Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Natal de 2014

O tempo continua (contra ventos e marés) inabalavelmente o seu curso.

Chegado aqui a esta época natalícia fico sempre algo confuso e com sentimentos ambíguos. De alegria pelos filhos que tenho, de tristeza pelos familiares e amigos que já partiram, de recordações menos boas de natais difíceis e... daquela saudade nostálgica dos tempos em que ainda acreditava no Pai Natal  

Aproveito esta oportunidade para manifestar a todos os amigos e leitores que passarem por aqui o meu agradecimento por aparecerem e desejar-lhes um Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde, paz, amor e felicidade.



sábado, 20 de dezembro de 2014

Fado do Coimbra

Uma pequena homenagem a um grande personagem da vida académica de Coimbra. 
Fernando Machado Soares despediu-se recentemente de nós e eu despeço-me dele deixando aqui a sua Balada da Despedida.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Vila Flor, que saudades...

Saudade, saudade da minha infância e da minha adolescência. Do professor Carvalho, meu professor da 3ª e 4ª classe da escola primária; do Colégio de Santa Luzia e de alguns dos meus professores desse tempo. Do Dr. Artur Vaz, do Dr. Silva e do Padre Cassiano Dimas Fais; dos meus companheiros, amigos, vivos (Amândio Tabuada Trigo, Celso Bernardino Queijo Póvoa, Francisco Gustavo, Tino Navarro, João Félix, Artur "Alfaiate", José António Palmeirão) e ausentes (Carlos Ramos, Abel Salgueiro, Manuel "Coelho", Quim Félix) e... e... e.... de TODOS com quem compartilhei os momentos mais significativos da minha vida nesse maravilhoso tempo! E dessa Capital do Mundo que é Vila Flor!  Vila Flor com a orgulhosa Igreja Matriz! Com o Museu Berta Cabral, com a Praça, o Rossio, a Fonte Romana, o Arco D. Dinis, a Avenida, as Capelinhas, a Barragem do peneireiro… Vila Flor que amo, mas onde me custa ir!
Sim. As relações entre as pessoas mudaram. Conheço as casas, as ruas, os recantos, mas... já não conheço as pessoas! Não encontro os velhos amigos
Lembro-me de todos estes espaços, claro. Lembro-me de todos esses amigos, certamente. Mas hoje em dia não consigo aí conviver como antigamente. Hoje tem-se medo da via pública. E as pessoas refugiam-se. Para outros espaços, para outras regiões e para outros países. E por várias razões, das quais as económicas pesam muito. As pessoas estão a acantonar-se. E a tentar sobreviver. 
E por falar em saudades. As saudades que eu tenho dos cheiros característicos de Vila Flor, que já só guardo na memória. Das flores, das frutas, dos aromas do entardecer de cada uma das estações, dos cheiros intensos da existência do dia-a-dia.
Evoluímos, e muito, sob o ponto de vista tecnológico, mas perdemos muito a nível do saudável humanismo desse tempo... tenho pena!
 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Cogitando...

