Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXVIII)

Tudo o que sabia de Bordéus era aquilo que tinha ouvido pela boca de outros, nomeadamente do seu professor de Geografia. Mas, logo desde o início da caminhada, ficou fascinado pela sua beleza.
Durante três horas percorreu as ruas desconhecidas com a magia de não saber o que o esperava para lá da próxima esquina. Um espantoso monumento aqui! O rio mesmo ali! Uma praça enorme e com uma atmosfera romântica bem no centro!
Os seus olhos não podiam acreditar no que viam, era tudo tão diferente daquilo que ele tinha visto até aquele dia! Foi apreciando as ruas do centro da cidade com os seus edifícios que não possuíam mais de dois ou três pisos, tão característicos daquela região da costa Atlântica, no sudoeste de França.
Depois admirou o rio Garona, o seu estuário e as suas belíssimas pontes sobretudo a Ponte de Aquitânia que atravessou num sentido e no outro. De repente descobriu, escondido por edifícios da Rue Saint-James o famoso Grosse Cloche de Bordéus, que é um enorme campanário da antiga Câmara Municipal, num edifício que remonta à Idade Média.
Não muito longe dali, Zeferino descobriu o Grand Theatre - Opéra National de Bordéus, que o impressionou pela sua imponência e beleza arquitectónica e que fica quase em frente à principal praça da cidade, numa enorme avenida paralela ao rio Garona.
Ao chegar à Place de la Bourse (Place Royale) Zeferino sentou-se numa esplanada de um dos muitos cafés e restaurantes que a abraçam. Anoitecia e o jogo de luzes que realçavam os traços da arquitectura dos belíssimos edifícios tornou, aos seus olhos, o espaço verdadeiramente imponente. A esplanada formava uma espécie de anfiteatro virado para o rio Garona e de onde podia ver as pessoas passearem num enorme espelho de água que lhe criava a ilusão, assim ao longe, de que estavam sobre a água. Uma impressionante sensação de bem-estar inundou-o! Um ambiente romântico envolvia-o. Só em Paris, a cidade do amor, e com Emeralda a seu lado se tinha sentido melhor.

De repente, reparou num homem e numa mulher sentados mesmo na mesa ao lado da sua. Ela bebia um chá verde e comia meia torrada com doce de abóbora. Ele bebia café simples e comia a outra meia torrada mas com manteiga. Falavam de coisas triviais. Do tempo e da temperatura agradável tendo em conta que se estava na segunda metade do mês de Abril. Dos respectivos trabalhos, monótonos. Das suas vidas passadas mas não do presente, nem do futuro. Encontravam-se em terra de ninguém, num momento fora dos seus mundos, fora das suas vidas. Até que a conversa descambou e prendeu ainda mais a atenção de Zeferino.
– Posso dizer-te uma coisa?
Ele olhou-a, ergueu ligeiramente as sobrancelhas, cerrou os lábios e acenou que sim com a cabeça.
– Podes – reforçou, curioso, mas procurando não dar expressão à curiosidade.
Ela manteve o seu olhar fixo no dele, hesitou à procura das palavras certas e declarou, sem qualquer inflexão irónica: – Pensava que gostavas de mim.
Ele arregalou os olhos por um momento breve, controlou a surpresa e a expressão facial e retorquiu, com um ligeiro sorriso: – Pensavas?
– Pensava – ela reforçava as palavras acenando a cabeça na vertical. – Pensava mesmo, mas agora já não sei.
Ele levou um pedaço de torrada à boca enquanto ela falava, mordeu metade, mastigou e engoliu em silêncio. Ela piscava os olhos duas vezes de cada vez, num tique nervoso que não conseguia disfarçar e bebeu um gole de chá.
– Não me achas atraente? – perguntou ela de chofre, sem se conseguir conter, ainda com a chávena na mão, mas dando a sensação de que se arrependera logo que se ouviu falar.
Ele manteve o ar impassível, o que a irritou, e respondeu sorrindo só com a boca: – Acho-te muito atraente – declarou ele, por fim e arrancou para um discurso quase de fazer chorar as pedras da calçada.
Ela parecia ouvia-lo com muita atenção. De repente interrompeu-o e perguntou-lhe ainda sorrindo: – Sabes do que me lembrei?
Ele ouviu-lhe a interrupção em tom sensual e vendo-a a sorrir, afastar a chávena quase vazia e o prato onde ainda restava um palito da torrada e agarrar na carteira para pagar, apostou no seu melhor olhar de carneiro mal morto, sorriu de viés, como o caçador que sabe que a presa não tem hipóteses de fuga, sussurrou que já estava tudo pago e dobrando-se sobre a mesa para se aproximar dela murmurou insinuante: – De quê, querida, lembraste-te de quê?
Ela levantou-se, pousou as mãos na mesa, aproximou o seu rosto do dele, beijou-o na face, com suavidade e ficou frente a frente, nariz com nariz: – Que tenho mais que fazer, Pierre! Deu-lhe um beijo na outra bochecha e despediu-se: – Adeus.
Ele deixou-se cair na cadeira, ao lado da outra que permaneceu vazia, e ela, agarrando a mala, seguiu sem olhar para trás, dizendo baixinho: adieu, addio, aufwiedersehen, goodbye.

Zeferino sentiu que também se despediam dele, levantou-se tristemente, pagou a sua despesa e regressou ao quarto alugado nessa manhã… 
(continua...)


domingo, 7 de julho de 2013

Por que nunca votarei em gente desta...

Destes dois só me apetece dizer que são aldrabões profissionais na justa medida em que ganharam eleições na base de mentiras e promessas (não cumpridas) ao eleitorado.
São farinha do mesmo saco...
Infelizmente temos cá no burgo muitos mais assim e são quase todos Jotas…
Por que razão em Portugal não se legisla no sentido de punir o político que não cumpre com as suas promessas de campanha depois de eleito?
Por que razão em Portugal não vai para a cadeia o político que utiliza o cargo para enriquecer por meios ilícitos e/ou na base da corrupção?

