Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.
Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
sábado, 26 de outubro de 2013
De bancário a banqueiro…
Falemos então de Armando Vara, essa inextinguível figura do socratismo.
Da biografia de Vara pode extrair-se que nasceu em Lagarelhos,
Vilar
de Ossos, Vinhais, a 27 de Março de 1954.
Foi(!) administrador bancário e político. Estudou(?)
Filosofia
na Universidade Nova de Lisboa, tendo
abandonado a universidade sem obter o diploma de licenciatura. Em 2004, antes
de ter qualquer licenciatura, obteve (!!!) um diploma de Pós-Graduação em Gestão
Empresarial no ISCTE. Mais tarde obteve o diploma de licenciatura no Curso de
Relações Internacionais na agora defunta Universidade Independente, três dias
antes da sua nomeação para a Administração da Caixa Geral de Depósitos.
Um mês e meio depois de ter abandonado a Caixa Geral de
Depósitos para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Português, foi
promovido(!) no banco público ao escalão máximo de vencimento, o nível 18, o que
terá reflexos para efeitos de reforma.
Actualmente recebe do estado (de todos nós… mesmo dos
aposentados como eu) uma subvenção vitalícia mensal!!!
Pessoalmente, considero Armando Vara um dos casos paradigmáticos de maior sucesso do Governo de José Sócrates, que - pasme-se - conseguiu transformar um bancário local (Balcão da Caixa Geral de Depósitos de Mogadouro) num banqueiro de sucesso nacional.
Armando Vara que, no âmbito do processo Face Oculta, do qual
é (ou foi) o principal arguido, garantiu que as únicas prendas que recebeu de Manuel
Godinho foi um Pão-de-Ló e uma caixa de Robalos. Não consegue, no entanto - coitado - livrar-se da
justiça que, noutro espaço de jurisdição, investiga de onde vieram os 800 mil euros da diferença entre os rendimentos auferidos e o dinheiro que entrou nas suas contas bancárias, em 2008 e 2009.
São 800 mil euros não declarados ao Estado que o podem levar a responder pelos crimes de fraude fiscal e
branqueamento de capitais, na sequência de uma certidão já extraída do processo
principal e cuja investigação foi entregue ao DIAP de Lisboa.
Entretanto, na imagem, Vara surge em pose contemplativa, quando ainda era
dirigente do BCP.
No fundo, bem lá no fundo, Vara só está a olhar para mais um
banco – a sua inquestionável especialidade. Neste caso, é o banco ou a cadeira
em que se sentava... Bárbara Guimarães.
Armando, enfim, não passa
de uma figura (um cromo) que ilustra bem o estilo dos políticos que têm desgovernado este País...
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
General Ramalho Eanes...
Ramalho Eanes, perante as dificuldades financeiras da
Presidência da República, vendeu... sim, VENDEU A SUA PRÓPRIA CASA DE FÉRIAS, na Costa da Caparica, para pagar os
custos inerentes à Presidência da República... ou seja, custos que deveriam ser
suportados pelo Estado... Mais, não tendo, efectivamente a Presidência fundos
suficientes, Ramalho Eanes mandou virar dois fatos (na altura ainda se usava
recompor e remendar a roupa...), sendo que o alfaiate (do Norte) lhe ofereceu
tecido para lhe fazer outros dois... Pois... Ramalho Eanes não usava Armani...
Quando pretendia falar ou aconselhar-se com alguém, convidava-o não para
jantar, mas para tomar chá no fim do jantar para evitar custos desnecessários
ao Estado... Consta até que lhe terão oferecido acções da SLN-BPN, mas
recusou...
Mas mais, muito mais...
Aquando do seu segundo mandato presidencial, Ramalho Eanes
foi confrontado com a aprovação, pela Assembleia da República, de uma lei,
especialmente criada com a intenção de lesar os seus legítimos interesses. De
facto, a chamada lei ad hominem (a
lei para aquele homem), foi criada para evitar que o General Ramalho Eanes
viesse a acumular o seu salário de Presidente da República com "quaisquer
pensões de reforma ou sobrevivência que auferiam do Estado", isto é, com a
sua pensão de General 4 estrelas. Mas, Ramalho Eanes não obstante estar
consciente da intenção dolosa desta lei soarista e
das suas implicações na sua futura reforma, não hesitou em promulgá-la. E,
quando concluiu o mandato presidencial, Eanes optou pela sua reforma enquanto
Presidente, por serem estas as suas últimas funções, prescindindo da sua
reforma enquanto General de 4 estrelas... Anos depois, após parecer do Provedor
de Justiça, Nascimento Rodrigues, segundo o qual todos os Presidentes deviam
ser tratados de igual forma, a referida lei foi revista por iniciativa de José
Sócrates. E, não obstante, poder ser ressarcido dos retroactivos que lhe eram devidos
e que se cifram a 1300 milhões de euros, Ramalho Eanes recusou recebê-los!