Na Sexta-feira da semana passada vinha da Caetano Drive, que fica ali na Rua das 12 casas, no Porto, onde fui fazer um Check-up ao carro oferecido pela Volkswagen. Ao contornar a Praça do Marquês tive que parar nos semáforos e, enquanto aguardava pelo sinal verde, dei comigo a apreciar as pessoas que entretanto atravessavam a passadeira dos peões. 
Sim, de vez em quando dá-me para a cogitação. Cogito no meu passado, cogito nos factos do presente e só não cogito no meu futuro porque... não sou bruxo.
Desta vez, tudo começou quando reparei num jovem adolescente que, de espelho na mão, ia espremendo uma borbulha enorme e ensanguentada que irrompia mesmo no centro da sua alvíssima face. E foi nesse preciso instante que começou a a cogitação. O assunto era interessantíssimo e remeteu-me para a minha juventude. 
Sim, porque no meu tempo de adolescência e de jovem espigadote o acne era uma maçada, mas um gajo escarafunchava as borbulhas, ou então escanhoava-se deixando a cara num Cristo. Mas, pronto, resolvíamos o assunto sem grandes traumas até porque as raparigas da nossa idade também tinham os seus próprios problemas e ficavam assim no mesmo barco. Elas normalmente preocupavam-se mais com as assimetrias e com as partes do corpo que lhes pareciam fora de um padrão tido socialmente como ideal. 
Mas, nesse tempo, existia a palavra, a palavra que circulava, a palavra que esclarecia e sossegava. Sim, porque raparigas com uma mama maior que outra, sempre houve. Rapazes com um testículo maior que o outro, sempre houve. 
Mas o facto é que todas essas diferenças nunca impediram ninguém de ser quem é, de se realizar como pessoa e ser humano, de ter uma vida amorosa de se formar academicamente ou profissionalmente, de trabalhar, de formar um núcleo familiar, de dar e receber amor, de considerar e ser considerado, de existir socialmente e desempenhar o seu papel.
Actualmente, as coisas parece que não são bem assim. Qualquer um dos exemplos citados, nos dias de hoje, torna-se num flagelo para os próprios adolescentes e para os seus pais. O culto da imagem supera todos os outros princípios e valores. Ora, isto só é bom para os profissionais de saúde que olham para isso como uma oportunidade de negócio e, por "dá cá aquela palha", vêem logo numa mama mais rechonchuda, a necessidade de um acto de cirurgia estética com o fim de rectificar um descuido da natureza. Aqueles mais ligados à psicologia, evocam logo os distúrbios de personalidade, os problemas de relacionamento e de auto-estima e mais uma catrefada de outras cenas que não sei a partir de quando começaram a pesar na balança da perfeição. 

As hormonas lixavam e lixam todos sem excepção, em qualquer época e em qualquer lugar. A diferença é que, no tempo da minha juventude, existia algo que se extinguiu e que ajudava a resolver as questões; existiam os tios, os amigos dos pais, os pais dos amigos e mais uma catrefada de gente que já tinha passado pelos mesmos imbróglios e que, com uma palavra, sossegava todos os nossos receios, dúvidas e temores. Hoje ninguém tem tempo para nada, muito menos para conversar. Hoje é cada um para si dentro do seu mundo...

Continuei a viagem e ao atravessar a Ponte da Arrábida ainda eu cogitava em como somos seres imperfeitos e incompletos a diferentes níveis, mas o conjunto dessas imperfeições torna-nos afinal mais completos e normais dentro de um contexto existencialista. Procuramos sempre mais e melhor, procuramos. Mas... na realidade, não sabemos concretamente se procuramos algo que não tenhamos já.

E pronto! Cheguei ao Edifício Vyla Penedo. A casa... ao meu abrigo e ao sítio onde tenho muito daquilo que preciso...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O advogado e o alentejano ...


Hoje deixo aqui uma anedota. 
Já tem uns anos mas continua a ter piada. 
Pelo menos para mim  

Um advogado todo da linha de Cascais, vai caçar patos para o Alentejo.
Dá um tiro, acerta num pato, mas o bicho cai dentro da propriedade de um lavrador.
Enquanto o advogado saltava a vedação, o lavrador chega no tractor e pergunta-lhe o que estava ele a fazer.
O advogado respondeu:
- Acabei de matar um pato, mas ele caiu na sua terra, e agora vou buscá-lo.
O velhote responde:
- Esta propriedade é privada, por isso não pode entrar.
O advogado, indignado:
- Eu sou um dos melhores advogados de Portugal! Se não me deixa ir buscar o pato eu processo-o e fico-lhe com tudo o que tem!
O lavrador sorriu e disse:
- O senhor não sabe como é que funcionam as coisas no Alentejo! Nós aqui temos o Código Napoleónico! Nós resolvemos estas pequenas zangas com a Regra Alentejana dos Três Pontapés.
Primeiro eu dou-lhe três pontapés; depois você dá-me três pontapés; e assim consecutivamente até um de nós desistir!
O advogado já se estava a sentir violento há um bocado, olhou para o velho e pensou que era fácil dar-lhe uma carga de porrada.
Por isso, aceitou resolver as coisas segundo o costume local.
O velho, muito lentamente, saiu do tractor e caminhou até perto do advogado.
O primeiro pontapé, dado com uma galocha bem pesada, acertou directamente nas bolas do advogado, que caiu de joelhos e vomitou.
O segundo pontapé quase arrancou o nariz do advogado.
Quando o advogado caiu de cara, com as dores, o lavrador apontou o terceiro pontapé aos rins, o que fez com que o outro quase desistisse.
Contudo, o coração negro e vingativo do advogado falou mais forte. Ele não desistiu, levantou-se, todo ensanguentado, e disse:
- Bora, velhote! Agora é a minha vez!
O lavrador sorriu e disse:
- Nah! Eu desisto! Leve lá o pato!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Um encontro connosco próprios...

