Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.
Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Passadiço (Aguda-Espinho-Aguda) - VII
Não
sei porque em ti corro
e
te percorro…
Talvez
pela beleza que te envolve
e
alimenta os meus sonhos…
Ou
se é por aqui queimar as calorias
que
me abrasam as entranhas…
Sei
que a chama que aqui vibra nos meus olhos
me
ilumina este caminho alucinante…
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Identidade
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato
morro
no momento por que luto
nasço
Mia Couto
Setembro 1977
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Cogitações à beira-mar...
Há cerca de um mês que não fazia a minha habitual corridinha de 10
km (Aguda-Espinho-Aguda). Sentia-me algo perdido dentro de mim e com sentimentos de culpa.
Depois de deixar a Amélia Joaquina no ginásio, fui sentar-me num dos dois bancos
que se encontram encostados à parede da lota virada para o molhe da Aguda. O Sol, aquela hora, descia rapidamente pousando nas águas lá na linha do horizonte. Não havia
vento. Quase não havia brisa. As redes, que os pescadores arranjavam, ondulavam
devagarinho e as gaivotas levantavam voo, ouvindo-se perfeitamente o bater das
suas asas. Parece que queriam livrar-se dos homens e das suas manias, voando e fugindo
das objectivas das máquinas fotográficas que as perseguiam. Voavam de forma errante
parecia-me, mas talvez com sentido para elas. As aves não voam só porque lhes
apetece. Voam para fugir dali, voam para ir a qualquer lado, e o problema é meu
se não lhes entendo o sentido do voo.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Natal dos Simples - José Afonso
Hoje evoco aqui o saudoso Zeca Afonso e, simultaneamente,
uma antiga tradição: “as Janeiras”.
Recordo-me que, ainda miúdo, ia cantar as
Janeiras juntamente com um grupo de amigos nos primeiros dias do mês de
Janeiro. Por regra, levava uma pandeireta pois não tinha muito boa voz.
Normalmente íamos cantar a casa dos vizinhos e às casas das ruas
mais próximas. De um modo geral, eramos bem recebidos pelas pessoas visitadas
que assim colaboravam na manutenção desta tradição. Para além de nos desejarem a
todos um bom ano ofereciam-nos alheiras, salpicões, chouriças, filhoses e “bôlas”
de azeite, à boa maneira transmontana.
Nós correspondíamos às pessoas que nos recebiam bem, mais ou menos assim:
Esta
casa é tão alta
é
forrada de papelão
aos
senhores que cá moram
Deus
lhe dê a salvação...
E
aos (poucos) que não colaboravam cantávamos desta forma:
Esta casa é tão alta
é forrada de madeira
aos
senhores que cá moram
Deus
lhe dê uma caganeira…
:-)
:-)
sábado, 11 de janeiro de 2014
UHF - Vernáculo
Dois amigos de longa data enviaram-me, por email, este vídeo arrebatador.
Veio mesmo a calhar! Ele está na minha "onda" e vem dar uma sequência lógica ao teor e conteúdo dos últimos três posts deste blogue. Mas, evidentemente, está apresentada numa versão melhorada e elevada a uma qualidade de intervenção superlativa.
Veio mesmo a calhar! Ele está na minha "onda" e vem dar uma sequência lógica ao teor e conteúdo dos últimos três posts deste blogue. Mas, evidentemente, está apresentada numa versão melhorada e elevada a uma qualidade de intervenção superlativa.
Aproveito-o, deixando-o aqui por tudo isso mas também porque ele é emocionante, actual, importante (pelo momento que se vive) e muito bem conseguido. É, de facto, um excelente trabalho dos UHF- o melhor para mim.
Mostra-nos como a música pode e deve ser usada em tempos de crise social e política.
Por analogia, fez-me lembrar a música de intervenção do Zeca Afonso e do Sérgio Godinho, bem como dos poemas de Ary dos Santos e da grande Natália Correia, que tiveram um papel fundamental para o “despertar” da mentalidade democrática de muitos jovens da minha geração.
Por analogia, fez-me lembrar a música de intervenção do Zeca Afonso e do Sérgio Godinho, bem como dos poemas de Ary dos Santos e da grande Natália Correia, que tiveram um papel fundamental para o “despertar” da mentalidade democrática de muitos jovens da minha geração.
Estas palavras, assim ditas e cantadas, são como que um grito de revolta num tempo e num País cujo povo está acomodado, submisso e resignado a esta escravidão que nos é imposta pela toika estrangeira e pela troika nacional (como diz, com graça, Jerónimo de Sousa).
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Reparem neste aldrabão!
Sócrates é do
Benfica por causa de Eusébio! Ou a desfaçatez, a calma e a "lata" com que ele
mente!
Diria mesmo que este "gajo" está para a mentira como Eusébio
estava para o futebol.
Cada um na sua área são dois
génios. Eusébio a marcar golos. Sócrates a dizer mentiras.