Ramalho Eanes é, portanto, um exemplo a seguir... E, por
isso mesmo, lhe dou cinco das suas estrelas!
É o único que merece todos os privilégios por ter sido
Presidente da Republica!
Bem haja General...
Nota 1:
Este texto não é meu, mas deixo-o aqui mesmo assim porque explica, de certa forma, a razão pela qual aderi naquele tempo ao sonhador e idílico (neste País de políticos mentirosos e corruptos) Partido Renovador Democrático.
Nota 2: E... como ninguém é perfeito :-) ele é adepto do FCP... carago!
Nota 2: E... como ninguém é perfeito :-) ele é adepto do FCP... carago!
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Obrigado Troika!!!!????
Depois de uma noite mal passada a tentar resolver problemas de acessibilidade ao blogue por conteúdo inserido numa página de distribuição de programas maliciosos, nada melhor do que me distrair vendo e ouvindo este engraçado (mas muito bem feito) vídeo.
Nota: Ainda gostava de saber quem tentou instalar malwares no meu computador através deste blogue. Que mal é que eu fiz?? E a quem????
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Agnóstico praticante me confesso…
Como bem percebeu quem leu o último post sou de facto um
agnóstico praticante.
Não acredito em nenhuma das religiões inventadas pelo homem
e para o homem. Na verdade eu acho que a religião é uma das armas mais poderosas
e perigosas.
Sem ter que recordar o que aconteceu no tempo da Inquisição,
basta-me constactar o que vai acontecendo, ainda hoje, por esse Mundo fora,
especialmente no mundo árabe e islamita, para comprovar que a Religião, seja
ela qual for, quando levada ao extremo e de forma fundamentalista, é a arma de demolir
mais perfeita que o homem criou.
Esta arma destrói o corpo, o alento e a paz interior.
Esta arma destrói o corpo, o alento e a paz interior.
Eu acredito sobretudo nas pessoas.
Em algumas pessoas que por vezes se confundem com aqueles
personagens mitológicos que tanto me fascinaram na minha infância e adolescência... as Musas. Essas pessoas
transmitem-me uma boa onda e são capazes
de extrair de mim aquilo que de bom também ainda vou tendo. Se fosse um artista de
certeza que me dariam todo o talento e inspiração.
Essas pessoas nasceram com um talento especial para a criação e
activação do talento e da sensibilidade de quem as rodeia, ao mesmo tempo que
provocam uma enxurrada de ideias e de sentimentos com um ligeiro movimento de
pálpebras, ou um sorriso insinuante...
Acredito também na natureza.
É reconfortante fazermos uma corridinha à beira mar, sentindo
a brisa fresca no rosto, sob um sol brilhante e o azul do céu.
Ou no campo fazermos um qualquer percurso numa atitude descontraída, aproveitando a
oportunidade para olharmos para as árvores com seus ramos e folhas oscilando ao vento
num sussurro agradável e apreciarmos as flores e a sua beleza natural.
Em qualquer destes casos o corpo sente-se desafogado, rejuvenescido, e a mente fresca e enlevada…
Em qualquer destes casos o corpo sente-se desafogado, rejuvenescido, e a mente fresca e enlevada…
sábado, 19 de outubro de 2013
Reumatismo...
- Padre,
perdoe-me porque pequei (voz feminina)
- Diga-me
filha - quais são os seus pecados?
- Padre, o demónio
da tentação apoderou-se de mim, pobre pecadora.
- Como é
isso filha?
- É que
quando falo com um homem, tenho sensações no corpo que não sei descrever...
- Filha,
apesar de padre, eu também sou um homem...
- Sim,
padre, por isso vim confessar-me consigo.
- Bem filha,
como são essas sensações?
- Não sei
bem como explicá-las - neste momento meu corpo recusa-se a ficar de joelhos
e... necessito ficar mais à vontade.
- A sério??
- Sim,
desejo relaxar - o melhor seria deitar-me...
- Filha,
deitada como?
- De costas
para o piso, até que passe a tensão...
- E que
mais?
- É como um
sofrimento que não encontro palavras.
- Continua minha filha.
- Talvez um
pouco de calor me alivie...
- Calor?
- Calor
padre, calor humano, que leve alívio ao meu padecer...
- E com que
frequência é essa tentação?
- Permanente
padre. Por exemplo, neste momento imagino as suas mãos na minha pele...
- Filha?!
- Sim padre,
sinto necessidade de que alguém forte me estreite em seus braços
e me dê o alívio de que necessito...