Existem vários caminhos que permitem encontrarmo-nos a nós próprios nos momentos mais difíceis, sobretudo naqueles em que não sabemos muito bem onde estamos, o que andamos a fazer e para onde vamos.
Por exemplo. Subirmos ao ponto mais alto da Serra da Estrela (ou do Gerês) e, daí, mesmo a tremer de frio, avistarmos o mundo que nos rodeia, inspirarmos profundamente o ar que nos envolve e, finalmente, percebermos que cada um de nós é capaz de se transcender a si próprio, em cada momento.
Ou então, simplesmente, deixarmos que a nossa consciência seja "conduzida" por uma melodia como esta, e que voe para além das fronteiras daquilo que é capaz de sentir.


Este é o tipo de música que nos pode conduzir por vastíssimos caminhos, físicos, espirituais e até metafísicos...

sábado, 6 de dezembro de 2014

Antonio Zambujo - "Barata Tonta"

António Zambujo é realmente um caso invulgar na música portuguesa contemporânea. 
Em primeiro lugar isso deve-se à sua capacidade de interpretação, em segundo lugar fica o seu cuidado na escolha das canções que grava e dos autores que selecciona. 
Zambujo canta de forma incomum, tem voz vadia e ao ouvi-lo sentimo-nos parte da história que ele está a cantar. Confesso que de todas as canções - e não lhes chamo fados de propósito - a que mais gosto é aquela que aqui deixo hoje: a “Barata Tonta”.
Foi escrita por Maria do Rosário Pedreira, que se vai tornando obrigatória nos seus discos, e foi o próprio António Zambujo que compôs a música. Basta isto para perceber porquê: “Ai, por um sonho dos seus/Em que fosse eu quem a beija/ Dava toda a minha vida”. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Paco de Lucía Concierto Aranjuez - Adagio

Começo por deixar aqui esta quadra de António Aleixo que, de certeza, todos conhecem. Reparem bem se não tem muito daquilo que é a actualidade deste país à beira mar plantado.
                              Diz assim: 
Quem nada tem, nada come;
e ao pé de quem tem comer,
se disser que tem fome,
comete um crime, sem querer.

Depois deixo (é inevitável) este pequeno desabafo.
Tenho para mim que a corrupção em Portugal não acontece apenas porque há alguns vigaristas que corrompem. Ela apareceu, permaneceu e prosperou porque houve e continua a haver aqueles que se "deixam" corromper. Estes, são indivíduos (profissionais da política normalmente vindo das “jotas” dos respectivos partidos) que se apropriam indevidamente da democracia e da ingenuidade de quem sistematicamente continua a votar neles.
Pela minha parte, acho que - neste país cada vez mais injusto do ponto de vista económico, político e social – chegou a altura de dizer basta e de sermos capazes enquanto povo de mostrar que não queremos mais esta situação. Aquilo que sustenta os corruptos é o nosso silêncio e a nossa incapacidade de imaginar uma solução radicalmente diferente da rotatividade “contentinha” que temos vivido nos últimos 40 anos entre os mesmos grupos de interesses.

Por último, e para adocicar tudo isto, convido-vos a ouvir aquele que é um dos clássicos mais tocados de sempre: O Adágio de Aranjuez, de Paco de Lucía.
Não sei nada de música! Só sei que esta me acalma, me acolhe a alma e me ajuda a viver, como diria Marisa Monte, em Amor I Love You. Talvez porque cada nota é dedilhada com tal rapidez e de forma tão límpida que tenho de me concentrar totalmente, esquecendo tudo o resto... É lindo!



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
                                             Luís de Camões

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Para relaxar...