Um sábado às 15 horas!
Na Covilhã a escola primária funcionava nas "férias grandes" e aos sábados de tarde?
Para terminar, e pela pertinência, permitam-me que cite uma das frases do meu último post: "É mais fácil apanhar um vigarista que um coxo. Sobretudo
quando esse vigarista também é coxo das ideias e mais um político de chinelo que veio dos jotas e que o “nosso”
sistema democrático permitiu que nos andasse a massacrar a “porca” da vida".terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Para o raio que os parta a todos!
Reuniram,
há uns dias atrás, os deputados que integram a delegação da comissão de
Economia do Parlamento Europeu que está a visitar os quatro países intervencionados
- Portugal, Grécia, Irlanda e Chipre - para elaborar um relatório de avaliação
da implementação dos programas de ajustamento da troika.
Nesta
primeira reunião esteve o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que levou consigo
os seus ministros da Presidência, Pedro Silva Pereira, e da Economia, José
Vieira da Silva.
À saída dessa reunião nenhum destes “iluminados” quis tecer qualquer comentário sobre o que aí foi dito.
À saída dessa reunião nenhum destes “iluminados” quis tecer qualquer comentário sobre o que aí foi dito.
No entanto, o eurodeputado do PSD José Manuel Fernandes não esteve pelos ajustes e comentou: o programa desenhado por Sócrates em Abril de 2011 tinha objectivos irrealistas e inatingíveis e que por isso não se podem criticar as revisões que têm sido conseguidas pelo actual executivo. Esses objectivos originais tinham que ser revistos e essas revisões têm sido possíveis graças à credibilidade do Governo.
E
disse mais: Eu nunca vi José Sócrates assumir erros nenhuns. Os erros são sempre
dos outros, os erros são sempre dos mercados, só houve troika porque o PEC 4
não foi aprovado. Apetece-me dizer que só houve troika porque houve
um primeiro-ministro que era José Sócrates e porque havia um Governo do PS. Faz
todo o sentido que esta comissão de avaliação venha falar com o
primeiro-ministro que chamou a troika.
Reflectindo sobre o silêncio de Sócrates e sobre declarações de José Manuel Fernandes, a mim só me apetece dizer o seguinte:
É mais fácil apanhar um vigarista que um coxo. Sobretudo
quando esse vigarista também é coxo das ideias e mais um político de chinelo que veio dos jotas e que o “nosso”
sistema democrático permitiu que nos andasse a massacrar a “porca” da vida.
É de desaparecer de vergonha e de nojo.
Mas os ideólogos desta democracia de merda
persistem que é pelo voto que vamos lá... Vamos, vamos... mas é pró fundo. Pelo
voto (portanto por culpa nossa, logo, não podemos reclamar) temos apanhado de
tudo no topo do poder, ladrões, vigaristas, chefes de várias máfias, pedófilos, incompetentes, analfabetos com licenciaturas de domingo
e de equivalências, traidores coniventes com os nossos inimigos, mas também
políticos(!) que na sua adolescência e no início da sua vida adulta andavam pelas berças da terrinha
a calcorrear atrás das silvas, a limpar o rabo a calhaus e a fumar barbas de
milho, e agora têm contas lá fora (em off shores) ganhas em falcatruas de toda
a ordem, em lugares de chefia na banca e/ou em empresas privadas a que treparam como macacos depois de saírem do governo, à custa dos
votos imbecis dos democratas masoquistas que acham que é pelo voto que tudo se
resolve.
Para o raio que os parta a todos!
Ufff, desabafei!
domingo, 5 de janeiro de 2014
Eusébio
(1942-2014)
No dia da sua partida (5 de Janeiro de 2014), deixo aqui a minha pequena homenagem a um dos homens que mais alegrias me proporcionou na minha juventude.
Pronúncia do Norte
Há um prenúncio de morte
lá do fundo donde eu venho
os antigos chamam-lhe reilho
novos ricos são má sorte.
É a pronúncia do Norte
os tontos chamam-lhe torpe.
Hemisfério fraco outro forte
ai o dia não sejas triste
a bússola não sei se existe
e o plano talvez aborte.
Nem guerra, bairro ou corte
é a pronúncia do Norte
é um prenúncio de morte
corre o rio para o mar.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
Colheste os ramos
onde pousavam
da geada, ás pérolas
as fontes secar.
Corre o rio para o mar
e há um prenúncio de morte.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
E é a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
É a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
lá do fundo donde eu venho
os antigos chamam-lhe reilho
novos ricos são má sorte.
É a pronúncia do Norte
os tontos chamam-lhe torpe.
Hemisfério fraco outro forte
ai o dia não sejas triste
a bússola não sei se existe
e o plano talvez aborte.
Nem guerra, bairro ou corte
é a pronúncia do Norte
é um prenúncio de morte
corre o rio para o mar.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
Colheste os ramos
onde pousavam
da geada, ás pérolas
as fontes secar.