- Por
exemplo, eu?
- Sim padre.
- Perdoe-me
minha filha, mas preciso saber a sua idade...
- Setenta e
quatro, padre.
- Filha, vá em paz que o seu problema é reumatismo...
Esta pequena historieta, assim "apimentada", ilustra um pouco daquilo que penso da "sagrada" confissão que se pratica na religião católica apostólica romana.
De facto, nunca consegui compreender (por muito que me explicassem) como alguém consegue obter a redenção dos seus pecados, e consequente paz de alma, através do acto da confissão e da penitência aí aplicada. Se conseguisse expressar a minha primeira (e única) experiência, ainda muito jovem e imaturo, teria de falar arrebatadamente na ansiedade que senti antes da confissão, da consternação durante o acto e do desalento carregado de medo que o seguiram.
Em contrapartida, conseguia obter de forma espontânea e natural, a tal paz interior ouvindo a chuva cair antes de adormecer, olhando simplesmente para o pôr-do-sol, apreciando o brilho da Lua e do Céu estrelado, ou vendo e ouvindo as ondas do mar a espraiarem-se na areia...
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
A dúvida
Nota:
Encontrei esta dúvida perdida no baú onde guardo alguns dos meus pensamentos.
O despacho de aposentação de facto já chegou. Deixo, ainda assim, com algum atraso esta dúvida que é também uma suplica e que demonstra a minha vontade em sair rapidamente de um sistema com o qual já não me revejo.
As "dúvidas" não matam mas moem...
terça-feira, 15 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
sábado, 12 de outubro de 2013
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Os dois lobos...
"- Existe uma batalha que toda a gente tem que travar dentro
de si. Essa batalha dentro de nós é entre dois lobos.
- Um é mau. É a cólera, a inveja, o ciúme, a amargura, o
desgosto, o arrependimento, a cobiça, a arrogância, a lamentação, a culpa, o
ressentimento, a inferioridade, a mentira, a vaidade, a soberba, o complexo de
superioridade e o egoísmo.
- O outro é bom. É a alegria, a paz, o amor, a esperança, a
serenidade, a humildade, a bondade, a benevolência, a empatia, a generosidade,
a verdade, a compaixão e a confiança.
Quem assim falava era o velho Chefe Índio, sentado numa magnífica pele de urso, aspirando pausadamente o fumo do antigo cachimbo. A ouvi-lo extasiado estava um jovem pele vermelha, seu neto, que aproveitou a pausa na narrativa para perguntar:
- Qual dos lobos vence?
O velho índio respondeu simplesmente:
- Aquele que alimentares."
Um velho amigo enviou-me por e-mail esta linda história.
Normalmente seria reenviada para alguns dos meus amigos, sem prestar mais atenção. Mas, talvez
por me encontrar imbuído de um certo espírito introspectivo, aproveitei para reflectir sobre as lutas que se desenrolam no meu interior e tentar
identificar qual dos lobos eu alimento mais.
Convido quem me visitar neste blogue a fazer o mesmo.
Pela parte que me toca, confesso que a luta entre as
minhas feras ainda não terminou porque a alimentação que lhes lanço tem sido
abocanhada ora por um, ora por outro.
Mas o que eu quero que vença é, sem dúvida, o lobo bom. E há-de vencer. Tem que vencer. Disso estou seguro...
sábado, 5 de outubro de 2013
Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXXV e último)
Estava a trincar, alternadamente,
uma maçã que segurava na mão esquerda e um pedaço de queijo Camenbert que tinha na
mão direita quando uma carrinha de caixa fechada parou mesmo à sua frente. Saíram de lá um homem de bata branca e uma mulher de avental e lenço também
brancos. Contornaram a carrinha cada um do seu lado, abriram em equipa a porta traseira que abria e fechava em forma de livro e
retiraram do seu interior um cesto de pães enormes com a côdea tostada e estaladiça. Entraram pela porta principal da estação e reapareceram passados alguns
minutos. Ele, calmamente, a sacudir as mãos da farinha. Ela esbaforida e a
berrar pelo facto de mais uma vez ele ter vendido fiado.
Quando
Zeferino lhes pediu boleia o homem, a quem a mulher chamava de
Zequinha, aproveitou o pretexto para acabar com a discussão perguntando-lhe
para onde queria viajar. - Está
bem, levo-te até Moncorvo se não te importares de fazer duas paragens connosco, uma
em Carviçais e outra no Larinho, enquanto vamos distribuir o resto do
pão.
