Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXV)

Zeferino passou a hora seguinte em completa solidão no meio de uma multidão de pessoas. À sua volta, todos se riam e conversavam. Toda a gente parecia feliz. De copos erguidos em brindes, e com os corpos rendidos ao toque mais íntimo de jovens encantados e apaixonados.
Levantou-se algo cobiçoso de todo esse ambiente e, reparando que ninguém reparava nele, pegou no seu copo e bebeu o seu conteúdo de uma só vez. Depois, e como que querendo vingar-se, pegou numa caneca enorme de cerveja acabada de pousar a seu lado no balcão e entornou-a para o seu até o encher completamente, saindo sorrateiramente para a rua sorrindo satisfeito consigo próprio da batotice acabada de cometer.
Lá fora estava uma noite fresca... Arrepiou-se, aconchegou a si a mochila e bebeu um trago da bebida fresca que de repente lhe transmitia uma estranha mas confortável sensação de calor.
Por uns instantes ficou imóvel a observar o copo de vidro embaciado, notando as gotas que escorriam entre aos seus dedos frios enquanto saboreava o último trago que levara aos lábios. Esse sabor a cerveja até há pouco tempo desconhecido e ao qual se habituara tão rapidamente. Mas o sabor da ausência é mais amargo e diferente do sabor da cevada que compõe a cerveja. Lembrou-se do tempo em que achava quase impossível manter uma relação com quem se conheceu num instante. Era para ele quase cruel pensar insistir em existir num espaço onde algo havia falhado por uma qualquer razão. As pessoas tinham de seguir em frente com as suas vidas, noutros rumos, em linhas afastadas. Pensava assim naquele instante e imaginou um pequeno poema olhando para o seu copo:

Trago-te na palma da mão
e sorvo-te só de um trago
sirvo-me de ti para esquecer
dás-me calor interior e por fora fico a tremer… ;-)

Sorriu de si mesmo e, de forma mais optimista, pensou: Há mais vida, haverá outras experiências e outras pessoas a quem querer bem sem ser necessário estar a vida inteira a fingir que não existem.
Levantou o copo e, apontando vagamente para um dos pontos cardeais, fez um brinde a essa que tinha "achado" num comboio e perdido assim tão rapidamente em Paris.
Foi andando um pouco sem destino, até que, e porque a solidão começava a pesar, acabou por consultar a morada escrita no papel e foi perguntando aos transeuntes qual a melhor direcção para aquela rua. E assim, passo a passo, casa a casa e rua a rua se foi aproximando da casa de Lille.
Aí chegado, tocou e perguntou por ela a um rapaz mais ou menos da sua idade que lhe abriu a porta. O jovem que era alto, mesmo muito alto e muito magro mandou-o entrar, ofereceu-lhe uma cerveja, fez-lhe algumas perguntas devido à sua pronúncia de estrangeiro e apresentou-o a alguns outros que deambulavam por ali. Ele, pelos vistos, também não conhecia todos os presentes. A Lille, entretanto, tinha ido a um sítio qualquer e ainda não tinha chegado.

Zeferino acabou por se sentar numa cadeira que tinha outra igualzinha mesmo ao seu lado, onde acabou por ficar quase uma hora. A cadeira ao lado da sua estava livre e, por isso, de vez em quando alguém se sentava ali e começava a falar com ele sem mais nem menos. Alguns, que não sabiam que ele era português, falavam de acontecimentos locais ou regionais, ao que ele respondia sempre da mesma forma, dizendo que não estava ao corrente de nada pois estava ali de passagem.
Durante esse tempo reparou numa garota que, por qualquer motivo, o interessou bastante. Não é que fosse especialmente bonita (a Lille, por exemplo, era muito mais atraente). Foi qualquer coisa daquelas que não se conseguem explicar, mas que faz com que de repente não se pense em mais nada senão em conhecer aquela pessoa. Como quase todos os presentes estavam a rodar pela cadeira junto da sua, decidiu ficar ali sentado à espera que chegasse a vez dela.