E este?
Para ajudar à “festa” temos (?) um Presidente da República a quem eu não me atrevo a chamar de palhaço, como fez Miguel Sousa Tavares, até porque não sei se ele terá as competências e habilidades necessárias para exercer tal actividade artística.
Mas, um Presidente da República que, recorrentemente, comete gafes do género: “os cidadões que vivem em Portugal” ou “Nunca o fiz, nem façarei”, etc. etc. e não se demite é porque está gágá, ou choné, ou então não tem vergonha na cara.
Mas, meus senhores, vivemos em Portugal e só por isso é que continuamos a ter este Cavaco que nunca esteve à altura do(s) cargo(s) que ocupa(ou). Ele é, sem dúvida, o principal responsável pela maior tragicomédia a que alguma vez assistimos em tempos de democracia.

Não lhe chamo palhaço mas peço-lhe encarecidamente: - Cavaco, vá para Boliqueime! Vá tratar das couves que é coisa que provavelmente “façará” muito melhor... 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXVII)

Zeferino chegou a Bordéus cansadíssimo. Despediu-se, agradecendo a boleia ao motorista Ricard e ao pai de Lille e foi caminhando, de mochila às costa, pelo centro da cidade, até que se sentou num dos bancos do Jardin Botanique, mesmo em frente da Bibliothèque du Jardin Public e do Muséum d'Histoire Naturelle de Bordeaux e muito perto do Rio Garonne.
Entretanto, já deitado ao comprido no banco, uma rapariga veio ao seu encontro e disse-lhe: - Olá, estás à procura de sítio para ficar? Conheço um sítio muito barato onde poderás descansar muito melhor do que aqui neste banco.
Apesar de não ter planeado tal coisa, decidiu aproveitar a ocasião e respondeu: - Sim, por favor.
Depois de entrar no pequeno quarto, que não ficava muito longe dali, deitou-se na cama e adormeceu de imediato.
Acordou inesperadamente muito antes do que esperara tendo em conta aquilo que o corpo lhe pedira antes de adormecer profundamente.
Ainda sentia a cabeça pesada da jornada anterior (mais de 24 horas sem dormir) e voltou-se demoradamente para o outro lado sentindo o corpo dorido sobre a lisura dos lençóis. Tornou a fechar os olhos voltando a abri-los lentamente numa fina faixa, apenas a linha que liga o sono ao despertar, por onde observava as lâminas de luz que das persianas traziam fatias quase imperceptíveis do dia para dentro do quarto.
Durante os minutos soltos da semi-vigilia, apontamentos vagos, meros fragmentos dos acontecimentos do dia anterior passaram-lhe diante dos olhos.
Rodou o corpo na cama, olhos novamente fechados, arrastando a lembrança incómoda da forma como deixou ir Emeralda e o desespero que então lhe havia tomado todo o ser quando se afastara a fugir e dos dias seguintes em que tudo fizera para dela se esquecer. Por tudo isso e já cansado, num salto em frente e para largar a fogueira de mágoas daquela paixão, se deixara ir com Luísa qual fantoche manobrado pelas mãos de Lille.