Zeferino acomodou-se
então no único banco disponível do furgão entre sacos vazios, amarrotados e
sujos de farinha. Assim, no seu canto, e à medida que a viagem ia
decorrendo, pensava para si que qualquer semelhança entre aquela estrada
esburacada, sem separadores centrais, que se serpenteava entre sobreiros,
amendoeiras e pinheiros bravos e as modernas estradas de França era uma pura
coincidência. Aqui parecia que não circulavam veículos fabricados neste século.
A maioria eram camiões, carros velhos, “chaços” que se envolviam numa nuvem de
fumo e pó e que produziam um barulho ensurdecedor. O mais curioso é que só
agora no regresso a Portugal é que Zeferino se dava conta destes pormenores e os interiorizava desta maneira.
Também em si próprio
notava que muita coisa havia mudado. De facto, logo que deu os primeiros passos
em Barca d´Alva, sentiu que já não era o mesmo e que tinha regressado mais
adulto, mais inspirado e virado para uma vida mais ampla e global… com uma
visão mais pragmática e realista do mundo e, em consequência, melhor preparado
para ultrapassar esse que seria sem dúvida um dos piores períodos
que teve de percorrer e viver enquanto jovem ainda adolescente e, sobretudo,
enquanto estudante.
Vinha também mais armado sob o ponto de vista psicológico e moral
para superar essa “crise” da adolescência
e alguns dos episódios que viveu nessa época e que sentiu de forma intensa,
quase dramática.
Sentiu
sobretudo que esta também tinha sido uma viagem ao interior de si mesmo e, ao
fazê-la, pode analisar todos os aspectos da sua vida com a mesma visão e viver consigo
próprio com maior honestidade, sem receios, nem medos, nem preconceitos. Esta
viagem ao interior do seu âmago assim dessa forma tão saudável permitiu-lhe
enfim uma melhor aceitação de si mesmo e melhorar o seu auto conceito e auto
estima.
Prometeu a si
próprio que nunca mais iria ter um fracasso nos seus estudos. Iria estudar e
aplicar-se como nunca o tinha feito até aí. Nunca mais iria reprovar em
qualquer exame que tivesse de fazer como, infelizmente, já lhe tinha acontecido
em duas situações anteriores. Assim, com esta auto confiança adquirida nunca
mais iria baixar os braços e não deixaria que as dificuldades dessem cabo
da sua alegria de viver.
Habituar-se-ia a não gastar os seus dias com queixas e
lamentações e (re)aprenderia a viver sem algumas das coisas a que achava que
tinha direito e, entretanto, lhe foram retiradas, ganhando com isso a
possibilidade de desfrutar de outras ainda com mais potencialidades.
Aprenderia ainda a olhar para as pessoas, para os objectos, para
os sítios, para os acontecimentos, com outros olhos, com outro sentido de
descoberta.
Prometeu ainda a
si próprio que, porventura, deste período negro sairia mais forte e com mais
capacidade de conseguir ver o lado positivo da vida mesmo quando tudo parecesse
cinzento e nublado.
Assim imbuído
nestes pensamentos mal se deu conta da viagem e quando deu por si já estava em
Moncorvo.
No centro desta
bela localidade de Trás-os-Montes, mesmo em frente à Câmara Municipal, e com
surpresa, viu um carro aí estacionado que conhecia muito bem, o Nissan 240Z,
novinho em folha, do Dr. Silva, veterinário de Vila Flor e seu professor de
Geografia no Colégio de Santa Luzia. – Viva!
Já está! Já tenho boleia até casa. Agora é só esperar que o Dr. Silva regresse
ao seu carro, pensou com regozijo.
O Dr. Silva chegou,
deu-lhe de imediato boleia mas ralhou-lhe por ter faltado às aulas durante a
primeira semana desse terceiro período. Só ficou mais calmo depois de Zeferino lhe ter contado que durante os primeiros três dias dessa semana tinha estado a cumprir o tal
castigo aplicado pelo Padre Cassiano e - sobretudo - as circunstâncias injustas que o motivaram. Depois de ter perguntado se tinha sido mesmo assim que tudo se tinha passado acreditou e pareceu até ter ficado solidário com Zeferino. Fizeram os vinte e cinco quilómetros que separam Moncorvo de Vila Flor de forma muito agradável, bem dispostos e a rirem-se das
peripécias ocorridas durante a viagem e que Zeferino foi relatando com prazer.
Alguém disse que a
vida é uma viagem a três estações: acção, experiência e recordação.
Zeferino podia afirmar com toda a certeza de que esta tinha sido a viagem da
sua vida em que não faltou nenhuma dessas estações…
FIM
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXXIV)
Já perto da fronteira de Barca D´Alva, mais precisamente em La Fuente de San Esteban, Zeferino acordou lentamente e, ainda estremunhado, olhou através da enorme janela para o exterior do comboio e pensou: quem disse que "quem olha para fora sonha e quem olha para dentro acorda" tinha toda a razão.