Corre o rio para o mar
e há um prenúncio de morte.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
E é a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
É a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
Pronúncia do Norte- GNR
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Patxi Andion
Há mais de quatro décadas que o ouço e continua a ser um dos meus cantores preferidos.
Ele canta o amor e a resistência. Dois temas que me tocam profundamente.
Com a sua voz rouca foi construindo uma imagem de cantor de protesto ao mesmo tempo que foi abraçando as causas transformadoras do nosso país. Antes do 25 de Abril foi aplaudido (também por mim) no Coliseu dos Recreios, que se encontrava completamente lotado. Recentemente surgiu num disco com Ana Moura e agora prepara-se para repetir a façanha em dois aguardados espectáculos, no grande auditório do CCB, em Lisboa, e na Casa da Música no Porto.
Com a sua voz rouca foi construindo uma imagem de cantor de protesto ao mesmo tempo que foi abraçando as causas transformadoras do nosso país. Antes do 25 de Abril foi aplaudido (também por mim) no Coliseu dos Recreios, que se encontrava completamente lotado. Recentemente surgiu num disco com Ana Moura e agora prepara-se para repetir a façanha em dois aguardados espectáculos, no grande auditório do CCB, em Lisboa, e na Casa da Música no Porto.
Deixo aqui a sua voz em Veinte Aniversario. Tema
emblemático de toda uma época.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Passeio ao Minho no Outono...
E assim termino o ano de 2013.
Deixo-vos em paz! E com esta citação: "Que o Novo
Ano de 2014 que se anuncia não seja como o outono da vida onde as
folhas caem deixando apenas lembranças de dias bons e ruins, mas que
seja como a primavera da vida que produz frutos e dos frutos sementes
onde podem ser plantadas a cada dia e colhidas a cada amanhecer."
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Silêncio que fala e palavras que não se esgotam!
Vila Flor, 27 de Dezembro de 1975. Há 38 anos, precisamente.
Estava uma manhã fria e cristalina de inverno. A luz pálida do sol entrava pelas enormes janelas envidraçadas e era reflectida, de determinados ângulos, nos espelhos que forravam a parte superior da parede do fundo.
Tudo isso contribuía para o ambiente acolhedor que se desfrutava, naquele preciso momento, no interior do Café Avenida onde tomava tranquilamente o pequeno-almoço.
Tinha chegado a Vila Flor na véspera do dia de Natal vindo do quartel onde cumpria o serviço militar obrigatório e ainda estava imbuído de espírito natalício, embora algo nostálgico e introspectivo.
Havia lá mais quatro clientes.
Na mesa ao meu lado esquerdo, aquecida por uma das faixas de luz reflectida do espelho, estava um casal de idosos, meus conhecidos, cada um deles a beber o seu galão acompanhado com torradas bijou. Ele era um ex-empresário e ela professora primária aposentada.
Tudo isso contribuía para o ambiente acolhedor que se desfrutava, naquele preciso momento, no interior do Café Avenida onde tomava tranquilamente o pequeno-almoço.
Tinha chegado a Vila Flor na véspera do dia de Natal vindo do quartel onde cumpria o serviço militar obrigatório e ainda estava imbuído de espírito natalício, embora algo nostálgico e introspectivo.
Havia lá mais quatro clientes.
Na mesa ao meu lado esquerdo, aquecida por uma das faixas de luz reflectida do espelho, estava um casal de idosos, meus conhecidos, cada um deles a beber o seu galão acompanhado com torradas bijou. Ele era um ex-empresário e ela professora primária aposentada.
Entre o ruído mais ou menos confuso e desordenado das chávenas,
dos talheres e da máquina de café Cimbalino, era como se uma auréola de silêncio
os envolvesse. Olhei-os discretamente (mas com atenção) e fiquei com a sensação que não diziam nada um
ao outro, ou porque se entendiam mesmo sem palavras, ou... porque as palavras já se tinham esgotado há muito.
As palavras esgotam-se com a vida? - Perguntei-me.
Restava-lhes um incógnito olhar para os dois copos de galão vazios e uma presença ausente.
No entanto, foi possível percepcionar o afecto, a amizade e o amor entre estes dois seres a emanar da profundidade dos seus silêncios.
As palavras esgotam-se com a vida? - Perguntei-me.
Restava-lhes um incógnito olhar para os dois copos de galão vazios e uma presença ausente.
No entanto, foi possível percepcionar o afecto, a amizade e o amor entre estes dois seres a emanar da profundidade dos seus silêncios.
Na mesa à minha direita estava um casal na casa dos 30 anos. Eram os proprietários recentes de uma das lojas das proximidades. O homem começou a levantar a voz à companheira. Não num tom agressivo, mas numa tentativa evidente de a anular e/ou desvalorizar. Percebi que a conversa era o prolongamento de uma discussão havida entre eles na noite anterior. Ele falava pelos dois e fundamentava a sua argumentação na inutilidade dela como companheira de vida dele.