Levantou-se, subiu um pouco as persianas afogando em luz o quarto, remetendo os pensamentos para as fronteiras das memórias distantes … lá longe em Vila Flor. E pensou… pensou muito!
Pensou no seu professor de Inglês (que detestava) e que do alto da sua integridade moral, logo que soube do seu namoro com Lena se transformou em polícia fazendo-lhe uma perseguição implacável, quer no Colégio, quer fora dele. E que, a certa altura, teve o desplante de ir dizer ao pai dela que essa relação estava a ser muito prejudicial para ela, que a desconcentrava e que poderia vir a diminuir o rendimento escolar, que até aí tinha sido exemplar.
Pensou ainda no pai dela, que era também guarda nacional republicano (GNR), e recordou o dia em que veio ter com ele no momento em que se encontrava a conversar com um amigo na Avenida Marechal Gomes da Costa e lhe perguntou, num tom autoritário e agressivo:
- Ouve lá, parece que andas a namoriscar com a Lena, é verdade?
Zeferino, tentando aparentar muita calma respondeu-lhe: - e porque me pergunta a mim? Não é melhor perguntar-lhe directamente a ela?
- Olha! Olha-me este! Armado em esperto comigo, é!?
- Não Sr. Sousa, o que acho é que não devo ser eu a dizer-lhe. Deve conversar com a sua filha e ela com certeza dir-lhe-á a verdade! 
- Com ela já eu falei! E de que maneira! A ti só quero avisar-te que se porventura algum dia te encontrar com ela vou correr-te a pontapé! Ouviste? Perguntou com ar ameaçador enquanto o seu colega de patrulha sorria com ar cínico e zombeteiro.
- O senhor está a falar-me como pai dela ou como GNR? Perguntou-lhe Zeferino.
- Porquê?! 
- Porque se me está a ameaçar como cidadão e pai dela então terei de lhe responder e agir do mesmo modo; ao agente de autoridade não posso responder, embora o senhor, enquanto tal, também tenha a obrigação de ser correcto comigo.
É bom lembrar que estávamos no tempo da ditadura e num tempo político em que alguns agentes de autoridade, GNR e PSP, impunham a sua lei à base da força física, sem assegurar os direitos mínimos dos cidadãos.
Recordou ainda que depois desta conversa esteve sem ver e falar com a Lena durante uma semana. O pai dela bateu-lhe tanto e de tal maneira que ela teve que ficar em casa durante sete dias para recuperar dos hematomas e das dores físicas e psicológicas infligidas.
A partir dessa altura passaram a comunicar através das mensagens escritas num caderno de capas pretas, que deixavam entregue, em mão, ao Toninho proprietário da Papelaria Académica. O Toninho era cego mas muito amigo, confidente e conselheiro de Zeferino. Foi o único que o apoiou. Foi também o único a ver como esse namoro era puro e genuíno. Ele recebia o caderno de um e só o entregava ao outro, que por sua vez respondia à mensagem e o voltava a deixar.
Houve um período em que também se encontravam à noite, por volta das vinte e uma horas, quando a Lena vinha à porta de casa receber a Leiteira, que era uma senhora que andava com um cântaro de latão, de porta em porta, a vender leite de ovelha ao quartilho. Zeferino ficava escondido até ela medir o leite e depois de se ir embora lá ia ele namoriscar uns minutos, poucos, mas preciosos.
Numa dessas noites, já em pleno Inverno, estavam a conversar bem no interior do jardim da casa dela. No instante em que ela lhe dizia que fugiria com Zeferino de casa dos pais se ele quisesse e a levasse, o cão dela, o “Rápido”, começou a mexer muito o rabo e as orelhas, dando sinais claros de que o dono se aproximava.
- Foge! É o meu pai que está a chegar! Disse ela muito aflita.
- Mas para onde? Se fujo para o portão da casa até lá o teu pai pode entrar!
Então, sem outra alternativa, Zeferino entrou rapidamente para o galinheiro que tinham construído mesmo debaixo de uma grande cerejeira, enquanto ela se recolhia para dentro de casa. Escondeu-se num dos cantos mais escuros e fundos do galinheiro, mas de forma tão desastrada que algumas galinhas se assustaram e começaram a fazer barulho, batendo com as asas.
Tudo isto no momento em que o Sr. Sousa entrava pelo portão, se apercebia do barulho anormal vindo do galinheiro e dele se aproximava perigosamente!
Zeferino continuava encolhido, sujo, cheio de frio e.. de medo! O “Rápido”, com saudades do dono, a correr do galinheiro para o portão e do portão para o dono, distraindo-o mas não o impedindo de continuar o seu caminho até ao galinheiro para ver o que se passava.
Até que, talvez por influência da estrela polar, saiu de casa a mãe da Lena e o salvou da situação perigosa em que Zeferino se encontrava, berrando:
- Rápido! Que fazes? Pára! Deixa as galinhas em paz! E, virando-se para o marido exclamou admirada: Tu!? Então já vieste hoje? Pensei que o teu turno só acabava à meia-noite!
Logo que entraram para o interior da casa Zeferino saiu do galinheiro muito lentamente e com todo o cuidado para não assustar de novo as galinhas.
Zeferino recordou ainda a última noite em que esteve com Lena neste mesmo local. Os seus beijos sabiam a caldo verde! Mas sabiam tão bem! Enquanto ela lhe dizia: - Vês aquela estrela? A que brilha mais? Virando-lhe o rosto e o olhar para a estrela polar! É com ela que eu falo quando tu não vens ver-me.

De repente Zeferino acordou para a realidade regressando ao presente,  tomou um duche rápido e, esfomeado, saiu para a cidade…
(continua...)


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Isso é um disparate .... (!?!?!?????)


Enquanto via este vídeo apeteceu-me trautear (com raiva) esta canção interpretada pelo grande Carlos do Carmo: "Parecem bandos de pardais à solta, os putos, os putos..."
Mas logo de seguida uma voz me gritou cá de dentro: bando de pardais? (...) os putos? (...)  são mas é uma corja de ladrões... de aves de rapina, de aldrabões e... de... e de fdp!!!..." 
E pronto! Parei de trautear e apeteceu-me desabafar. 
Infelizmente fico com a sensação de que só desabafar já não chega... 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXVI)

Pois bem... a garota que mais o havia entusiasmado foi provavelmente a única de todas as pessoas daquela sala que não se sentou ao seu lado!
Na verdade nem sequer olhou para Zeferino durante todo esse tempo, o que o deixou, de certa forma, muito intrigado e algo angustiado. Como tinha que ir embora sentia que o tempo para a conhecer estava a passar e era limitado, como se de uma ampulheta se tratasse.
Quando a Lille finalmente chegou ele acabou por perceber que elas eram uma espécie de melhores amigas. Só nesse momento é que teve a oportunidade de a conhecer pois foi-lhe formalmente apresentada. Chamava-se Luísa e… era portuguesa!
A Lille bem tentou dizer-lhe, quando referiu a sua simpatia especial por portugueses, que tinha uma grande amiga portuguesa mas ele, despassarado como era, nem sequer a tinha ouvido com a devida atenção.
Nesse momento e de forma desinibida, porque entretanto já tinha bebido algumas cervejas, teve a oportunidade de lhe dizer que tinha estado a noite inteira à espera que ela viesse sentar-se na cadeira ao lado da sua para a poder cumprimentar e para lhe dizer que estava verdadeiramente encantado com o seu charme e com as boas sensações que ela lhe transmitia... mesmo de longe. 
Luísa, embora agradecendo simpaticamente os elogios, não gostou muito do rumo da conversa pois afastou-se de imediato o que deixou Zeferino desiludido, com um pequeno aperto no estômago e a pensar: - Agora é que está o "caldo entornado"... estraguei tudo, porra! 