Dessa forma poderia meter conversa discretamente, com a justificação de que nem sequer tinha sido ele a ir ter com ela…
(continua...)

sábado, 22 de junho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXIV)

- “Bon, voie la... maintenant nous devons aller… Entra, entra e senta-te aí no banco de trás com a menina Branchard, que é a filha do meu patrão” - disse-lhe Ricard, com um tom de voz autoritário
Zeferino entrou, saudou a jovem loura e sentou-se nos estofos de pele que ainda cheiravam a novo. Ficou o mais longe e afastado possível com receio que a jovem desse conta do seu cheiro a suor.
Ricard, depois de colocar o seu boné de motorista, arrancou suavemente fazendo o sinal de pisca para a sua esquerda e deu entrada numa enorme avenida em direcção ao edifício do Palácio da Justiça de Poitiers.
A jovem apercebendo-se provavelmente do pouco à vontade de Zeferino, virou-se para ele com um ar sorridente e, num tom sereno e cativante, disse-lhe num francês académico e perfeito que lhe soou a música melódica:
- Vem, chega-te mais para cá, podes vir para ao pé de mim que eu não te mordo!
- Hummm, é precisamente por isso que não me aproximo mais - retorquiu ele, retribuindo o sorriso, nas encolhendo os ombros e mantendo-se à mesma distância.
E riram-se um para o outro mais pelo tom brejeiro da voz do que pelo conteúdo.
Zeferino porque, de facto, não se sentia suficientemente limpo naquele ambiente, que para ele era um luxo, deixou-se ficar no seu canto procurando relaxar. 
Sem se dar conta, e nem saber muito bem porquê, naquele preciso momento, os seus pensamentos afastaram-se daquele espaço e daquele tempo e embrenharam-se noutros. Naquele comboio que se dirigia a grande velocidade para Paris levando-o a si e a Emeralda. A sua expressão tornou-se mais leve, suave e descontraída, deixando subentender que o mundo onde o seu cérebro estava, para além de distante, era muito agradável e brilhante. Era como se estivesse num espaço e num tempo onde o afastamento fosse completamente anulado. Onde ambos estavam tão próximos que só a pele os mantinha afastados. Onde o toque da boca dela o tinha maravilhado e deixado completamente arrebatado. Num tempo que parecia ao mesmo tempo tão eterno e tão fugaz. Num espaço tão distante e tão afastado de si que parecia tender para o infinito. Mas mentalmente tudo tão próximo, tão forte e tão intenso.
Bruscamente regressou à realidade com o som aprazível da voz dela: 
Je suis Lille!
- Ããhh!? Êtes-vous Lille ou avez-vous vivre à Lille? Retorquiu ele um pouco atrapalhado.
- Non, non... mon nom est Lille - sorriu ela.
- Que curiosa coincidência! A minha mãe chama-se Laura e nasceu em... Lille!
- Oh..la...la, então a tua mãe é francesa. E vive cá?
- Não. Nasceu em Lille e viveu em Paris até aos 12 anos. Depois fugiu para Portugal com os meus avós quando os Alemães invadiram a França, durante a II Guerra Mundial. Por lá ficou, aprendeu a falar bem português, casou com o meu pai e… depois nasci eu. Por tudo isso, costumo dizer que devo a minha vida a um dos maiores loucos e assassinos da história mundial: Adolfo Hitler!
- Eheheheh. Tens piada e eu simpatizo com pessoas assim como tu engraçadas e também com portugueses
E pronto, foi assim que começou a conversa entre eles.
Ela era loira, tão loira e tão bem vestida quanto uma actriz de cinema consegue ser. Para além disso era bastante bonita e energética. Parecia muito inteligente também. Não demorou muito tempo a perceber que Zeferino andava à boleia não só porque teria pouco dinheiro mas também pela aventura e pela descoberta de si e do mundo que o rodeava.
Ele, confrontado com estas reflexões da parte dela não lhe custou admitir que sim. Que, não tendo muito dinheiro, podia fazer perfeitamente a viagem de regresso a Portugal de comboio, ou de camioneta, mas que preferiu fazê-lo deste modo para, no fundo, conhecer os seus próprios limites. 
Disse-lhe também que ia apanhar boleia  para Bordéus com Ricard às seis da manhã e, por isso, tinha de arranjar urgentemente onde dormir.
- Espera aí que eu trato disso se tu aceitares a minha proposta - disse ela. E, virando-se para Ricard: -deixa-nos em frente ao CIO, Centre de Information et d´Orientation e amanhã apanhas o Zeferino aqui na esquina da Rue Léopold-Thézard.
Depois de saírem do automóvel e de terem (re)confirmado a hora e o local com  Ricard, sentaram-se na esplanada de um café e, enquanto bebiam uma cerveja, ela aproveitou para o convidar para uma festa que ia dar em casa dela nessa mesma noite e que provavelmente só terminaria já de madrugada. Assim, poderia sair da festa e ir directamente para a esquina da Rue Léopold-Thézard onde apanharia a boleia sem precisar de alugar um quarto.
Quando acabou de beber a sua cerveja, de forma descontraída e confiante, ela disse-lhe: - Bom, agora tenho de ir. Fiquei de me encontrar ali para os lados do Palácio da Justiça com uns amigos antes de ir para a festa. 
Levantou-se da cadeira depois de ter escrito num papelinho a morada de sua casa e saiu, dizendo até já. 