É mesmo isso! 
E logo agora que tinha um post já preparado (mais um) sobre o que penso desta "figura" da política portuguesa resolvi não o publicar.
A razão é simples: preciso de relaxar desta overdose de informação à volta Sócrates. 
Está tudo dito e redito. 

Esqueçam as notícias tristes do fim de semana e concentem-se nesta música. Ela é terapêutica...


sábado, 22 de novembro de 2014

A confissão na Igreja Católica…

Nota prévia:
Já tive a oportunidade de aqui tecer algumas considerações sobre a confissão e de explicar em pormenor as razões que me levaram, desde tenra idade, a recusar-me a "alinhar" neste ritual...
Como sabem, na confissão, o crente expõe ao padre o que fez de “mal” e que (perante a igreja católica) é considerado como pecado. Normalmente o padre ouve com atenção e no final aplica a “pena” de absolvição dos pecados e que passa por uma penitência de reparo dos danos causados. Alguns padres, sobretudo nos pequenos meios do interior do País, usaram desde sempre este “culto” para obterem informações privadas e íntimas que posteriormente aproveitavam da forma mais conveniente para si próprios…

A anedota que se segue (com alguns cortes convenientes, pois não posso colocar a bolinha vermelha no canto superior direito) não é da minha autoria mas satiriza de forma eficaz e oportuna esta cerimónia religiosa.

"– Perdoe-me, padre, porque pequei.
– Confessa tudo, minha filha...
- O João é um filho da p***!
- Não digas isso, minha filha, todos nós somos irmãos...
- Mas padre, o João tirou-me a blusa!
- Repara: eu também ta vou tirar. Achas que eu sou um filho da p***?
- Claro que não, mas ele também me tirou o soutien...
- Olha: também to vou tirar e não sou um filho da p***, pois não?
- Não. Mas ele depois tirou-me a saia...
- Eu também, mas não sou um filho da p***...
- ... e a roupa interior...
- Também eu e não sou nenhum filho da p***!
- Padre: ele abusou de mim...
- E eu vou fazer o mesmo!
(...)
- Ufa... Então? Achas que isto faz de alguém um filho da p***?
- Mas padre, ele depois disse-me que tem Sida...
- GRANDE FILHO DA P***!"

sábado, 15 de novembro de 2014

Fechou-se um ciclo...

Hoje, 15-11-2014, neste dia de outono em que o vento e a chuva me deixam algo nostálgico apetece-me transmitir-vos, embora com algum atraso, tudo aquilo que pensei (e escrevi) no meu último dia de trabalho - dia 3 de Julho de 2013.

Hoje, ao fim de trinta e seis anos de trabalho profissional, quebrou-se para sempre a rotina de me levantar, tomar banho, barbear, vestir e olhar-me uma última vez no espelho para ver se não faltava nada e apresentar-me ao serviço na EB 2/3 de Valadares.
Em vez disso, após os cuidados de higiene habituais, vesti uma camisola de manga curta e uns calções, calcei umas sapatilhas e fui até ao passadiço para um saudável e oxigenante passeio desportivo. Regressei a casa e depois do refrescante banho comecei a reflectir sobre esta mudança drástica mas há muito desejada.
Em jeito de despedida, que não o é, ocorrem-me apenas duas palavras: agradecimento e remissão.
Agradecimento a todos aqueles que me acompanharam naquele longo percurso. Fico eternamente grato a todos aqueles que comigo percorreram esta longa caminhada, mesmo que alguns o tenham feito apenas por breves momentos (anos lectivos). Sobretudo pela camaradagem, pela entreajuda, pela paciência com que suportaram algumas das minhas impertinências, pela força de ânimo que me foram dando em momentos de desânimo. Grato também a todas as escolas por onde passei e trabalhei, por todas as realizações pessoais e profissionais que me permitiram atingir. 

Remissão pelas minhas falhas e pelas omissões cometidas. Por não ter sido capaz de ter ido mais além quando era preciso, por qualquer coisinha, não sei o quê mas há sempre qualquer coisinha...
Os bons momentos, guardá-los-ei para sempre. 
Os "coices", que também os levei, não os esqueço mas "deixei-os" para trás e em cada uma das escolas por onde passei.
Hoje, despojei-me do prazer e (às vezes) do fardo de ser professor mas mantenho a “farda” para continuar a pugnar pelo prestígio da profissão de professor, pela honra e bom nome daqueles que continuam no activo e abnegadamente servem os alunos, mesmo sacrificando a própria família em muitas situações.