Quando eram cinco da manhã pegou na mochila para se ir embora e começou a despedir-se dos poucos que ainda estavam presentes. A Luísa era uma delas e mostrou-se algo atónita. Ele explicou-lhe que estava na hora de seguir viagem e não queria perder a boleia prometida.
Ela, de forma verdadeiramente surpreendente para ele, ofereceu-se para o acompanhar até à esquina da rua Léopold-Thézard. 
E foi assim que teve, muito provavelmente, umas das melhores horas da sua ainda curta vida.
Nessa hora de vida tudo aconteceu de improviso e em turbilhão…
Antes de saírem Zeferino abraçou e beijou Lille, demonstrando-lhe toda a sua gratidão. Ela, com um enorme sorriso e um brilho matreiro nos olhos, respondeu-lhe que tinha sido um prazer e que se tratasse bem de Luísa no tempo que lhe restava da noite, então poderia considerar todas as contas saldadas. Ao dizer-lhe isso passou para a mão de Luísa um pequeno objecto (que ele não conseguiu identificar) dando simultaneamente um pequeno empurrou aos dois num sentido que não era propriamente a porta da rua.
Foi então conduzido para a garagem da moradia que ficava na cave. Aqui chegados, Luísa pegou no tal objecto dado por Lille e que era, nem mais nem menos, a chave da porta de acesso a um pequeno anexo para onde entraram. No interior deste havia um sofá verdadeiramente confortável onde se instalaram e se conheceram melhor… muito melhor! 

No fim, Zeferino olhou agradecido para ela e recitou-lhe:
“Senti-te aqui junto ao coração
e ajudaste-me a extinguir a solidão!
Mataste as saudades de outra pele também macia
 que me aqueceu num comboio e num belo dia…

Luísa sorriu com cara de quem não tinha percebido a verdadeira intenção desta mensagem. Ficou na dúvida se “aquilo” era um elogio, um lamento nostálgico ou um agradecimento.
Saíram e ela teve a gentileza de o levar, sempre de mão dada, ao local da boleia.
Ao despedirem-se projectaram voltar a encontrar-se, trocaram contactos e vários beijos.

Nunca mais se viram...
(continua...)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXV)

Zeferino passou a hora seguinte em completa solidão no meio de uma multidão de pessoas. À sua volta, todos se riam e conversavam. Toda a gente parecia feliz. De copos erguidos em brindes, e com os corpos rendidos ao toque mais íntimo de jovens encantados e apaixonados.
Levantou-se algo cobiçoso de todo esse ambiente e, reparando que ninguém reparava nele, pegou no seu copo e bebeu o seu conteúdo de uma só vez. Depois, e como que querendo vingar-se, pegou numa caneca enorme de cerveja acabada de pousar a seu lado no balcão e entornou-a para o seu até o encher completamente, saindo sorrateiramente para a rua sorrindo satisfeito consigo próprio da batotice acabada de cometer.
Lá fora estava uma noite fresca... Arrepiou-se, aconchegou a si a mochila e bebeu um trago da bebida fresca que de repente lhe transmitia uma estranha mas confortável sensação de calor.
Por uns instantes ficou imóvel a observar o copo de vidro embaciado, notando as gotas que escorriam entre aos seus dedos frios enquanto saboreava o último trago que levara aos lábios. Esse sabor a cerveja até há pouco tempo desconhecido e ao qual se habituara tão rapidamente. Mas o sabor da ausência é mais amargo e diferente do sabor da cevada que compõe a cerveja. Lembrou-se do tempo em que achava quase impossível manter uma relação com quem se conheceu num instante. Era para ele quase cruel pensar insistir em existir num espaço onde algo havia falhado por uma qualquer razão. As pessoas tinham de seguir em frente com as suas vidas, noutros rumos, em linhas afastadas. Pensava assim naquele instante e imaginou um pequeno poema olhando para o seu copo:

Trago-te na palma da mão
e sorvo-te só de um trago
sirvo-me de ti para esquecer
dás-me calor interior e por fora fico a tremer… ;-)

Sorriu de si mesmo e, de forma mais optimista, pensou: Há mais vida, haverá outras experiências e outras pessoas a quem querer bem sem ser necessário estar a vida inteira a fingir que não existem.
Levantou o copo e, apontando vagamente para um dos pontos cardeais, fez um brinde a essa que tinha "achado" num comboio e perdido assim tão rapidamente em Paris.
Foi andando um pouco sem destino, até que, e porque a solidão começava a pesar, acabou por consultar a morada escrita no papel e foi perguntando aos transeuntes qual a melhor direcção para aquela rua. E assim, passo a passo, casa a casa e rua a rua se foi aproximando da casa de Lille.
Aí chegado, tocou e perguntou por ela a um rapaz mais ou menos da sua idade que lhe abriu a porta. O jovem que era alto, mesmo muito alto e muito magro mandou-o entrar, ofereceu-lhe uma cerveja, fez-lhe algumas perguntas devido à sua pronúncia de estrangeiro e apresentou-o a alguns outros que deambulavam por ali. Ele, pelos vistos, também não conhecia todos os presentes. A Lille, entretanto, tinha ido a um sítio qualquer e ainda não tinha chegado.

Zeferino acabou por se sentar numa cadeira que tinha outra igualzinha mesmo ao seu lado, onde acabou por ficar quase uma hora. A cadeira ao lado da sua estava livre e, por isso, de vez em quando alguém se sentava ali e começava a falar com ele sem mais nem menos. Alguns, que não sabiam que ele era português, falavam de acontecimentos locais ou regionais, ao que ele respondia sempre da mesma forma, dizendo que não estava ao corrente de nada pois estava ali de passagem.
Durante esse tempo reparou numa garota que, por qualquer motivo, o interessou bastante. Não é que fosse especialmente bonita (a Lille, por exemplo, era muito mais atraente). Foi qualquer coisa daquelas que não se conseguem explicar, mas que faz com que de repente não se pense em mais nada senão em conhecer aquela pessoa. Como quase todos os presentes estavam a rodar pela cadeira junto da sua, decidiu ficar ali sentado à espera que chegasse a vez dela.

