro; Rua dos Heróis e Mártires d’Angola; Rua do Clube dos Fenianos; Avenida dos Aliados/lado descendente e… huufff a CHEGADA.
Depois de terminar a prova desfrutei do momento. Senti-me satisfeito sobretudo por ter conseguido terminar a prova num tempo normal para a minha idade e para o meu tempo de treino. Em 2011 tinha terminado a prova no tempo de 52:05 e em 2013 no tempo líquido de 57:53!!! A idade não perdoa   

Enquanto aguardava (mesmo em frente ao Café Guarani) pela chegada da minha filha que também participou na prova, fui apreciando a festa e tirando algumas fotografias para a posteridade.

Agora é tempo de recuperação e de preparação para as provas que se seguem
nomeadamente a Corrida do Pai, dia 15 de Março de 2015.