Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.
Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!
domingo, 16 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Percepção estereotipada da vida...
Ainda estudava em Coimbra no início da década de 70 do
Século passado.
Nessa noite, já depois do jantar, saí do meu quarto alugado nas
águas furtadas, do nº 9, da Rua Ferreira Borges. Atravessei a rua e sentei-me na escadaria que dá acesso à Praça do Comércio, mesmo ao lado da Igreja de S. Tiago.
Aí fiquei sentado enquanto aguardava a chegada dum colega meu, o
Carrelo, que ficou de se encontrar comigo. À minha frente estendiam-se os bonitos
e característicos prédios que circundavam a Praça. Apreciei cada um deles e
reparei que quase todos tinham entre cinco e seis andares, eram relativamente semelhantes
na sua estrutura e pareciam alinhados em círculo para admirar a Lua cheia que
surgira bem lá no alto do céu, mas que parecia estar alinhada e apontada mesmo
ao centro da Praça, que iluminava. Das ruas estreitinhas, que via mesmo em frente
(Rua Adelino da Veiga e Rua das Azeiteiras) e que também desembocavam na Praça,
não havia quase nenhum movimento de pessoas, ao contrário daquilo que acontecia
nas minhas costas por onde passavam, aos pares e em pequenos grupos,
fazendo as habituais piscinas (passeio
de ida e volta) na Ferreira Borges, ou se deslocavam, enquanto conversavam e viam as montras, aproveitando o bom tempo que se fazia sentir nesse mês de Maio, para a Igreja de Santa Cruz onde iam rezar e assistir ao mês de Maria.
Enquanto os prédios olhavam
para a Lua, eu olhava para eles. As luzes interiores davam sinais de vida a um
ritmo lento e, das janelas mais baixas, era possível ouvir alguns sons
domésticos. Numa ou noutra varanda de ferro trabalhado e bordado viam-se
pequenos vasos com flores de sardinheira que lhes davam um colorido
diversificado e garrido. As famílias que ali moravam começavam a jantar e eu,
sozinho, continuava à espera que o meu colega chegasse. Dei-me conta de que,
instintivamente, imaginara a vida de todas aquelas pessoas duma forma
estereotipada. Para mim, todas as famílias que ali moravam eram compostas por
um casal e um ou dois filhos, com a mulher de avental e o marido a chegar a casa
um pouco depois dela, já com o jantar na mesa. Todos discutiam os temas
habituais do dia-a-dia, como o tempo, o electrodoméstico avariado, o trabalho e/ou os estudos dos filhos.
O meu colega acabou por não aparecer e eu, sem perceber
exactamente como, fiquei ali até os edifícios se confundirem com o céu agora já
escuro e cada uma das minhas famílias
estereotipadas adormecer. A verdade é que não dei pelo tempo a passar.
Na noite seguinte saí com alguns amigos e fui ao Bar nocturno Clepsidra, ou “Clep”
como lhe chamávamos habitualmente e que era frequentada maioritariamente por
estudantes ligados às Repúblicas e ao movimento associativo. Eu gostava muito
de lá ir e hoje sei que foi uma das melhores escolas de vida que frequentei. Era um local calmo o suficiente
para se poder ter uma conversa (com gente bem educada, culta e inteligente) e movimentado quanto baste para não nos sentirmos
isolados. Quando me desloquei ao balcão, para pedir a segunda cerveja,
uma mulher - bem mais velha do que eu - e que estava noutra mesa levantou-se e veio ter
comigo. Perguntou-me se tinha sido eu a passar a noite anterior inteira sentado
na escadaria de S. Tiago que dava para a janela dela. Que sim, respondi, e
expliquei-lhe a história toda.
Também ela me tinha visto da mesma forma estereotipada!
Estando eu ali, toda a noite sozinho e sentado ao lado da Igreja, só podia estar apaixonado por alguém que não me ligava nenhuma. Estaria numa de sofrimento, à espera que um milagre se desse e a minha paixão viesse à janela.
Estando eu ali, toda a noite sozinho e sentado ao lado da Igreja, só podia estar apaixonado por alguém que não me ligava nenhuma. Estaria numa de sofrimento, à espera que um milagre se desse e a minha paixão viesse à janela.
- Estava só à espera dum colega que não apareceu... - disse-lhe.
Eu e a Luísa, pois era assim que se chamava, ficámos amigos.