O amor deve ser útil? - Perguntei-me.
- Nunca dizes nada de jeito! - repetia ele.
Ela nada dizia.
Restava-lhes um ar desconsolado para duas chávenas de café com leite tristemente vazias.
Restava-lhes um ar desconsolado para duas chávenas de café com leite tristemente vazias.
O casal de idosos levantou-se e saiu. Fiquei a vê-los pelo
canto do olho. Deram as mãos carinhosamente e desapareceram lentamente na primeira curva, subindo
a rua em direcção aos Correios da Vila. Levaram com eles o seu silêncio único. E revelador.
Ao meu lado direito a discussão agravou-se. Ela decidiu responder.
Talvez as palavras não se esgotem sempre, mas era bom que às vezes o fizessem. Pelo menos foi o que pensei.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
O Grupo 5.com(e) de novo em Ponte de Lima (III)
Quem é este um mendigo?
Também faz
parte da tradição ir dar lustro ao touro num
recanto pitoresco de uma das ruas mais típicas da vila, perto do busto do
cardeal Saraiva, que nos olha com o seu ar bonacheirão.
Perto dali encontramos
um mendigo, um sem-abrigo, estendido num banco de jardim. Pareceu-nos ter um ar
familiar. Brincou connosco e acolheu-nos com um sorriso nos lábios, como um
cachorrinho quando é afagado pelo dono.
Antes de
iniciarmos a viagem de regresso fomos à beira rio deixar-nos fotografar junto à legião romana que nos primórdios da nossa história veio cá com intuitos de
juntar esta terra à sua lista de conquistas. Mas viram logo que não é fácil
derrotar-nos. Connosco até têm medo das sombras. Reza a história que a legião
se recusou a atravessar o rio, convencida que quem passasse para a outra margem
perdia a memória.
Se não os
pudemos vencer pelas armas vencemo-los pela argúcia. Chicos espertos somos nós
e isso já vem de longe.
Felizmente em cada casa há um Toni que nos
acolhe de pernas abertas
Cumprida a
agenda de trabalhos havia que regressar a casa, onde chegamos já era noite
cerrada, apesar de pouco passar das 18 horas. Sem qualquer percalço a assinalar
na viagem só resta registar um episódio já recorrente. Já prestes a estacionar
o carro em casa este cronista começou a sentir as já crónicas cólicas intestinais,
que em espaço de minutos passaram de um simples mal-estar a uma desagradável e
difícil luta contra o tempo.
Telefona então
o Bernardino a dizer que se esqueceu dos bolinhos e foi preciso ir ao seu
encontro. Mas o assunto foi rapidamente resolvido. O pior foi um vizinho que
apareceu na altura mais inoportuna e começou a falar num problema do prédio
para o qual andamos à procura de solução. A questão é que com os problemas do
prédio posso eu bem. Com os outros é mais difícil, mas não se pode simplesmente
mandar o vizinho bugiar.
Despachado o
vizinho, foi o sprint do costume, com uma impressionante reta final a caminho
da vitória. E, como da outra vez no Toni de Vila Flor, chega-se direto ao céu
logo depois de se passar pelo inferno, contrariando tudo aquilo que se aprendeu
na catequese.
Valadares, 12 de Dezembro de 2013
Nota Final:
E agora o vídeo prometido! Comprovem, de preferência em full screen, a memória "fotográfica" do
nosso grande cronista!
São estes momentos de convívio, sadio e verdadeiro, que também nos dão alento para continuarmos a viver com alguma alegria...
sábado, 21 de dezembro de 2013
O Grupo 5.com(e) de novo em Ponte de Lima (II)
O Borges versus Cinda
Chegamos a
Ponte de Lima à hora prevista e fomos logo diretos ao destino, o restaurante
Borges, a caminho do Tesido, perto da Borracheta e Subquintão.
O menu do
almoço foi aprovado por unanimidade e sem necessidade de consultar a carta.
Aliás, já não foi preciso escolher. Vou só repescar o que consta da ata do ano
passado: “broa, azeitonas, chouriço
assado, arroz de sarrabulho e leite-creme queimado. Apenas nas bebidas o Jorge
destoou, pedindo água em vez do saboroso verde tinto da casa”. “No final de tão copiosa refeição a escolha
acabou sendo aprovada por aclamação e o preço não deixou ninguém de tanga – 14
euros por cabeça”. Transcrição sic da ata do ano passado.
Só se mudou o
cenário da Cinda para o Borges, pois quanto ao resto não se mudou uma simples
vírgula. Quando muito uns cêntimos, como a cópia da conta bem demonstra.