Zeferino aceitou o papelinho com a morada escrita pensando que nunca na vida a iria procurar e, por conseguinte, despediu-se dela com um adeus, acreditando que, na verdade, nunca mais a veria...

(continua...)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXIII)

Nota prévia: 
Ao retomar este conto apresento também as minhas 
desculpas aos leitores mais assíduos por esta longa interrupção.  

Chegaram a Poitiers era já noite cerrada.
Zeferino ao avistar as primeiras casas da cidade vinha já cansado da viagem. Sentia-se desconfortável e sujo da transpiração que ocorreu pelo esforço que tinha feito em Tours. O empregado de M. Roland prometera-lhe que, se Zeferino o ajudasse a descarregar toda a mercadoria do camião, ele o levaria a Poitiers que é uma cidade situada mais a sudoeste de França. Nessa perspectiva Zeferino tinha aceitado essa proposta sem pensar no esforço que teria de despender para descarregar as “gaiolas" com frangos e patos, as latas e frascos de patê e uma quantidade enorme de caixas com ovos. A acrescentar a tudo isso, vinha também saturado, irritado mesmo, de ouvir durante toda a viagem a “grafonola” Jean Paul e a sua lenga-lenga de difícil entendimento, pelo seu sotaque estranho e, sobretudo, por falar muito depressa naquele calão regional.
Mas... Jean Paul era, no fundo, boa pessoa e conseguiu ao fim e ao cabo amenizar um pouco toda essa indisposição de Zeferino.
Quando já se despediam no final da viagem e, assim de repente, batendo violentamente com a mão direita na testa, virou-se para Zeferino e disse de forma impetuosa e no seu francês característico: "arret toi!" "comme je suis un imbécile! car je ne me souviens pas? voilá… mon ami et collègue Ricard”. “Espera aí um pouco... vou ver se o encontro e ele vai - de certeza - orientar-te aqui nesta cidade pelo menos até amanhã”. Saltou de rompante do camião deixando o atordoado Zeferino, mais uma vez, a aguardar o seu regresso.
Enquanto esperava ia reflectindo. Sentia-se algo receoso mas tentava arranjar coragem para enfrentar todas as dificuldades que lhe aparecessem.
De vez em quando olhava para o relógio detendo o olhar vagamente no saltar regular e constante do indicador dos segundos enquanto os outros ponteiros lhe pareciam permanentemente imóveis e embora tivesse olhado por várias vezes instintivamente para o mostrador não se havia compenetrado muito bem da hora.
Entretanto tentou concentrar-se em todo o meio envolvente para esquecer as suas preocupações interiores.
Deixou-se dominar pela forma como a presença prateada da Lua no céu e pela forma como o arrebatou. Considerou-a, naquele momento, um presente ou um espectáculo que lhe fora oferecido gratuitamente pela natureza. Retribuiu-lhe com um olhar fascinado esse prazer experimentado sem a interferência do "ruído" do seu interior e que o afastava do essencial ou de prestar atenção às coisas que verdadeiramente interessavam  e que, na realidade, entendia naquele preciso momento como um castigo.
Queria fugir das coisas que o impediam de sentir o lado bom da vida. Olhou de novo a Lua e "abraçou-a". Fechou os olhos e "sonhou" que era capaz de voar até à sua terra lá longe no Nordeste Transmontano. Pensou em Helena e questionou-se se, depois desta viagem e dos acontecimentos fascinantes ocorridos nestes dias de afastamento, seria capaz de continuar a amá-la. Por momentos sentiu-se só e isolado nesse local isolado de Poitiers e iluminado pelo luar.
De repente passou a sentir-se melhor. Um sentimento de bem estar e reconforto invadiu-o. Sentiu que pertencia a um universo harmonioso que o abraçava de volta quando lhe prestava homenagem com a sua atenção, com esse sinal da gratidão bem merecida por usufruir do dom que é a vida.
Prometeu nesse instante a si mesmo que no futuro, e ao longo da vida, em  cada novo dia que despontasse no horizonte e se despedisse da noite que iria voltar-se sempre para a Lua para a poder outra vez abraçar e agradecer a sua oferta generosa, o luar. O luar que naquele instante despertou uma força poderosa que nem sabia existir dentro dele e uma vontade de viver que só por si justificava que se tivesse alterado a sua má disposição inicial e o desconforto da viagem. Fez mais uma promessa: "ao Santuário de Fátima nunca irei em peregrinação mesmo que o meu GLORIOSO clube perca sempre mas não irei desperdiçar nunca a oportunidade de olhar a Lua".