Provavelmente, e digo isto sem certezas, vivemos uma amizade tão intensa quanto incomum. Sei que sempre que entrei na casa dela pensei em como a minha percepção da vida
naqueles edifícios da Praça do Comércio tinha sido errada. Agora com a visão perceptiva obtida a partir do interior de um deles...
Quanto mais não seja, a Luísa mostrou-me isso, dando-me essa oportunidade. Como eu lhe agradeço e como eu gostaria de lhe retribuir todo o bem que me fez nesse período!
Quanto mais não seja, a Luísa mostrou-me isso, dando-me essa oportunidade. Como eu lhe agradeço e como eu gostaria de lhe retribuir todo o bem que me fez nesse período!
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Uma nova(!?) e revolucionária tecnologia!!!
Quem me conhece sabe que sou um adepto confesso das novas
tecnologias embora com a aprendizagem limitada ao comum dos cidadãos. Aprendo com
elas utilizando-as e pesquisando-as permanentemente para ir ultrapassando as
dificuldades que vão surgindo.
No entanto, esta que deixo hoje aqui é
sem dúvida uma das mais impressionantes de todas :-)
Nunca a dispensarei!
Nunca a dispensarei!
Nota:
A propósito de livros.
Como eu gostaria de juntar todos os
livros que já li (e não sei por onde andam) aos muitos que ainda possuo actualmente e a todos aqueles que gostaria de comprar e de ler no futuro! Tê-los aqui no escritório cá de casa, bem junto de mim, à mão de
semear e fazer deste espaço uma biblioteca forrada a estantes de cima a baixo. Assim,
cercado e perdido encontraria, em cada um deles, momentos de prazer e
felicidade.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Reflexões nestes dias de pasmaceira...
Dias e dias de chuva ininterrupta e eu aqui encurralado
entre as quatro paredes do escritório. Há semanas e semanas que é assim. Vou
matando o meu tempo entre leituras, pesquisa de notícias on line, xadrez no Yahoo
games, un coup d'yeux pelas redes
sociais e alimentando o meu blogue neste ambiente propício a grandes reflexões e a
pequenas introspecções. Digo pequenas porque as sinapses dos poucos neurónios que me
restam já são feitas com pouca actividade e a pequenas
rotações.
No entanto, desde que me aposentei em Julho do ano passado,
estou mais dado a estes momentos de auto-análise e com a necessidade de procurar
incessantemente por um objectivo que abrande este isolamento que me oprime de
mansinho e que dê um sentido para o resto da minha vida. Não há nada pior do que
sentir-me desnecessário, descartável ou um inútil.
Agora, só saio de casa para ir ao supermercado ou para
comprar jornais e acabo por passar sempre pelos mesmos sítios, ver as mesmas
pessoas, um olá e pouco mais e instintivamente regresso à minha toca, onde
ninguém me enfada nem aborrece com palavras de circunstância ou com conversas
banais. Felizmente, e para amenizar um pouco tudo isto, tenho um grupo de
amigos com quem tomo café às quartas-feiras e vou, de vez em quando, dando umas
passeatas gastronómicas por todo o Norte e Centro de Portugal.
Voltando ao tempo. Este tempo de chuva e vento. Já é demais!
Não vejo o dia em que possa regressar às minhas corridinhas no passadiço à
beira-mar, ou dar umas voltas de bicicleta, sem pressa, a apreciar a paisagem,
os sons e os aromas da natureza, parar num local mais elevado e ficar em êxtase
com o olhar perdido no infinito ou na linha que separa o mar do céu, enquanto as
gaivotas esvoaçam à minha volta.
Tenho saudades de chegar ao fim do dia cansado mas feliz e
com a cabeça limpa de tanta bagunça que aqui se acumula nestes dias de
pasmaceira.
Assim, não há outro remédio que não seja aguentar e aguardar melhores
dias, mesmo com as negras perspectivas de ver a magra pensão ainda mais
esbulhada por essa cambada de biltres que outra coisa não faz senão ir ao bolso
daqueles que, como eu, não têm fuga possível.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Feira do Fumeiro de Vinhais 2014
Aqui está uma excelente iniciativa da Câmara Municipal de
Vinhais que organiza a famosa feira do fumeiro a decorrer já a
partir de amanhã e até Domingo.
É uma diligência duplamente feliz. Para além de promover
a edição deste ano da Feira dá também a oportunidade a um grupo de jovens naturais da vila de Vinhais de
demonstrarem todo o seu talento e criatividade.