Dessa forma poderia meter conversa discretamente, com a justificação de que nem sequer tinha sido ele a ir ter com ela…
(continua...)

sábado, 22 de junho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXIV)

- “Bon, voie la... maintenant nous devons aller… Entra, entra e senta-te aí no banco de trás com a menina Branchard, que é a filha do meu patrão” - disse-lhe Ricard, com um tom de voz autoritário
Zeferino entrou, saudou a jovem loura e sentou-se nos estofos de pele que ainda cheiravam a novo. Ficou o mais longe e afastado possível com receio que a jovem desse conta do seu cheiro a suor.
Ricard, depois de colocar o seu boné de motorista, arrancou suavemente fazendo o sinal de pisca para a sua esquerda e deu entrada numa enorme avenida em direcção ao edifício do Palácio da Justiça de Poitiers.
A jovem apercebendo-se provavelmente do pouco à vontade de Zeferino, virou-se para ele com um ar sorridente e, num tom sereno e cativante, disse-lhe num francês académico e perfeito que lhe soou a música melódica:
- Vem, chega-te mais para cá, podes vir para ao pé de mim que eu não te mordo!
- Hummm, é precisamente por isso que não me aproximo mais - retorquiu ele, retribuindo o sorriso, nas encolhendo os ombros e mantendo-se à mesma distância.
E riram-se um para o outro mais pelo tom brejeiro da voz do que pelo conteúdo.
Zeferino porque, de facto, não se sentia suficientemente limpo naquele ambiente, que para ele era um luxo, deixou-se ficar no seu canto procurando relaxar. 
Sem se dar conta, e nem saber muito bem porquê, naquele preciso momento, os seus pensamentos afastaram-se daquele espaço e daquele tempo e embrenharam-se noutros. Naquele comboio que se dirigia a grande velocidade para Paris levando-o a si e a Emeralda. A sua expressão tornou-se mais leve, suave e descontraída, deixando subentender que o mundo onde o seu cérebro estava, para além de distante, era muito agradável e brilhante. Era como se estivesse num espaço e num tempo onde o afastamento fosse completamente anulado. Onde ambos estavam tão próximos que só a pele os mantinha afastados. Onde o toque da boca dela o tinha maravilhado e deixado completamente arrebatado. Num tempo que parecia ao mesmo tempo tão eterno e tão fugaz. Num espaço tão distante e tão afastado de si que parecia tender para o infinito. Mas mentalmente tudo tão próximo, tão forte e tão intenso.
Bruscamente regressou à realidade com o som aprazível da voz dela: 
Je suis Lille!
- Ããhh!? Êtes-vous Lille ou avez-vous vivre à Lille? Retorquiu ele um pouco atrapalhado.
- Non, non... mon nom est Lille - sorriu ela.
- Que curiosa coincidência! A minha mãe chama-se Laura e nasceu em... Lille!
- Oh..la...la, então a tua mãe é francesa. E vive cá?
- Não. Nasceu em Lille e viveu em Paris até aos 12 anos. Depois fugiu para Portugal com os meus avós quando os Alemães invadiram a França, durante a II Guerra Mundial. Por lá ficou, aprendeu a falar bem português, casou com o meu pai e… depois nasci eu. Por tudo isso, costumo dizer que devo a minha vida a um dos maiores loucos e assassinos da história mundial: Adolfo Hitler!
- Eheheheh. Tens piada e eu simpatizo com pessoas assim como tu engraçadas e também com portugueses
E pronto, foi assim que começou a conversa entre eles.
Ela era loira, tão loira e tão bem vestida quanto uma actriz de cinema consegue ser. Para além disso era bastante bonita e energética. Parecia muito inteligente também. Não demorou muito tempo a perceber que Zeferino andava à boleia não só porque teria pouco dinheiro mas também pela aventura e pela descoberta de si e do mundo que o rodeava.
Ele, confrontado com estas reflexões da parte dela não lhe custou admitir que sim. Que, não tendo muito dinheiro, podia fazer perfeitamente a viagem de regresso a Portugal de comboio, ou de camioneta, mas que preferiu fazê-lo deste modo para, no fundo, conhecer os seus próprios limites. 
Disse-lhe também que ia apanhar boleia  para Bordéus com Ricard às seis da manhã e, por isso, tinha de arranjar urgentemente onde dormir.
- Espera aí que eu trato disso se tu aceitares a minha proposta - disse ela. E, virando-se para Ricard: -deixa-nos em frente ao CIO, Centre de Information et d´Orientation e amanhã apanhas o Zeferino aqui na esquina da Rue Léopold-Thézard.
Depois de saírem do automóvel e de terem (re)confirmado a hora e o local com  Ricard, sentaram-se na esplanada de um café e, enquanto bebiam uma cerveja, ela aproveitou para o convidar para uma festa que ia dar em casa dela nessa mesma noite e que provavelmente só terminaria já de madrugada. Assim, poderia sair da festa e ir directamente para a esquina da Rue Léopold-Thézard onde apanharia a boleia sem precisar de alugar um quarto.
Quando acabou de beber a sua cerveja, de forma descontraída e confiante, ela disse-lhe: - Bom, agora tenho de ir. Fiquei de me encontrar ali para os lados do Palácio da Justiça com uns amigos antes de ir para a festa. 
Levantou-se da cadeira depois de ter escrito num papelinho a morada de sua casa e saiu, dizendo até já. 

Zeferino aceitou o papelinho com a morada escrita pensando que nunca na vida a iria procurar e, por conseguinte, despediu-se dela com um adeus, acreditando que, na verdade, nunca mais a veria...

(continua...)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXIII)

Nota prévia: 
Ao retomar este conto apresento também as minhas 
desculpas aos leitores mais assíduos por esta longa interrupção.  