Quando Zeferino já estava assim mais calmo e preparado para o que desse e viesse viu, de repente, sair de dentro de um novinho Citroen Boca de Sapo (DS 20), de cor preta, que brilhava ao reflectir a luz do luar e a luz dos candeeiros do passeio ali mesmo ao lado, Jean Paul e o seu colega e amigo Ricard. No interior do carro ficou uma jovem loira que lhe sorria.
Depois das apresentações e de ter retribuído ao “muito prazer em conhecer-te” e ao “com que então tu é que és o português que anda à boleia!”, Ricard deu-lhe a boa notícia: “tás com sorte, pá… se quiseres levo-te amanhã de manhã até Bordéus. Sou motorista e levo lá o meu patrão, que é um enólogo famoso e tem que estar lá bem cedo. Saímos às seis da manhã. Portanto só tens que arranjar onde dormir esta noite… 
(continua...)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

ACTA nº 3 (ou será ata?) - II

O G5, ou 5.come, é um grupo sui generis, sobre o qual permanentemente pairam dois fantasmas que o grupo não consegue esconjurar.  
Um desses “fantasmas” é uma dolorosa recordação desse amigo que muito cedo nos deixou e que incarnava a irreverência, a espontaneidade e a alegria dos momentos vividos em grupo, entre os amigos que muito prezava. 
O outro fantasma que ensombra o grupo, continua entre nós, mas ausente, deixando uma lacuna de que iremos falar mais tarde. Mas primeiro caraterizemos um pouco melhor o G5. 
Na sua constituição atual o grupo reúne um naipe de bem-casados, certinhos, cumpridores rigorosos de várias regras (a começar na pontualidade. Não falemos das outras, que são matéria “reservosa”).
O futebol é, naturalmente, um dos pontos obrigatórios de conversa. Tanto mais picante quanto existe um ceguinho onde todos malham com pouca dó e sem muita piedade. É verdade ou não, ó Bernardino? Depois do limpinho/sujinho, o SLB (e o seu vice-presidente, o EM da TV) acabou “enrabadinho” por aquele a quem chamou tolinho. Toma lá que é para aprenderes e para não falares antes do tempo!     
Voltando à vaca fria (já me esquecia de dizer que o Jorge aproveitou para ir ao talho Serrano abastecer-se da saborosa vitela arouquesa) o grupo também fala muito de política, mas no sentido nobre da palavra. Nada de partidarites. Fala-se dos profundos problemas do país e do mundo, das causas e das consequências das desgraças que nos estão a acontecer. Às vezes até dá para apontar soluções. Se os governantes nos ouvem ainda as vão querer aplicar sem pagar direitos de autor. Ladrões! A religião é tema que, não sendo tabu, não aparece normalmente no cardápio do grupo. A gastronomia é um dos temas prediletos, muito mais na vertente aplicada que no mero patuá, que neste caso não leva mesmo a lado nenhum. 
Ao contrário dos temas habituais de conversa em grupos congéneres, ninguém fala em pombas (tema ultrapassado e arredado deste grupo por razões sociológicas que se compreendem). 
Resta um tema fundamental e “obrigatório” em tertúlias onde só entram machos: falar de gajas boas, de aventuras, usando o vernáculo a sério e contando aqueles episódios mais sórdidos. Salva-se o Bernardino, que por vezes ousa explorar o tema, mas com a elegância de um verdadeiro cavalheiro e usando a pena de um verdadeiro escritor. Conclusões: o grupo é constituído por bons rapazes, honrados, respeitadores. A este respeito recomenda-se a releitura da ata n.º 1, elaborada por ocasião da visita a ponte de Lima. 
Bom, mas lá no fundo o grupo sente a falta de alguém que agite um bocado essas águas. Daí pairar o fantasma do “outro”, que recorrentemente vem à baila. Toda a gente sabe de quem estou a falar. 
Depois desta profunda análise, voltemos a coisas mais comezinhas (comezinhas de comer, embora as gajas também sejam, mas noutro sentido).
No ano 2012 o grupo fez as seguintes incursões/excursões na área da gastronomia:
1 - Em março – leitão da Bairrada
2 - 30 de Agosto – viagem ao nordeste, com almoço no Lagar
3 - 2 de outubro – viagem à Galiza, com mariscada no Grove
4 - 21 de novembro – sarrabulhada na Cinda, em Ponte de Lima
5 - 12 de dezembro – salto ao Porto para comer um pernil no Antunes.