O grupo aproveitou (e brilhou) com a realização deste vídeo que ficou muito divertido e actual, pois recria o recente tema "Wrecking Ball", da cantora Miley Cyrus.
Ora vejam…
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Germana Tânger diz "Aniversário", de Fernando Pessoa
A
propósito de uma troca de mensagens com um velho amigo de Santa Comba da Vilariça e numa das partilhas com
que ele me distinguiu no meu mural do facebook, lembrei-me de como é efémera
esta nossa vida.
Ao
ver-me (ainda com cabelo :-) e com o fulgor e as ilusões dos meus 34
anos de idade) no vídeo que ele me enviou, respondi-lhe: “Aqui (neste tempo) ainda estávamos na primeira metade da vida e
passávamos o tempo a desejar a segunda! Agora que já estamos no fim da segunda,
passamos o tempo a recordar a primeira, com receio da terceira que está à porta!”.
Aproveitei
ainda para citar Gabriel Garcia
Marquez: “Recordar é fácil
para quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração”.
Voltando
a este tema, aqui e agora, dou comigo a pensar que muitas vezes lutamos entre o recordar e o
sobreviver ao presente. Muitas vezes vivemos entre a saudade
dos abraços daqueles que já não regressam… entre as saudades dos abraços que
tardam e daqueles que esperamos no virar do dia… das saudades do abraço que
demos e, sobretudo, saudades daqueles que ainda temos para dar aos que vivem na
memória e àqueles que vivem no nosso coração…
Aqui a
Germana Tânger dá um toque especial em tudo isto.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Passadiço (Aguda-Espinho-Aguda) - VII
Não
sei porque em ti corro
e
te percorro…
Talvez
pela beleza que te envolve
e
alimenta os meus sonhos…
Ou
se é por aqui queimar as calorias
que
me abrasam as entranhas…
Sei
que a chama que aqui vibra nos meus olhos
me
ilumina este caminho alucinante…
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Identidade
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato
morro
no momento por que luto
nasço
Mia Couto
Setembro 1977
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Cogitações à beira-mar...
Há cerca de um mês que não fazia a minha habitual corridinha de 10
km (Aguda-Espinho-Aguda). Sentia-me algo perdido dentro de mim e com sentimentos de culpa.
Depois de deixar a Amélia Joaquina no ginásio, fui sentar-me num dos dois bancos
que se encontram encostados à parede da lota virada para o molhe da Aguda. O Sol, aquela hora, descia rapidamente pousando nas águas lá na linha do horizonte. Não havia
vento. Quase não havia brisa. As redes, que os pescadores arranjavam, ondulavam
devagarinho e as gaivotas levantavam voo, ouvindo-se perfeitamente o bater das
suas asas. Parece que queriam livrar-se dos homens e das suas manias, voando e fugindo
das objectivas das máquinas fotográficas que as perseguiam. Voavam de forma errante
parecia-me, mas talvez com sentido para elas. As aves não voam só porque lhes
apetece. Voam para fugir dali, voam para ir a qualquer lado, e o problema é meu
se não lhes entendo o sentido do voo.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Natal dos Simples - José Afonso
Hoje evoco aqui o saudoso Zeca Afonso e, simultaneamente,
uma antiga tradição: “as Janeiras”.
Recordo-me que, ainda miúdo, ia cantar as
Janeiras juntamente com um grupo de amigos nos primeiros dias do mês de
Janeiro. Por regra, levava uma pandeireta pois não tinha muito boa voz.
Normalmente íamos cantar a casa dos vizinhos e às casas das ruas
mais próximas. De um modo geral, eramos bem recebidos pelas pessoas visitadas
que assim colaboravam na manutenção desta tradição. Para além de nos desejarem a
todos um bom ano ofereciam-nos alheiras, salpicões, chouriças, filhoses e “bôlas”
de azeite, à boa maneira transmontana.
Nós correspondíamos às pessoas que nos recebiam bem, mais ou menos assim:
Esta
casa é tão alta
é
forrada de papelão
aos
senhores que cá moram
Deus
lhe dê a salvação...
E
aos (poucos) que não colaboravam cantávamos desta forma:
Esta casa é tão alta
é forrada de madeira
aos
senhores que cá moram
Deus
lhe dê uma caganeira…
:-)
:-)
sábado, 11 de janeiro de 2014
UHF - Vernáculo
Dois amigos de longa data enviaram-me, por email, este vídeo arrebatador.