Chegaram a Poitiers era já noite cerrada.
Zeferino ao avistar as primeiras casas da cidade vinha já cansado da viagem. Sentia-se desconfortável e sujo da transpiração que ocorreu pelo esforço que tinha feito em Tours. O empregado de M. Roland prometera-lhe que, se Zeferino o ajudasse a descarregar toda a mercadoria do camião, ele o levaria a Poitiers que é uma cidade situada mais a sudoeste de França. Nessa perspectiva Zeferino tinha aceitado essa proposta sem pensar no esforço que teria de despender para descarregar as “gaiolas" com frangos e patos, as latas e frascos de patê e uma quantidade enorme de caixas com ovos. A acrescentar a tudo isso, vinha também saturado, irritado mesmo, de ouvir durante toda a viagem a “grafonola” Jean Paul e a sua lenga-lenga de difícil entendimento, pelo seu sotaque estranho e, sobretudo, por falar muito depressa naquele calão regional.
Mas... Jean Paul era, no fundo, boa pessoa e conseguiu ao fim e ao cabo amenizar um pouco toda essa indisposição de Zeferino.
Quando já se despediam no final da viagem e, assim de repente, batendo violentamente com a mão direita na testa, virou-se para Zeferino e disse de forma impetuosa e no seu francês característico: "arret toi!" "comme je suis un imbécile! car je ne me souviens pas? voilá… mon ami et collègue Ricard”. “Espera aí um pouco... vou ver se o encontro e ele vai - de certeza - orientar-te aqui nesta cidade pelo menos até amanhã”. Saltou de rompante do camião deixando o atordoado Zeferino, mais uma vez, a aguardar o seu regresso.
Enquanto esperava ia reflectindo. Sentia-se algo receoso mas tentava arranjar coragem para enfrentar todas as dificuldades que lhe aparecessem.
De vez em quando olhava para o relógio detendo o olhar vagamente no saltar regular e constante do indicador dos segundos enquanto os outros ponteiros lhe pareciam permanentemente imóveis e embora tivesse olhado por várias vezes instintivamente para o mostrador não se havia compenetrado muito bem da hora.
Entretanto tentou concentrar-se em todo o meio envolvente para esquecer as suas preocupações interiores.
Deixou-se dominar pela forma como a presença prateada da Lua no céu e pela forma como o arrebatou. Considerou-a, naquele momento, um presente ou um espectáculo que lhe fora oferecido gratuitamente pela natureza. Retribuiu-lhe com um olhar fascinado esse prazer experimentado sem a interferência do "ruído" do seu interior e que o afastava do essencial ou de prestar atenção às coisas que verdadeiramente interessavam  e que, na realidade, entendia naquele preciso momento como um castigo.
Queria fugir das coisas que o impediam de sentir o lado bom da vida. Olhou de novo a Lua e "abraçou-a". Fechou os olhos e "sonhou" que era capaz de voar até à sua terra lá longe no Nordeste Transmontano. Pensou em Helena e questionou-se se, depois desta viagem e dos acontecimentos fascinantes ocorridos nestes dias de afastamento, seria capaz de continuar a amá-la. Por momentos sentiu-se só e isolado nesse local isolado de Poitiers e iluminado pelo luar.
De repente passou a sentir-se melhor. Um sentimento de bem estar e reconforto invadiu-o. Sentiu que pertencia a um universo harmonioso que o abraçava de volta quando lhe prestava homenagem com a sua atenção, com esse sinal da gratidão bem merecida por usufruir do dom que é a vida.
Prometeu nesse instante a si mesmo que no futuro, e ao longo da vida, em  cada novo dia que despontasse no horizonte e se despedisse da noite que iria voltar-se sempre para a Lua para a poder outra vez abraçar e agradecer a sua oferta generosa, o luar. O luar que naquele instante despertou uma força poderosa que nem sabia existir dentro dele e uma vontade de viver que só por si justificava que se tivesse alterado a sua má disposição inicial e o desconforto da viagem. Fez mais uma promessa: "ao Santuário de Fátima nunca irei em peregrinação mesmo que o meu GLORIOSO clube perca sempre mas não irei desperdiçar nunca a oportunidade de olhar a Lua".

Quando Zeferino já estava assim mais calmo e preparado para o que desse e viesse viu, de repente, sair de dentro de um novinho Citroen Boca de Sapo (DS 20), de cor preta, que brilhava ao reflectir a luz do luar e a luz dos candeeiros do passeio ali mesmo ao lado, Jean Paul e o seu colega e amigo Ricard. No interior do carro ficou uma jovem loira que lhe sorria.
Depois das apresentações e de ter retribuído ao “muito prazer em conhecer-te” e ao “com que então tu é que és o português que anda à boleia!”, Ricard deu-lhe a boa notícia: “tás com sorte, pá… se quiseres levo-te amanhã de manhã até Bordéus. Sou motorista e levo lá o meu patrão, que é um enólogo famoso e tem que estar lá bem cedo. Saímos às seis da manhã. Portanto só tens que arranjar onde dormir esta noite… 
(continua...)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