O ano 2013 começou sob bons auspícios, com o grupo a marcar pontos e a atingir muito mais cedo a marca do ano anterior:
1 - março – bacalhau na brasa no Forninho, em Nogueira da Regedoura
2 - 21 de maio – vitela Arouquesa, no Parlamento, em Arouca.

Estamos já com um avanço de 3 meses. Vamos no bom caminho e cheios de vontade de, no mínimo, igualar a performance do ano anterior. Mas nada de fiar. Ainda falta muito para o fim do campeonato. Não podemos facilitar e adormecer à sombra dos louros já conquistados. Temos de tomar muita atenção que a performance do segundo semestre do ano passado foi emocionante, cumprindo-se uma agenda muito bem recheada em termos qualitativos e marcando muitos pontos. Não nos podemos distrair e dar abébias como o SLB, que caiu quando já cantava vitória após a visita à Madeira. Exige-se concentração máxima, até ao fim do nosso campeonato e até este estar efetivamente ganho. Toca a amealhar pontos o mais cedo possível. Cumpre-me o dever de alertar. Depois não digam que eu não avisei. 
Mas a quem é que eu já ouvi isto? Não há dúvida que são sábias palavras. Só podem ter sido proferidas por alguém muito importante e muito sábio. Quero por isso imitá-lo.

Valadares, 21 de maio de 2013


terça-feira, 11 de junho de 2013

ACTA nº 3 (ou será ata?) - I

Crónica de
  Alexandre Ribeiro

Aos 21 dias do mês de maio de 2013 teve lugar mais uma reunião do Grupo dos 5.Come.
Como o costume ninguém faltou à chamada, nem sequer se atrasou. Muito antes da hora marcada (11 horas), o Mota e o Rogério, os mais apressados para estas coisas, já estavam no Penedo à espera dos restantes elementos. Apareceu o Alexandre, surge depois o Jorge no seu resplandecente Mercedes e chamou-se então o Bernardino (que estava distraído a tomar café) aos gritos de Pooooooorto, do meio da rua. Ele percebeu logo que era para ele. Contra todas as previsões, não trazia o seu famoso boné de retalhos, antes um boné discreto, mas igualmente elegante. 
Entraram para o carro do Rogério (um “vulgar” BMW), e arrancaram para Arouca, tendo como destino o Parlamento, que o amigo Edgar assegurou que era muito mais interessante que o de Lisboa. Para aquecer os motores entrou-se logo em fricção com o Bernardino, naturalmente o "bombo da festa", depois da vitória do Porto no campeonato. O objetivo era arrumar o assunto no começo da viagem, para depois não se perturbar o repasto e a digestão. O objetivo não foi integralmente cumprido, pois em toda a tarde, a espaços, iam surgindo umas farpas avulsas e bem intencionadas, que o Bernardino procurava rechaçar, mas com um escudo protetor muito frágil, ou não estivesse o SLB na mó de baixo e o FCP, como vem sendo hábito, a mijar de cima da burra, depois de levar a melhor sobre o eterno rival, após um emocionante sprint ganho mesmo em cima da meta.
A viagem decorreu sem incidentes e ainda não era meio-dia e já estávamos no destino. Uma visita rápida, mas imprescindível, ao vetusto convento, onde jazem os restos mortais da Infanta D. Mafalda. Cumprido depois o ritual do café, numa agradável esplanada, seguimos para o dito Parlamento. Não havia ninguém nas galerias a cantar uma Grandolada aos presentes. Mas o mestre de cerimónias fez jus ao lugar. Começou por nos colocar numa mesa que em princípio estava reservada para algum graúdo lá do sítio. Entretanto noutro canto da sala sentava-se um “primo” do Kelvin, catatuado (espécie de catatua com tatuagem), possivelmente uma das vedetas do clube da terra, recém-promovido a primodivisionário, com todo o mérito. Para já são credores de toda a simpatia, esperando-se (com pouca fé) que venham a roubar pontos ao clube certo.  
Começamos por atacar na broa e pãozinho de mistura com azeitonas, a que se seguiu uma espetada de enchidos da região e uma salada mista, como preparativo para o que aí vinha. E o que apareceu foi nada mais nada menos que a célebre vitela arouquesa. Primeiro assada no forno, com arroz, batata e legumes. Depois em saborosos nacos mal passados, acompanhada de arroz de feijão, tão malandrinho quanto gostoso. Para terminar o repasto vieram os inevitáveis doces (conventuais) e fruta laminada. 
Não há dúvida que este Parlamento merece uma visita. 
Numa curta visita à vila foi muito agradável constatar o asseio, a harmonia arquitetónica, o parque habitacional bem cuidado, o belo jardim de visitas ao centro da vila. Após o café o Jorge quis ir à pastelaria comprar “charutos” (um doce que é especialidade da terra), enquanto os outros, não fumadores, optaram pelo pão-de-ló de Arouca, e o Bernardino ficava-se pela pedras parideiras. 
O regresso a penates ocorreu sem qualquer percalço e ainda não eram 5 horas e o Rogério já tinha acabado a entrega ao domicílio.