Este pensamento veio-lhe à mente provavelmente por duas razões que no momento o impressionavam e agitavam os seus sentimentos mais profundos.
Por um lado, devido à bela obra de engenharia que liga de caminho de ferro esta localidade espanhola a Portugal e que desfrutava e admirava à medida que ia olhando para fora.
De facto, estes últimos 77 Km de linha permitiam-lhe apreciar cenários e paisagens verdadeiramente impressionantes por um traçado quase impossível de imaginar. Calculava que devia ter sido necessário um enorme engenho humano para construir 20 túneis e 13 pontes por entre graníticas e imponentes montanhas, num trabalho de dimensão faraónica que durou 12 anos, perfurando-se montanhas e unindo-se encostas, tudo para permitir vencer o isolamento secular das terras da província espanhola de Salamanca, permitindo desta forma que as mercadorias transportadas pudessem escoar os seus produtos, por mar, na cidade do Porto.
Por outro lado, porque quase no final desta inesquecível viagem, Zeferino ao olhar para dentro de si próprio, sentia-se confuso e com sentimentos ambivalentes. Ao mesmo tempo que sentia um certo mal estar (devido talvez a sentimentos de culpa) começou também a sentir saudades de Helena, como que acordando.
Não sabia bem porquê mas à medida que mais se aproximava de Vila Flor mais saudades tinha. Já não a via há cerca de quinze dias mas parecia-lhe que a ausência durava há quinze anos. Na verdade, não fazia a mínima ideia se ainda continuariam a ser namorados depois de todas estas súbitas e apaixonantes experiências. Nestas duas semanas perdeu-lhe totalmente o rasto e nem sequer ocupou muito a sua mente e os seus pensamentos. Parecia-lhe que vivia num mundo lá longe, distante e inatingível.
Este pensamento veio-lhe à mente provavelmente por duas razões que no momento o impressionavam e agitavam os seus sentimentos mais profundos.
De facto, estes últimos 77 Km de linha permitiam-lhe apreciar cenários e paisagens verdadeiramente impressionantes por um traçado quase impossível de imaginar. Calculava que devia ter sido necessário um enorme engenho humano para construir 20 túneis e 13 pontes por entre graníticas e imponentes montanhas, num trabalho de dimensão faraónica que durou 12 anos, perfurando-se montanhas e unindo-se encostas, tudo para permitir vencer o isolamento secular das terras da província espanhola de Salamanca, permitindo desta forma que as mercadorias transportadas pudessem escoar os seus produtos, por mar, na cidade do Porto.
Por outro lado, porque quase no final desta inesquecível viagem, Zeferino ao olhar para dentro de si próprio, sentia-se confuso e com sentimentos ambivalentes. Ao mesmo tempo que sentia um certo mal estar (devido talvez a sentimentos de culpa) começou também a sentir saudades de Helena, como que acordando.
Não sabia bem porquê mas à medida que mais se aproximava de Vila Flor mais saudades tinha. Já não a via há cerca de quinze dias mas parecia-lhe que a ausência durava há quinze anos. Na verdade, não fazia a mínima ideia se ainda continuariam a ser namorados depois de todas estas súbitas e apaixonantes experiências. Nestas duas semanas perdeu-lhe totalmente o rasto e nem sequer ocupou muito a sua mente e os seus pensamentos. Parecia-lhe que vivia num mundo lá longe, distante e inatingível.
O mais provável seria acabarem de vez com o relacionamento. De facto, ele vinha disposto a encarar a vida de um outro modo, mais sério e pragmático.
Mas… naqueles momentos, sozinho no comboio, parecia que lhe ouvia a
voz, que lhe sentia o cheiro e principalmente que a ouvia chamar pelo diminutivo
do seu nome, que ela fazia de forma única, tão doce e com tanto carinho. A Lena, até agora, não tinha sido apenas a sua namorada. Tinha sido uma grande companheira, uma amiga, a sua melhor amiga. Quando andava mais triste era dela que ele se lembrava.
Poderia parecer contraditório mas era exactamente pela consideração e amizade que lhe tinha que ele sentiu que tinha de ser totalmente sincero com ela e propor-lhe o fim...
Teria, naturalmente, de ser politicamente correcto (se fosse capaz) e dizer-lhe que, se acabassem, deviam e podiam ficar amigos. Queria dizer-lhe também que a iria lembrar para sempre como tendo sido a sua primeira namorada e que aquilo que tinham vivido nessa fase tinha sido muito importante para ele e iria com certeza ter uma consequência forte para a vida inteira.