ACTA nº 3 (ou será ata?) - II

O G5, ou 5.come, é um grupo sui generis, sobre o qual permanentemente pairam dois fantasmas que o grupo não consegue esconjurar.  
Um desses “fantasmas” é uma dolorosa recordação desse amigo que muito cedo nos deixou e que incarnava a irreverência, a espontaneidade e a alegria dos momentos vividos em grupo, entre os amigos que muito prezava. 
O outro fantasma que ensombra o grupo, continua entre nós, mas ausente, deixando uma lacuna de que iremos falar mais tarde. Mas primeiro caraterizemos um pouco melhor o G5. 
Na sua constituição atual o grupo reúne um naipe de bem-casados, certinhos, cumpridores rigorosos de várias regras (a começar na pontualidade. Não falemos das outras, que são matéria “reservosa”).
O futebol é, naturalmente, um dos pontos obrigatórios de conversa. Tanto mais picante quanto existe um ceguinho onde todos malham com pouca dó e sem muita piedade. É verdade ou não, ó Bernardino? Depois do limpinho/sujinho, o SLB (e o seu vice-presidente, o EM da TV) acabou “enrabadinho” por aquele a quem chamou tolinho. Toma lá que é para aprenderes e para não falares antes do tempo!     
Voltando à vaca fria (já me esquecia de dizer que o Jorge aproveitou para ir ao talho Serrano abastecer-se da saborosa vitela arouquesa) o grupo também fala muito de política, mas no sentido nobre da palavra. Nada de partidarites. Fala-se dos profundos problemas do país e do mundo, das causas e das consequências das desgraças que nos estão a acontecer. Às vezes até dá para apontar soluções. Se os governantes nos ouvem ainda as vão querer aplicar sem pagar direitos de autor. Ladrões! A religião é tema que, não sendo tabu, não aparece normalmente no cardápio do grupo. A gastronomia é um dos temas prediletos, muito mais na vertente aplicada que no mero patuá, que neste caso não leva mesmo a lado nenhum. 
Ao contrário dos temas habituais de conversa em grupos congéneres, ninguém fala em pombas (tema ultrapassado e arredado deste grupo por razões sociológicas que se compreendem). 
Resta um tema fundamental e “obrigatório” em tertúlias onde só entram machos: falar de gajas boas, de aventuras, usando o vernáculo a sério e contando aqueles episódios mais sórdidos. Salva-se o Bernardino, que por vezes ousa explorar o tema, mas com a elegância de um verdadeiro cavalheiro e usando a pena de um verdadeiro escritor. Conclusões: o grupo é constituído por bons rapazes, honrados, respeitadores. A este respeito recomenda-se a releitura da ata n.º 1, elaborada por ocasião da visita a ponte de Lima. 
Bom, mas lá no fundo o grupo sente a falta de alguém que agite um bocado essas águas. Daí pairar o fantasma do “outro”, que recorrentemente vem à baila. Toda a gente sabe de quem estou a falar. 
Depois desta profunda análise, voltemos a coisas mais comezinhas (comezinhas de comer, embora as gajas também sejam, mas noutro sentido).
No ano 2012 o grupo fez as seguintes incursões/excursões na área da gastronomia:
1 - Em março – leitão da Bairrada
2 - 30 de Agosto – viagem ao nordeste, com almoço no Lagar
3 - 2 de outubro – viagem à Galiza, com mariscada no Grove
4 - 21 de novembro – sarrabulhada na Cinda, em Ponte de Lima
5 - 12 de dezembro – salto ao Porto para comer um pernil no Antunes.

O ano 2013 começou sob bons auspícios, com o grupo a marcar pontos e a atingir muito mais cedo a marca do ano anterior:
1 - março – bacalhau na brasa no Forninho, em Nogueira da Regedoura
2 - 21 de maio – vitela Arouquesa, no Parlamento, em Arouca.

Estamos já com um avanço de 3 meses. Vamos no bom caminho e cheios de vontade de, no mínimo, igualar a performance do ano anterior. Mas nada de fiar. Ainda falta muito para o fim do campeonato. Não podemos facilitar e adormecer à sombra dos louros já conquistados. Temos de tomar muita atenção que a performance do segundo semestre do ano passado foi emocionante, cumprindo-se uma agenda muito bem recheada em termos qualitativos e marcando muitos pontos. Não nos podemos distrair e dar abébias como o SLB, que caiu quando já cantava vitória após a visita à Madeira. Exige-se concentração máxima, até ao fim do nosso campeonato e até este estar efetivamente ganho. Toca a amealhar pontos o mais cedo possível. Cumpre-me o dever de alertar. Depois não digam que eu não avisei. 
Mas a quem é que eu já ouvi isto? Não há dúvida que são sábias palavras. Só podem ter sido proferidas por alguém muito importante e muito sábio. Quero por isso imitá-lo.