Relatados e registados em ata os reais acontecimentos que ficam gravados para memória futura, passemos a outro tema. Nem só de acontecimentos reais vive o grupo. Os não acontecimentos são igualmente muito importantes, merecendo por isso uma análise psicossociológica, que aqui se tentará fazer de forma rudimentar, face à falta de instrumentos científicos de análise e insuficiência de curriculum técnico nessas matérias. 
(cont.)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Beatles - Um filme inédito - Get Back

Obrigado amigo RC por me teres enviado esta pequena maravilha. 
Que aqui deixo, na íntegra e para memória futura.

Atenção: isto é uma relíquia dos anos 60! Não é para quem tem 60 anos, ou para quem anda lá perto: é dos anos 60... e é para todos!

Vale a pena... desfrutem...

Não sei se sabem a história: dizem que a letra dessa música, que manda alguém voltar para o lugar de onde veio, foi escrita pelo Paul Mc Cartney em 'homenagem' à Yoko Ono. O vídeo mostra a gravação em estúdio e as trocas de olhares entre as personagens são muito interessantes.
Para quem «curte» um pouco de estória e de história (por que não?).
Esse vídeo foi achado nos escombros da antiga gravadora dos Beatles (Abbey Road Studios) e mostra uma sessão de gravação de uma famosa música dos Beatles (GET BACK), já no crepúsculo do grupo.

Mais histórico ainda: vêem-se dois artistas individuais na gravação, hoje consagrados: Participando como keyboard das gravações, o grande pianista negro americano Billy Preston (que, posteriormente, faria uma carreira a solo brilhante); e assistindo (pasmem!) à gravação - lá pela altura do minuto 02:11 - o líder de um grupo que já começava a fazer sucesso como substituto natural dos Beatles,  Mick Jagger!


sábado, 1 de junho de 2013

O telefonema...

Nota prévia: 
Para começarmos com boa disposição o mês de Junho 
deixo aqui esta anedota tal como me foi contada. 
 :-) 
Um homem liga para casa depois de mais um dia de trabalho para saber o que é o jantar.
- Estou? - diz uma 
vozinha de criança.
- Olá, querida, é o Papá. A Mamã está perto do telefone?
- Não, Papá. Ela está lá em cima no quarto com o tio Nando.
Depois de alguns segundos, o tipo diz:
- Mas querida, não tens nenhum tio chamado Nando!!
- Tenho sim! E ele está lá em cima no quarto com a Mamã.
- Está bem, então. Quero que faças o seguinte: Sobe a correr as escadas,  bate na porta do quarto e grita para a Mamã e para o tio Nando que o meu carro acabou de parar em frente a casa.
- Está bem, Papá.

Alguns minutos depois, volta a miúda:
- Bem, eu fiz o que me disseste, Papá.
- E então?
- Bem, a Mamã pulou da cama nua e começou a correr pelo quarto a gritar, tropeçou no tapete e caiu pelas escadas abaixo...
- Oh, meu Deus! E o Tio Nando???
- Ele saltou da cama nu e estava muito assustado. Então pulou pela janela do fundo para dentro da piscina, mas ele deve ter-se esquecido que tinhas esvaziado a piscina na semana passada para limpar, e bateu com a cabeça no fundo da piscina, e não me parece estar nada bem...

Uma longa pausa e o homem diz:
- Piscina ??? Por acaso o telefone daí é 21542687?
- Não.
- Tu não te chamas Vanessa?
- Não.
- Ah! Desculpa, foi engano...