Teria de lhe contar todas as incidências desta viagem de ida e volta a Paris e, sobretudo, a forma como sentia o impacto de tudo o que viveu, de tal forma tão forte e intenso que lhe provocaram grandes alterações ao mesmo tempo que lhe haviam criado novos sentimentos que o levavam para o oposto daquilo que era a sua vida anterior.
Zeferino agora sentia-me mais forte, não fisicamente mas mentalmente, agora não tinha de usar a agressividade para sobreviver no seu pequeno mundo lá no nordeste transmontano.
Sentia, isso sim, que neste novo e grande mundo que descobrira, ele só tinha de usar a sua mente, e mais importante, o seu coração. Agora ele sentia alegria, sentia-se livre e com autonomia para viver sozinho.
Agora ele sabia o que era a felicidade...
Teria, naturalmente, de ser politicamente correcto (se fosse capaz) e dizer-lhe que, se acabassem, deviam e podiam ficar amigos. Queria dizer-lhe também que a iria lembrar para sempre como tendo sido a sua primeira namorada e que aquilo que tinham vivido nessa fase tinha sido muito importante para ele e iria com certeza ter uma consequência forte para a vida inteira.
Teria de lhe contar todas as incidências desta viagem de ida e volta a Paris e, sobretudo, a forma como sentia o impacto de tudo o que viveu, de tal forma tão forte e intenso que lhe provocaram grandes alterações ao mesmo tempo que lhe haviam criado novos sentimentos que o levavam para o oposto daquilo que era a sua vida anterior.
Zeferino agora sentia-me mais forte, não fisicamente mas mentalmente, agora não tinha de usar a agressividade para sobreviver no seu pequeno mundo lá no nordeste transmontano.
Sentia, isso sim, que neste novo e grande mundo que descobrira, ele só tinha de usar a sua mente, e mais importante, o seu coração. Agora ele sentia alegria, sentia-se livre e com autonomia para viver sozinho.
Agora ele sabia o que era a felicidade...
(continua...)
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Porto Sentido
Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
Vê um velho casario
Que se estende até ao mar
Junto à serra do Pilar
Vê um velho casario
Que se estende até ao mar
Quem te vê ao vir da ponte
És cascata, são-joanina
Erigida sobre o monte
No meio da neblina.
És cascata, são-joanina
Erigida sobre o monte
No meio da neblina.
Por ruelas e calçadas
Da Ribeira até à Foz
Por pedras sujas e gastas
E lampiões tristes e sós.
Da Ribeira até à Foz
Por pedras sujas e gastas
E lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério
Dum rosto e cantaria
Que nos oculta o mistério
Dessa luz bela e sombria
Dum rosto e cantaria
Que nos oculta o mistério
Dessa luz bela e sombria
Ver-te assim abandonada
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem mói um sentimento
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez
Em cada regresso a casa
Rever-te nessa altivez
De milhafre ferido na asa
Em cada regresso a casa
Rever-te nessa altivez
De milhafre ferido na asa
Porto Sentido, Rui Veloso
domingo, 29 de setembro de 2013
O poder do beijo
Vinha pela estrada uma caravana de motociclistas fortes, bigodudos, nas suas poderosas motos, quando de repente vêem uma garota a ponto de saltar de uma ponte num rio.
Eles param e o líder, particularmente corpulento e de aspecto rude, salta, dirige-se à miúda e pergunta:
- Que diabo está a fazer??
- Vou suicidar-me! Responde suavemente a delicada garota com a voz cadenciada e ameaçando pular.
- Que diabo está a fazer??
- Vou suicidar-me! Responde suavemente a delicada garota com a voz cadenciada e ameaçando pular.
O motociclista pensa por alguns segundos e finalmente diz:
- Bom, antes de saltar, por que não me dá um beijo?
- Bom, antes de saltar, por que não me dá um beijo?
Ela acena com a cabeça, bota de lado os cabelos compridos encaracolados e dá um beijo longo e apaixonado na boca do motociclista.
Depois desta intensa experiência, a gangue de motoqueiros aplaude, o líder recupera o fôlego, alisa a barba e admite:
- Este foi o melhor beijo que me deram na vida. É um talento que se perderá no caso de você se suicidar. Por que quer morrer?
- Meus pais não gostam que eu me vista de mulher!!!
- Este foi o melhor beijo que me deram na vida. É um talento que se perderá no caso de você se suicidar. Por que quer morrer?
- Meus pais não gostam que eu me vista de mulher!!!
(não me lembro se o caso terminou classificado como homicídio ou suicídio)
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Chegou o outono...
E porque o outono, estação associada à
queda das folhas e a castanhas assadas, regressou há 4 dias atrás, mais
precisamente no dia 22 deste mês, às 21h44, nada melhor do que comemorar esta bela estação do ano, recordando o nosso
grande poeta, Fernando Pessoa.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Melodias...