Apenas se
registam 3 notas complementares: a expressão de satisfação do Mota “maravilha. Isto está uma delícia”,
orgulhoso por ter influenciado a escolha; o chouriço assado foi devorado até
aos fios que atam as pontas e até se chupou o sumo da travessa (não, não veio a
frigideira para a mesa); o tinto escorregou tão bem que acabou por vir uma
média de uma garrafa por cabeça, se considerarmos que o condutor não podia
beber (mas deu uma ajudinha) e o Jorge fez jus à fama de abstémio (um palavrão
bonito e que lhe está corretamente aplicado).
Comandante Militar de Urrós
A conversa à
mesa versou os temas do costume, com a crise em lugar de destaque e com alguns
ausentes bem presentes: o inesquecível Carlos, o ainda não presente Álvaro e o
recém afastado Vaz Nunes. Vieram à baila histórias e peripécias, não faltando
os colegas de tropa, desde o Otelo ao Comandante Militar de Urrós.
Assuntos
ligados à área da saúde começam também a ser tema recorrente, com uns bitaites
que os leigos costumam mandar em função das mazelas que vão acumulando e que
lhes vão dando um notável acervo de conhecimentos na área da medicina. Até
permitem diagnosticar que o médico X deve ser gay, mas isso não impede que se “goste dele”. Gostos não se discutem, mas percebe-se a
ideia.
A jovem que adivinha as nossas intenções
Terminado o
repasto fomos, como manda a tradição, tomar café ao centro da vila, à praça
principal, esplêndida esplanada sobre o Lima.
Estacionado o
carro no vasto parque junto ao rio (que fazem ali tantos carros? Haverá tantos
reformados a passear por Ponte de Lima?), posamos para a fotografia da praxe,
com a inevitável limitação de o fotógrafo não poder ficar no retrato. Vendo o
nosso embaraço e adivinhando as nossas intenções, uma amável jovem
prontificou-se, com grande entusiasmo, diga-se, a carregar no botão. Devia ser
uma jovem, pois apesar de aparentar ter mais uns anitos que nós ainda usava na
boca um aparelho corretor dos dentes.
Olha se fosse
uma jovem/jovem e que adivinhasse com a mesma precisão os nossos desejos e se
prontificasse de forma tão generosa a colaborar connosco! Ia ser bonito, ia.
Como enriquecem os políticos em Portugal
Como manda a
tradição, procedemos à troca de prendas, ato simbólico e momento de animação
com fotos a recordar o momento.
Quem reparasse
no nosso ar relaxado e visse uma das prendas - o livro “Como enriquecem os políticos em
Portugal” - julgaria porventura que seriamos um grupo de políticos da
oposição que estavam de passagem por Ponte de Lima, daqueles que pregam uma
coisa e fazem outra, gostando de saborear os prazeres da vida, apesar de
passarem o tempo a dizer mal dos governos.
Local de passagem
obrigatória em Ponte de Lima é um pitoresco estabelecimento de petiscos – O Cardápio da Márcia. Destacamos hoje “estouros explosivos a sair do redondo”.
Daí abalamos
para a sessão de compras, antes do regresso a casa. Ao contrário do que elas
(as nossas mulheres) possam pensar, estiveram sempre presentes no nosso
pensamento. Ai de nós se nos esquecêssemos! Havia que lhes levar uma lembrança
para as compensar de um dia sem os nossos “carinhos”.
Houve quem optasse por levar uns bolinhos, para lhes adoçar a boca. Outros
optaram por as presentear com uma vistosa “estrela
de natal”. Cai sempre bem oferecer flores a uma mulher.
Só espero que
cada um tenha feito a escolha acertada. Seria dececionante ouvir um comentário
do género “andaste a trazer bolos e nem
te lembraste que eu ando a fazer dieta e não quero engordar. Ainda se fosse uma
flor… “ou ao invés, aquelas que receberam flores dizerem “chegaste atrasado, que eu já tenho a
decoração do natal completa. Ainda se fossem uns docinhos…”.
“Não trouxe doces porque sei que andas a
fazer dieta” ripostamos nós.
“Pois, mas é só por uma vez e também faz bem
prevaricar de vez em quando”.
É difícil gerir estas sensibilidades.
(Continua...)
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Amestrado em austeridade...
A ideia não é minha mas concordo com ela e, naturalmente, adopto-a com a mesma descontracção com que a Senhora Christine Lagarde adopta o seu animal doméstico...
Nota:
Nota:
Este post, aqui no vyla58penedo.blogspot.com, era para ficar mesmo assim e só até aqui.
Também tinha a ideia de o publicar depois de concluída a crónica do nosso amigo Alexandre Ribeiro, da qual apenas publiquei a primeira parte.
No entanto, e depois de, agora mesmo no Jornal das 8, ouvir dizer a este canino
a quem chamam coelho que estava a dar
os passos necessários para encontrar uma
forma constitucional de reduzir as pensões, tenho mesmo que vir
reclamar. Tenho que vir gritar a minha revolta. Tenho que vir berrar.