Agora vou descansar…

sábado, 8 de novembro de 2014

A Dança dos Grifos - Freixo de Espada à Cinta

Ao ver (e admirar) o vídeo que se segue fui automaticamente remetido para o dia 30 de Agosto de 2012.
Nesse memorável dia, o Grupo 5.com deslocou-se, numa das suas habituais viagens turísticas e gastronómicas, a Escalhão que pertence ao Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, mas fica muito próximo de Freixo de Espada à Cinta.
O destino final foi o Restaurante “O Lagar” que foi caracterizado da seguinte forma por Alexandre Ribeiro, economista, autor do livro "Economia em contramão" e do blogue Em Contramão, na sua habitual crónica: 
O Lagar não é propriamente um restaurante, mas muito mais um “lugar de afetos”… “É também uma simbiose perfeita entre o rural e o urbano, a tradição e a modernidade. Um recuo ao século XVIII e a afirmação do século XXI: uma casa muito antiga, excelentemente recuperada; a arquitetura tradicional com o toque da decoração atual; alfaias e apetrechos talvez com dois séculos a coexistirem com uma carta de vinhos apresentada num ultramoderno IPAD”.

Depois de degustarmos uma excelente lagarada de bacalhau, “com o dito passado pelas brasas e esfiapado, acompanhado de batata a murro e regado com azeite a preceito, empurrados por um agradável tinto da casa”, seguimos a nossa viagem (agora turística) até que parámos no Miradouro do Alto da Sapinha.
Daí observámos, tal como o nosso cronista referiu, “ao fundo, bem lá no fundo, o rio Douro, com o ancoradouro ocupado por um moderno navio-hotel; a leste os montes espanhóis, a dar um ar de cosmopolitismo à agressiva paisagem; no ar, nas suas acrobacias de caça, duas imponentes águias, quiçá reais, estavam a borrifar-se completamente para os olhares dos mirones, que gostariam de as apanhar estáticas, ao alcance das objetivas das máquinas fotográficas, de preferência recortadas contra o azul do horizonte”.
Na altura não sabíamos mas as “duas imponentes águias, quiçá reais” provavelmente não eram águias. Seriam talvez os Grifos no seu ritual de voo pelos céus desta belíssima região...

Apreciem agora a beleza da dança dos Grifos.


sábado, 1 de novembro de 2014

Uma incursão à infância...

Algures perdido no tempo da minha infância (fazia os onze anos daí a um mês e meio) em pleno verão de 1964, recordo-me deliciosamente de ter tido esta conversa:
Eu: estava aqui à tua espera. Sabia que ias à Fonte Romana mais ou menos a esta hora.
L.C.: E então! Que me queres?
Eu: Queria ver-te nesse teu garrido vestido novo. Fica-te bem!
L.C.: Foi a minha mãe que mo deu, agora que veio de férias. Comprou-o nas Galeries Lafayette, em Paris, é giro não é!?
Eu: Tu ainda és mais bonita assim vestida.
L.C.: Ai, ai, a brincadeira… então o que queres?
Eu: Quero que sejas minha namorada.
L.C.: Depois de corar um pouco lá respondeu: Tá bem!
Eu: Então posso ir contigo à fonte.
L.C.: Não!!!
Eu: Bô!!! Então!? Agora somos namorados…
L.C.: Mas... mas... estás a ver… assim logo na primeira vez...fica mal. Não vais.
Eu: (Sem perceber lá muito bem o que era “isso” de ser a primeira vez). Pronto! Eu espero aqui por ti à porta de casa.

Passados 10 minutos L.C. lá veio de cântaro já cheio de água. Parou e disse: - Olha… é melhor acabarmos. A tua irmã pode zangar-se comigo. Ela é minha amiga e pode não gostar.
Eu: Está bem.

E pronto. Foi assim que começou e acabou o meu primeiro relacionamento amoroso.