Música para relaxar...
Deixemos que ela entre como um bálsamo e veremos como nos transmite tranquilidade, serenidade e a paz.
Condições necessárias e essenciais para encararmos, com coragem, os tempos difíceis que atravessamos e que foram provocados por políticos corruptos, malabaristas e aldrabões que nos (des)governam e desgovernaram.
E amanhã, 25 de Setembro, lá estarei como aposentado da função pública, no Rossio, em Lisboa, numa jornada nacional de protesto contra os cortes nas pensões, dando a cara e lutando contra o embuste da convergência das pensões que este governo nos quer impor, escondendo que em muitas áreas do sector privado são pagas pensões mais elevadas (banca, seguros, telecomunicações, transportes aéreos, etc).
sábado, 21 de setembro de 2013
Palavras para quê?
“O presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos
Coelho, sustentou, hoje à noite, dia 21 de Setembro de 2013, que cortes
nas pensões são decisivas para evitar segundo resgate…”
Confrontado com este discurso arrasador, tão "verdadeiro" e "coerente", só me apetece citar Mario Quintana, quando disse:
"Todos estes que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão,
eu passarinho!"
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXXIII)
Zeferino
empreendeu esta caminhada na certeza de que iria chegar a bom
porto, munido do propósito firme de fazer a viagem sozinho e à sua conta e
risco.
Pelas
últimas e excelentes experiências que viveu sentia-se optimista e, assim animado, acelerou o passo para entrar na carruagem do comboio que lhe pareceu a mais
vazia. Já algo cansado da pesada mochila que levava às costas encontrou um enorme e confortável banco só para
si, onde se acomodou e sentiu que poderia descansar.
Ficou então imerso nos seus pensamentos e num estado de alma ambíguo e impreciso que não conseguiria descrever ou exprimir por palavras. Por um lado sentia-se triste por estar a chegar ao fim da caminhada e por outro sentia uma enorme e exultante alegria por tudo o que tinha acabado de viver.
Ficou então imerso nos seus pensamentos e num estado de alma ambíguo e impreciso que não conseguiria descrever ou exprimir por palavras. Por um lado sentia-se triste por estar a chegar ao fim da caminhada e por outro sentia uma enorme e exultante alegria por tudo o que tinha acabado de viver.
Ora sentado, ora deitado no banco comprido com a cabeça pousada na mochila, ora levantando-se para desentorpecer as pernas, ia consumindo os quilómetros e a distância do caminho que lhe faltava percorrer.
Viajava praticamente sozinho na carruagem e, tendo encontrado um jornal
espanhol abandonado num dos bancos, entreteve-se a ler as notícias que mais lhe
prenderam a atenção, ao mesmo tempo que praticava a sua leitura em língua
espanhola.
Ficou por
exemplo a saber que Julio Iglésias se havia casado no dia 20 de Janeiro desse
mesmo ano, em Toledo (Espanha), com Isabel Preysler Arrastria, que tinham
passado a lua-de-mel nas Canárias e... que iria participar no Festival da
Eurovisão com a canção Gwendolyne.
Leu ainda
que o Grande Prémio de Fórmula 1 se havia disputado no circuito urbano
de Montjuich, em Barcelona, 3 dias antes, a 18 de Abril de
1971. O vencedor tinha sido Jackie Stewart no seu Tyrrell.
Na Guerra
da Independência do Bangladesh, lutava-se ferozmente e diariamente eram
violadas dezenas e dezenas de mulheres.
Depois de ler, deitou-se mais uma vez ao comprido no banco e o seu pensamento viajou mais rápido do que o comboio e... estacionou em Vila Flor. Mal aí chegou, ficou ainda mais triste. Descodificar as causas dessa tristeza era entrar nos obscuros labirintos duma análise tão real quanto inverosímil do mundo que aí o rodeava. Uma enorme indignação o invadiu de tal modo que nenhuma revolta o podia apaziguar…
Considerava-se um rapaz pacato e globalmente bem comportado. Por isso não compreendia, nem aceitava, as alegadas razões pelas quais tinha sido castigado tão duramente (três dias de suspensão das actividades lectivas) pelo Director do Externato de Santa Luzia de Vila Flor que frequentava.