Lá em Vila Flor costumava-se dizer com toda a propriedade: “Quem não chora não mama”. Aqui de Valadares
eu digo: “Estou farto de mamões! Porra!”.
Quando ouço este aldrabão, que tanto prometeu antes de ser
eleito, dizer - com a maior desfaçatez - que o chumbo (mais um) do Tribunal
Constitucional ao diploma da convergência das pensões da Caixa Geral de
Aposentações “abre também o espaço para
que sejam cortadas pensões em pagamento e que o Governo vai agora estudar as
condições em que isso pode ser feito” tenho uma necessidade enorme de me
revoltar e de fazer algo de mais concreto e assertivo.
Como não tenho vinte anos e já sou aposentado, velhinho
portanto, a quem podem vir assim com jeitinho alterar o montante da minha
pensão, não posso pegar numa arma e defender aquilo que é meu por direito
acumulado ao longo de quase quatro décadas de trabalho. Mas tenho o direito de dizer e fazer alguma coisa. Estou a fazê-lo e prometo que não ficarei por aqui...
Estou cansado de ouvir estes "palhaços" que nos governam a
chamar de “poupança” ao confisco de salários e de pensões à margem da lei; de “ajustamento”
ao empobrecimento dos portugueses e à destruição do país e de “ajuda externa” a
um empréstimo que pagamos a juros agiotas.
Basta! A paciência tem limites! Temos o direito de gozar a
nossa reforma sem sobressaltos e, permanentemente, na dúvida se o governo nos vem
ou não roubar…
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O Grupo 5.com(e) em Ponte de Lima (I)
Crónica de
Alexandre Ribeiro
Cinquenta e cinco semanas depois da última deslocação a Ponte de Lima, aos 12 dias do mês de Dezembro de 2013, teve lugar mais uma reunião ordinária do Grupo 5.com(e) que se deslocou a essa ancestral vila portuguesa para saborear o tradicional e insuperável arroz de sarrabulho.
De notar que
o grupo já se encontra devidamente representado nessa lindíssima terra, através
da escola de Condução Jorge Matos e do Escritório de Advogados Alexandre Rocha.
Porto e Benfica andam à procura de
reforços.
Na véspera e
na antevéspera o Porto e o Benfica foram eliminados da champions. Por isso
quase não se falou de futebol, nem houve as habituais picardias e chistes, pois
num velório não se devem contar anedotas e não fica bem o roto rir-se do
descamisado.
Mas recuemos
um pouco: a recolha ao domicílio estava programada para as 11 menos um quarto,
em casa do Rogério. Antes da hora marcada o motorista de serviço, o Alexandre,
lá estava no seu Volvo, à espera do primeiro passageiro, que não se fez
esperar. Depois, quando pensávamos ter de esperar pelo Bernardino, dado
estarmos adiantados na hora, fomos surpreendidos ao vê-lo já à nossa espera. Em
casa do Jorge foi só esperar que descesse da varanda presidencial, onde
apareceu com a sua dama a saudar os presentes. O Mota, claro, devia ter descido
quinze minutos antes da hora marcada, pois apesar de anteciparmos a chegada já
o vimos impaciente à porta do prédio, a salivar.
Conclusão:
para a ramboiada não há perna manca. Se o Jorge Jesus e o Paulo Fonseca sabem
disso, com tantos pernetas lá para as bandas deles, ainda nos chamam para
reforçar os respetivos plantéis.
Assim se constrói a democracia
Mas se não
foi difícil o cumprimento do horário, já a escolha do local do repasto foi algo
complicado depois de o Bernardino ter lançado a confusão ao falar num sítio
onde havia comido uma vitela deliciosa.
Antes de
chegarmos a casa do Mota já tínhamos abordado a questão do destino. Perante a
hipótese de irmos ao sarrabulho a Ponte de Lima ou à vitela a Vieira do Minho,
concluiu-se que o Mota já tinha afiado os dentes e iria ficar dececionadíssimo
se não fossemos ao sarrabulho. E tinha que ser no Borges, que é o melhor do
mundo. Mesmo assim, depois de o apanharmos, por um imperativo democrático
colocou-se o problema a votação. Começou o Mota com uma declaração prévia: tanto me faz ir a Ponte de Lima como a
Vieira do Minho. Vou para onde a maioria decidir.
Todos
fingiram acreditar. E colocada à votação a hipótese de ida ao sarrabulho a
Ponte de Lima a proposta não recolheu um único voto favorável. Todos se
abstiveram.
Mas também
não apareceu ninguém em defesa da hipótese alternativa. Por isso o Jorge,
sabiamente, resolveu a questão: pronto,
vamos então a Ponte de Lima, como quer o Mota.