Veio mesmo a calhar! Ele está na minha "onda" e vem dar uma sequência lógica ao teor e conteúdo dos últimos três posts deste blogue. Mas, evidentemente, está apresentada numa versão melhorada e elevada a uma qualidade de intervenção superlativa.
Veio mesmo a calhar! Ele está na minha "onda" e vem dar uma sequência lógica ao teor e conteúdo dos últimos três posts deste blogue. Mas, evidentemente, está apresentada numa versão melhorada e elevada a uma qualidade de intervenção superlativa.
Aproveito-o, deixando-o aqui por tudo isso mas também porque ele é emocionante, actual, importante (pelo momento que se vive) e muito bem conseguido. É, de facto, um excelente trabalho dos UHF- o melhor para mim.
Mostra-nos como a música pode e deve ser usada em tempos de crise social e política.
Por analogia, fez-me lembrar a música de intervenção do Zeca Afonso e do Sérgio Godinho, bem como dos poemas de Ary dos Santos e da grande Natália Correia, que tiveram um papel fundamental para o “despertar” da mentalidade democrática de muitos jovens da minha geração.
Por analogia, fez-me lembrar a música de intervenção do Zeca Afonso e do Sérgio Godinho, bem como dos poemas de Ary dos Santos e da grande Natália Correia, que tiveram um papel fundamental para o “despertar” da mentalidade democrática de muitos jovens da minha geração.
Estas palavras, assim ditas e cantadas, são como que um grito de revolta num tempo e num País cujo povo está acomodado, submisso e resignado a esta escravidão que nos é imposta pela toika estrangeira e pela troika nacional (como diz, com graça, Jerónimo de Sousa).
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Reparem neste aldrabão!
Sócrates é do
Benfica por causa de Eusébio! Ou a desfaçatez, a calma e a "lata" com que ele
mente!
Diria mesmo que este "gajo" está para a mentira como Eusébio
estava para o futebol.
Cada um na sua área são dois
génios. Eusébio a marcar golos. Sócrates a dizer mentiras.
Um sábado às 15 horas!
Na Covilhã a escola primária funcionava nas "férias grandes" e aos sábados de tarde?
Para terminar, e pela pertinência, permitam-me que cite uma das frases do meu último post: "É mais fácil apanhar um vigarista que um coxo. Sobretudo
quando esse vigarista também é coxo das ideias e mais um político de chinelo que veio dos jotas e que o “nosso”
sistema democrático permitiu que nos andasse a massacrar a “porca” da vida".terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Para o raio que os parta a todos!
Reuniram,
há uns dias atrás, os deputados que integram a delegação da comissão de
Economia do Parlamento Europeu que está a visitar os quatro países intervencionados
- Portugal, Grécia, Irlanda e Chipre - para elaborar um relatório de avaliação
da implementação dos programas de ajustamento da troika.
Nesta
primeira reunião esteve o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que levou consigo
os seus ministros da Presidência, Pedro Silva Pereira, e da Economia, José
Vieira da Silva.
À saída dessa reunião nenhum destes “iluminados” quis tecer qualquer comentário sobre o que aí foi dito.
À saída dessa reunião nenhum destes “iluminados” quis tecer qualquer comentário sobre o que aí foi dito.
No entanto, o eurodeputado do PSD José Manuel Fernandes não esteve pelos ajustes e comentou: o programa desenhado por Sócrates em Abril de 2011 tinha objectivos irrealistas e inatingíveis e que por isso não se podem criticar as revisões que têm sido conseguidas pelo actual executivo. Esses objectivos originais tinham que ser revistos e essas revisões têm sido possíveis graças à credibilidade do Governo.
E
disse mais: Eu nunca vi José Sócrates assumir erros nenhuns. Os erros são sempre
dos outros, os erros são sempre dos mercados, só houve troika porque o PEC 4
não foi aprovado. Apetece-me dizer que só houve troika porque houve
um primeiro-ministro que era José Sócrates e porque havia um Governo do PS. Faz
todo o sentido que esta comissão de avaliação venha falar com o
primeiro-ministro que chamou a troika.