O incidente tinha acontecido na tarde do sábado que antecedeu o final do 2º período desse ano lectivo. A música de um gira-discos animava os cinco ou seis pares que dançavam na sede do Vila Flor Spor Clube. O seu par tinha ido embora momentos antes com receio de que o pai descobrisse onde ela estava e o que andava a fazer. Encontrava-se, naquele momento, no passeio junto da porta de entrada da Sede quando, de repente, viu passar na rua que subia uma bela rapariga de largas ancas e fartos peitos, com andar decidido e mais velha aí uns quatro ou cinco anos do que ele. Não resistiu a mandar-lhe uns piropos. Sem a ofender, antes pelo contrário, para a galantear disse-lhe qualquer coisa como isto: - tens uma avançada melhor do que a do Benfica! És muito jeitosa! Queres vir dançar comigo?
Ela olhou para Zeferino e respondeu: - És um malandreco! Pensas que não te conheço? Pensas que engatas as raparigas todas? Vou já dizer ao Senhor Padre!
Ele não sabia mas o Lelo Pinto, que estava a seu lado, logo o avisou que aquela rapariga era a empregada doméstica do padre Cassiano Dimas Fais, que era também o Director do Externato.
- Mau, mau, então estou feito! Pensou Zeferino.
Nessa mesma noite por volta da hora do jantar, apareceu em casa dos seus pais uma patrulha da GNR(!) acompanhada pelo sacristão(!) dizendo ao pai de Zeferino para irem, sem demoras, a casa do padre.
Pelo caminho Zeferino disse a seu pai que sabia a razão pela qual lá iam. E contou-lhe o incidente dessa tarde em que eu tinha mandado uns piropos à criada do padre.
Logo que entraram para o escritório do Padre este mandou sentar o seu pai numa cadeira que ficava ao seu lado direito, mas num plano inferior ao seu.
Logo que entraram para o escritório do Padre este mandou sentar o seu pai numa cadeira que ficava ao seu lado direito, mas num plano inferior ao seu.
A Zeferino mandou-o ficar de pé e sem grandes rodeios, virando-se directamente para o seu pai, sentenciou:
-Pois aqui o seu filho tratou mal a minha criada que é para mim como da família! Deve educar melhor os seus filhos!
Depois, virando-se para Zeferino: Vais ter que lhe pedir desculpa!
- Eu!? Porquê? Que lhe fiz? - respondeu o assarapantado Zeferino
- Então não te meteste com ela dizendo que era "boa como o milho"?
- Não foi bem esse isso... não utilizei esses termos nem essa expressão. Mas era minha intenção gabá-la, elogiá-la e convidá-la para dançar.
- Com a minha criada ninguém se mete! Ouviste?
- Mas… se eu soubesse que era sua criada, mesmo sem a ter ofendido, nada lhe teria dito!
- Não quero saber! Vamos … pede-lhe desculpa! Já!!! Apontando o dedo indicador para a empregada, que entretanto também tinha entrado, ao mesmo tempo que o olhava de lado.
Zeferino olhou para a rapariga, que tinha visto pela primeira vez nessa mesma tarde, e perguntou-lhe: - Eu ofendi-te? Fiz-te algum mal? Prejudiquei-te? Diz a verdade!
Ela olhou para o padre, baixou de novo os seus grandes, lindos e tristes olhos para o chão e... não respondeu.
Mas o padre não desistiu insistindo: - Tens que lhe pedir desculpa! Vamos, pede!
Zeferino, a tremer de revolta, virou-se para seu pai e suplicou: - Pai, vamos embora daqui - nós não merecemos esta humilhação!
- Filho, pede desculpa e vamos embora! Respondeu ele.
- Mas, porquê? Porquê?
- Anda lá, não custa nada!
- Mas, pai! Só lhe quis dizer que era muito bonita! Que simpatizava com ela. Não tenho que pedir desculpa por isso.
- Bom, como não tenho a noite toda para aturar a tua teimosia e má educação, sai já daqui! Imediatamente! Vai para a rua e espera lá pelo teu pai enquanto decido quantos dias vais ficar de castigo.
- Mas isso é uma injustiça! Eu tenho que ir às aulas! O meu pai paga as propinas para eu frequentar aquele colégio e o que aconteceu nada se relaciona com os meus estudos. Não tem o direito de aplicar esse castigo. Respondeu furioso Zeferino, saindo sem olhar para trás, e espumando de raiva e de revolta. Foi directamente para casa e contou a sua mãe o que se tinha passado. Esta respondeu-lhe que deveria ter pedido desculpa pois o padre ainda podia vir a prejudicar seu pai.
Passados alguns minutos lá chegou o pai, de chapéu na mão, com a sentença do Padre: três dias de suspensão das actividades lectivas!
- O quê? O que tem a ver a criada do padre com os meus estudos?
- Deixa lá filho não digas nada. Ele pode fazer com que eu perca o emprego.
Foi assim, a pensar no castigo que cumpria precisamente nessa primeira semana do terceiro período, que Zeferino adormeceu...
(continua...)
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