Valadares, 21 de maio de 2013


terça-feira, 11 de junho de 2013

ACTA nº 3 (ou será ata?) - I

Crónica de
  Alexandre Ribeiro

Aos 21 dias do mês de maio de 2013 teve lugar mais uma reunião do Grupo dos 5.Come.
Como o costume ninguém faltou à chamada, nem sequer se atrasou. Muito antes da hora marcada (11 horas), o Mota e o Rogério, os mais apressados para estas coisas, já estavam no Penedo à espera dos restantes elementos. Apareceu o Alexandre, surge depois o Jorge no seu resplandecente Mercedes e chamou-se então o Bernardino (que estava distraído a tomar café) aos gritos de Pooooooorto, do meio da rua. Ele percebeu logo que era para ele. Contra todas as previsões, não trazia o seu famoso boné de retalhos, antes um boné discreto, mas igualmente elegante. 
Entraram para o carro do Rogério (um “vulgar” BMW), e arrancaram para Arouca, tendo como destino o Parlamento, que o amigo Edgar assegurou que era muito mais interessante que o de Lisboa. Para aquecer os motores entrou-se logo em fricção com o Bernardino, naturalmente o "bombo da festa", depois da vitória do Porto no campeonato. O objetivo era arrumar o assunto no começo da viagem, para depois não se perturbar o repasto e a digestão. O objetivo não foi integralmente cumprido, pois em toda a tarde, a espaços, iam surgindo umas farpas avulsas e bem intencionadas, que o Bernardino procurava rechaçar, mas com um escudo protetor muito frágil, ou não estivesse o SLB na mó de baixo e o FCP, como vem sendo hábito, a mijar de cima da burra, depois de levar a melhor sobre o eterno rival, após um emocionante sprint ganho mesmo em cima da meta.
A viagem decorreu sem incidentes e ainda não era meio-dia e já estávamos no destino. Uma visita rápida, mas imprescindível, ao vetusto convento, onde jazem os restos mortais da Infanta D. Mafalda. Cumprido depois o ritual do café, numa agradável esplanada, seguimos para o dito Parlamento. Não havia ninguém nas galerias a cantar uma Grandolada aos presentes. Mas o mestre de cerimónias fez jus ao lugar. Começou por nos colocar numa mesa que em princípio estava reservada para algum graúdo lá do sítio. Entretanto noutro canto da sala sentava-se um “primo” do Kelvin, catatuado (espécie de catatua com tatuagem), possivelmente uma das vedetas do clube da terra, recém-promovido a primodivisionário, com todo o mérito. Para já são credores de toda a simpatia, esperando-se (com pouca fé) que venham a roubar pontos ao clube certo.  
Começamos por atacar na broa e pãozinho de mistura com azeitonas, a que se seguiu uma espetada de enchidos da região e uma salada mista, como preparativo para o que aí vinha. E o que apareceu foi nada mais nada menos que a célebre vitela arouquesa. Primeiro assada no forno, com arroz, batata e legumes. Depois em saborosos nacos mal passados, acompanhada de arroz de feijão, tão malandrinho quanto gostoso. Para terminar o repasto vieram os inevitáveis doces (conventuais) e fruta laminada. 
Não há dúvida que este Parlamento merece uma visita. 
Numa curta visita à vila foi muito agradável constatar o asseio, a harmonia arquitetónica, o parque habitacional bem cuidado, o belo jardim de visitas ao centro da vila. Após o café o Jorge quis ir à pastelaria comprar “charutos” (um doce que é especialidade da terra), enquanto os outros, não fumadores, optaram pelo pão-de-ló de Arouca, e o Bernardino ficava-se pela pedras parideiras. 
O regresso a penates ocorreu sem qualquer percalço e ainda não eram 5 horas e o Rogério já tinha acabado a entrega ao domicílio.

Relatados e registados em ata os reais acontecimentos que ficam gravados para memória futura, passemos a outro tema. Nem só de acontecimentos reais vive o grupo. Os não acontecimentos são igualmente muito importantes, merecendo por isso uma análise psicossociológica, que aqui se tentará fazer de forma rudimentar, face à falta de instrumentos científicos de análise e insuficiência de curriculum técnico nessas matérias. 
(cont.)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Beatles - Um filme inédito - Get Back

Obrigado amigo RC por me teres enviado esta pequena maravilha. 
Que aqui deixo, na íntegra e para memória futura.

Atenção: isto é uma relíquia dos anos 60! Não é para quem tem 60 anos, ou para quem anda lá perto: é dos anos 60... e é para todos!

Vale a pena... desfrutem...

Não sei se sabem a história: dizem que a letra dessa música, que manda alguém voltar para o lugar de onde veio, foi escrita pelo Paul Mc Cartney em 'homenagem' à Yoko Ono. O vídeo mostra a gravação em estúdio e as trocas de olhares entre as personagens são muito interessantes.
Para quem «curte» um pouco de estória e de história (por que não?).
Esse vídeo foi achado nos escombros da antiga gravadora dos Beatles (Abbey Road Studios) e mostra uma sessão de gravação de uma famosa música dos Beatles (GET BACK), já no crepúsculo do grupo.

Mais histórico ainda: vêem-se dois artistas individuais na gravação, hoje consagrados: Participando como keyboard das gravações, o grande pianista negro americano Billy Preston (que, posteriormente, faria uma carreira a solo brilhante); e assistindo (pasmem!) à gravação - lá pela altura do minuto 02:11 - o líder de um grupo que já começava a fazer sucesso como substituto natural dos Beatles,  Mick Jagger!


segunda-feira, 3 de junho de 2013

sábado, 1 de junho de 2013

O telefonema...

Nota prévia: 
Para começarmos com boa disposição o mês de Junho 
deixo aqui esta anedota tal como me foi contada. 
 :-) 
Um homem liga para casa depois de mais um dia de trabalho para saber o que é o jantar.
- Estou? - diz uma 
vozinha de criança.
- Olá, querida, é o Papá. A Mamã está perto do telefone?
- Não, Papá. Ela está lá em cima no quarto com o tio Nando.
Depois de alguns segundos, o tipo diz:
- Mas querida, não tens nenhum tio chamado Nando!!
- Tenho sim! E ele está lá em cima no quarto com a Mamã.
- Está bem, então. Quero que faças o seguinte: Sobe a correr as escadas,  bate na porta do quarto e grita para a Mamã e para o tio Nando que o meu carro acabou de parar em frente a casa.
- Está bem, Papá.

Alguns minutos depois, volta a miúda:
- Bem, eu fiz o que me disseste, Papá.
- E então?
- Bem, a Mamã pulou da cama nua e começou a correr pelo quarto a gritar, tropeçou no tapete e caiu pelas escadas abaixo...
- Oh, meu Deus! E o Tio Nando???
- Ele saltou da cama nu e estava muito assustado. Então pulou pela janela do fundo para dentro da piscina, mas ele deve ter-se esquecido que tinhas esvaziado a piscina na semana passada para limpar, e bateu com a cabeça no fundo da piscina, e não me parece estar nada bem...

Uma longa pausa e o homem diz:
- Piscina ??? Por acaso o telefone daí é 21542687?
- Não.
- Tu não te chamas Vanessa?
- Não.
- Ah! Desculpa, foi engano...