Reflectindo sobre o silêncio de Sócrates e sobre declarações de José Manuel Fernandes, a mim só me apetece dizer o seguinte:
É mais fácil apanhar um vigarista que um coxo. Sobretudo
quando esse vigarista também é coxo das ideias e mais um político de chinelo que veio dos jotas e que o “nosso”
sistema democrático permitiu que nos andasse a massacrar a “porca” da vida.
É de desaparecer de vergonha e de nojo.
Mas os ideólogos desta democracia de merda
persistem que é pelo voto que vamos lá... Vamos, vamos... mas é pró fundo. Pelo
voto (portanto por culpa nossa, logo, não podemos reclamar) temos apanhado de
tudo no topo do poder, ladrões, vigaristas, chefes de várias máfias, pedófilos, incompetentes, analfabetos com licenciaturas de domingo
e de equivalências, traidores coniventes com os nossos inimigos, mas também
políticos(!) que na sua adolescência e no início da sua vida adulta andavam pelas berças da terrinha
a calcorrear atrás das silvas, a limpar o rabo a calhaus e a fumar barbas de
milho, e agora têm contas lá fora (em off shores) ganhas em falcatruas de toda
a ordem, em lugares de chefia na banca e/ou em empresas privadas a que treparam como macacos depois de saírem do governo, à custa dos
votos imbecis dos democratas masoquistas que acham que é pelo voto que tudo se
resolve.
Para o raio que os parta a todos!
Ufff, desabafei!
domingo, 5 de janeiro de 2014
Eusébio
(1942-2014)
No dia da sua partida (5 de Janeiro de 2014), deixo aqui a minha pequena homenagem a um dos homens que mais alegrias me proporcionou na minha juventude.
Pronúncia do Norte
Há um prenúncio de morte
lá do fundo donde eu venho
os antigos chamam-lhe reilho
novos ricos são má sorte.
É a pronúncia do Norte
os tontos chamam-lhe torpe.
Hemisfério fraco outro forte
ai o dia não sejas triste
a bússola não sei se existe
e o plano talvez aborte.
Nem guerra, bairro ou corte
é a pronúncia do Norte
é um prenúncio de morte
corre o rio para o mar.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
Colheste os ramos
onde pousavam
da geada, ás pérolas
as fontes secar.
Corre o rio para o mar
e há um prenúncio de morte.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
E é a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
É a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
lá do fundo donde eu venho
os antigos chamam-lhe reilho
novos ricos são má sorte.
É a pronúncia do Norte
os tontos chamam-lhe torpe.
Hemisfério fraco outro forte
ai o dia não sejas triste
a bússola não sei se existe
e o plano talvez aborte.
Nem guerra, bairro ou corte
é a pronúncia do Norte
é um prenúncio de morte
corre o rio para o mar.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
Colheste os ramos
onde pousavam
da geada, ás pérolas
as fontes secar.
Corre o rio para o mar
e há um prenúncio de morte.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
E é a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
E as teias que vidram
nas janelas
esperam um barco
parecido com elas.
Não tenho barqueiro
nem em que remar
procuro caminhos
novos para andar.
É a pronúncia do Norte
corre o rio para o mar.
Pronúncia do Norte- GNR
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Patxi Andion
Há mais de quatro décadas que o ouço e continua a ser um dos meus cantores preferidos.
Ele canta o amor e a resistência. Dois temas que me tocam profundamente.
Com a sua voz rouca foi construindo uma imagem de cantor de protesto ao mesmo tempo que foi abraçando as causas transformadoras do nosso país. Antes do 25 de Abril foi aplaudido (também por mim) no Coliseu dos Recreios, que se encontrava completamente lotado. Recentemente surgiu num disco com Ana Moura e agora prepara-se para repetir a façanha em dois aguardados espectáculos, no grande auditório do CCB, em Lisboa, e na Casa da Música no Porto.
Com a sua voz rouca foi construindo uma imagem de cantor de protesto ao mesmo tempo que foi abraçando as causas transformadoras do nosso país. Antes do 25 de Abril foi aplaudido (também por mim) no Coliseu dos Recreios, que se encontrava completamente lotado. Recentemente surgiu num disco com Ana Moura e agora prepara-se para repetir a façanha em dois aguardados espectáculos, no grande auditório do CCB, em Lisboa, e na Casa da Música no Porto.
Deixo aqui a sua voz em Veinte Aniversario. Tema
emblemático de toda uma época.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Passeio ao Minho no Outono...
E assim termino o ano de 2013.