A isto se
chama respeito pelas minorias. Mas depois do almoço, como se verá, comprovou-se
que há decisões aparentemente pouco democráticas mas que o tempo se encarrega
de revelar muito acertadas. A sabedoria de alguns iluminados às vezes funciona
melhor que o somatório dos votos da plebe.
Agradáveis para-choques e confortáveis airbags
A primeira
paragem técnica foi na área de serviço de Santo Tirso para tomar café.
Há que realçar este facto, porquanto constatamos que a área passou a estar
apetrechada para outro tipo de serviços procurados por clientes cujas oficinas
caseiras não ofereçam a qualidade pretendida. Com agradáveis para-choques e
confortáveis airbags, os condutores que pretendam mudar óleo podem encostar às
boxes e usufruir de saborosos momentos de relaxamento no meio de uma viagem
mais cansativa.
(Continua...)
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
E pronto. Nunca mais se viram!
Era o último dia do mês de Agosto.
Atravessávamos um período político muito crítico e que ficou conhecido como o Verão Quente de 1975. Em pleno Período Revolucionário em Curso (PREC) que foi, de facto, um tempo marcante na História de Portugal, que teve início com o golpe militar de 25 de Abril de 1974 e viria a culminar (cerca de três meses depois) com o golpe militar de 25 de Novembro.
O Café Liz estava cheio com os clientes habituais, com a malta vinda de vários lados de Vila Flor e com alguns emigrantes mais retardados que ainda não tinham regressado ao País de acolhimento. Era mais um dia de convívio para uns e de despedidas para outros. Enquanto uns conversavam em pequenas tertúlias, outros jogavam snooker ou bilhar livre. Outros ainda visionavam o programa de Domingo à tarde que passava no ecrã da enorme televisão colocada mesmo por cima da porta de entrada do Café. Os restantes esgotavam todos os lugares do espaçoso Café. Cá dentro e lá fora na pequena esplanada não havia nenhuma mesa livre.
Atravessávamos um período político muito crítico e que ficou conhecido como o Verão Quente de 1975. Em pleno Período Revolucionário em Curso (PREC) que foi, de facto, um tempo marcante na História de Portugal, que teve início com o golpe militar de 25 de Abril de 1974 e viria a culminar (cerca de três meses depois) com o golpe militar de 25 de Novembro.
O Café Liz estava cheio com os clientes habituais, com a malta vinda de vários lados de Vila Flor e com alguns emigrantes mais retardados que ainda não tinham regressado ao País de acolhimento. Era mais um dia de convívio para uns e de despedidas para outros. Enquanto uns conversavam em pequenas tertúlias, outros jogavam snooker ou bilhar livre. Outros ainda visionavam o programa de Domingo à tarde que passava no ecrã da enorme televisão colocada mesmo por cima da porta de entrada do Café. Os restantes esgotavam todos os lugares do espaçoso Café. Cá dentro e lá fora na pequena esplanada não havia nenhuma mesa livre.
Até que, entra uma bela e jovem mulher, curvilínea, irrepreensivelmente
vestida, desconhecida de todos e que atraía os olhares dos homens, uns de forma
disfarçada, outros de maneira ostensiva.
Caminhando por entre as mesas e contornando as duas mesas de bilhar a jovem mulher tentava descobrir, sem êxito, um lugar para se sentar. Fixou os seus olhos azuis, amendoados, numa mesa, lá ao fundo onde eu me encontrava sozinho e absorvido na leitura de um artigo do jornal O Comércio do Porto, que explicava como Pinheiro de Azevedo dava início às primeiras diligências para a formação do VI Governo Provisório.
Caminhando por entre as mesas e contornando as duas mesas de bilhar a jovem mulher tentava descobrir, sem êxito, um lugar para se sentar. Fixou os seus olhos azuis, amendoados, numa mesa, lá ao fundo onde eu me encontrava sozinho e absorvido na leitura de um artigo do jornal O Comércio do Porto, que explicava como Pinheiro de Azevedo dava início às primeiras diligências para a formação do VI Governo Provisório.
- Desculpe-me estar a
incomodá-lo, mas não consigo encontrar nenhuma mesa livre. Importa-se que me
sente à sua?
Levantei os olhos do jornal, aparentemente surpreendido pela beleza daquela mulher, puxei uma cadeira e convidei-a a sentar-se, indiferente aos sorrisos da malta que seguia a cena: - Faça favor! É um prazer!
Sentou-se e agradeceu: - É muito simpático. Reparei que foi o único homem que, educadamente, não me "comeu" com os olhos enquanto eu procurava lugar.
Levantei os olhos do jornal, aparentemente surpreendido pela beleza daquela mulher, puxei uma cadeira e convidei-a a sentar-se, indiferente aos sorrisos da malta que seguia a cena: - Faça favor! É um prazer!
Sentou-se e agradeceu: - É muito simpático. Reparei que foi o único homem que, educadamente, não me "comeu" com os olhos enquanto eu procurava lugar.
- Estava a ler e, quando estou absorvido na leitura, consigo abstrair-me completamente de
tudo o que me rodeia - esclareci com o meu melhor sorriso.
- Você, além de simpático, é um rapaz polido e de boas maneiras.
- Oh!!! Obrigado, acho que não fiz nada de mais – respondi, algo envergonhado, ao mesmo tempo que pousava delicadamente a palma da minha mão nas costas da mão dela.
Ela pareceu gostar daquele toque carinhoso. Retribuiu, olhando-me directamente nos olhos.
Desviei o olhar procurando concentrar-me no outro lado da rua onde o Sr. Eusébio Ápio Garcia, na sua loja de electrodomésticos, provavelmente gaguejando, mas de forma tranquila, dava orientações ao seu jovem e "Puto" empregado.
Quebrei o silêncio que se seguiu perguntando: - e o que faz uma jovem e bonita mulher, sozinha, em Vila Flor?
- Estou de passagem. Fui colocada na escola primária de Sampaio e vou para lá ainda hoje para, com tempo, arranjar uma casa, conhecer a escola e a própria aldeia…
Depois de uma pausa, enquanto a Maximina lhe servia o café, perguntou: - Como se chama?
- Você, além de simpático, é um rapaz polido e de boas maneiras.
- Oh!!! Obrigado, acho que não fiz nada de mais – respondi, algo envergonhado, ao mesmo tempo que pousava delicadamente a palma da minha mão nas costas da mão dela.
Ela pareceu gostar daquele toque carinhoso. Retribuiu, olhando-me directamente nos olhos.
Desviei o olhar procurando concentrar-me no outro lado da rua onde o Sr. Eusébio Ápio Garcia, na sua loja de electrodomésticos, provavelmente gaguejando, mas de forma tranquila, dava orientações ao seu jovem e "Puto" empregado.
Quebrei o silêncio que se seguiu perguntando: - e o que faz uma jovem e bonita mulher, sozinha, em Vila Flor?
- Estou de passagem. Fui colocada na escola primária de Sampaio e vou para lá ainda hoje para, com tempo, arranjar uma casa, conhecer a escola e a própria aldeia…
Depois de uma pausa, enquanto a Maximina lhe servia o café, perguntou: - Como se chama?
- Bernardino, sou o Bernardino!
- Eu chamo-me Adosinda e gostava de o conhecer melhor... Não quer ir visitar-me, lá à aldeia, amanhã?
- Amanhã!? A partir de amanhã o meu destino está fora de mim, não me pertence e não sei se fará parte do seu. Amanhã, dia 1 de Setembro, parto para a Escola Prática de Cavalaria de Santarém onde vou iniciar o serviço militar obrigatório. Sim, amanhã vou para a tropa e é única certeza que tenho sobre o amanhã…
- Eu chamo-me Adosinda e gostava de o conhecer melhor... Não quer ir visitar-me, lá à aldeia, amanhã?
- Amanhã!? A partir de amanhã o meu destino está fora de mim, não me pertence e não sei se fará parte do seu. Amanhã, dia 1 de Setembro, parto para a Escola Prática de Cavalaria de Santarém onde vou iniciar o serviço militar obrigatório. Sim, amanhã vou para a tropa e é única certeza que tenho sobre o amanhã…
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E pronto. Nunca mais se viram!
sábado, 14 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Renegar o tempo...
Agora que estou longe do reboliço dos horários, agora que os toques estridentes
da campainha já não me chamam, agora que as horas, os minutos e a loucura exasperada dos relógios já não me controlam, agora que as reuniões intermináveis e as regras
impostas pelo trabalho diário já não me perturbam, permanecer aqui nesta minha sossegada e plácida realidade tem um sabor agridoce e deixa-me com sentimentos contraditórios.
Por vezes o tempo que tenho para passar e ocupar o tempo é tão penoso que provoca a minha fuga constante. Por vezes até penso que vou passar o tempo a negar o tempo, as horas, os minutos e os segundos
dos dias que me restam. Outras vezes desejo não estar aqui e vou para ali a pensar que nunca voltarei mas... a desejar voltar o mais rapidamente possível.
Hoje, ao acordar, não queria acordar, nem colocar os pés no
chão e voltar à rotina cinzenta dos dias...
Apetecia-me negar o tempo que passa vagarosamente, partir-lhe
os ponteiros, quebrar-lhe as asas. Apetecia-me fazer tudo isso e muito mais.
Mas nada do que fizesse adiantaria, porque voltar à realidade é sempre uma inevitabilidade e, pensando melhor (a meio da manhã e já bem desperto), também cheguei à conclusão que tenho um tempo que, por ser bom demais, passa muito rapidamente. E tenho tanta, mas tanta, coisa boa para amar, apreciar e desfrutar... ainda por cima com todo tempo do mundo 
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
sábado, 7 de dezembro de 2013
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