Deixo-vos em paz! E com esta citação: "Que o Novo
Ano de 2014 que se anuncia não seja como o outono da vida onde as
folhas caem deixando apenas lembranças de dias bons e ruins, mas que
seja como a primavera da vida que produz frutos e dos frutos sementes
onde podem ser plantadas a cada dia e colhidas a cada amanhecer."
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Silêncio que fala e palavras que não se esgotam!
Vila Flor, 27 de Dezembro de 1975. Há 38 anos, precisamente.
Estava uma manhã fria e cristalina de inverno. A luz pálida do sol entrava pelas enormes janelas envidraçadas e era reflectida, de determinados ângulos, nos espelhos que forravam a parte superior da parede do fundo.
Tudo isso contribuía para o ambiente acolhedor que se desfrutava, naquele preciso momento, no interior do Café Avenida onde tomava tranquilamente o pequeno-almoço.
Tinha chegado a Vila Flor na véspera do dia de Natal vindo do quartel onde cumpria o serviço militar obrigatório e ainda estava imbuído de espírito natalício, embora algo nostálgico e introspectivo.
Havia lá mais quatro clientes.
Na mesa ao meu lado esquerdo, aquecida por uma das faixas de luz reflectida do espelho, estava um casal de idosos, meus conhecidos, cada um deles a beber o seu galão acompanhado com torradas bijou. Ele era um ex-empresário e ela professora primária aposentada.
Tudo isso contribuía para o ambiente acolhedor que se desfrutava, naquele preciso momento, no interior do Café Avenida onde tomava tranquilamente o pequeno-almoço.
Tinha chegado a Vila Flor na véspera do dia de Natal vindo do quartel onde cumpria o serviço militar obrigatório e ainda estava imbuído de espírito natalício, embora algo nostálgico e introspectivo.
Havia lá mais quatro clientes.
Na mesa ao meu lado esquerdo, aquecida por uma das faixas de luz reflectida do espelho, estava um casal de idosos, meus conhecidos, cada um deles a beber o seu galão acompanhado com torradas bijou. Ele era um ex-empresário e ela professora primária aposentada.
Entre o ruído mais ou menos confuso e desordenado das chávenas,
dos talheres e da máquina de café Cimbalino, era como se uma auréola de silêncio
os envolvesse. Olhei-os discretamente (mas com atenção) e fiquei com a sensação que não diziam nada um
ao outro, ou porque se entendiam mesmo sem palavras, ou... porque as palavras já se tinham esgotado há muito.
As palavras esgotam-se com a vida? - Perguntei-me.
Restava-lhes um incógnito olhar para os dois copos de galão vazios e uma presença ausente.
No entanto, foi possível percepcionar o afecto, a amizade e o amor entre estes dois seres a emanar da profundidade dos seus silêncios.
As palavras esgotam-se com a vida? - Perguntei-me.
Restava-lhes um incógnito olhar para os dois copos de galão vazios e uma presença ausente.
No entanto, foi possível percepcionar o afecto, a amizade e o amor entre estes dois seres a emanar da profundidade dos seus silêncios.
Na mesa à minha direita estava um casal na casa dos 30 anos. Eram os proprietários recentes de uma das lojas das proximidades. O homem começou a levantar a voz à companheira. Não num tom agressivo, mas numa tentativa evidente de a anular e/ou desvalorizar. Percebi que a conversa era o prolongamento de uma discussão havida entre eles na noite anterior. Ele falava pelos dois e fundamentava a sua argumentação na inutilidade dela como companheira de vida dele.
O amor deve ser útil? - Perguntei-me.
- Nunca dizes nada de jeito! - repetia ele.
Ela nada dizia.
Restava-lhes um ar desconsolado para duas chávenas de café com leite tristemente vazias.
Restava-lhes um ar desconsolado para duas chávenas de café com leite tristemente vazias.
O casal de idosos levantou-se e saiu. Fiquei a vê-los pelo
canto do olho. Deram as mãos carinhosamente e desapareceram lentamente na primeira curva, subindo
a rua em direcção aos Correios da Vila. Levaram com eles o seu silêncio único. E revelador.
Ao meu lado direito a discussão agravou-se. Ela decidiu responder.
Talvez as palavras não se esgotem sempre, mas era bom que às vezes o fizessem. Pelo menos foi o que pensei.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
O Grupo 5.com(e) de novo em Ponte de Lima (III)
Quem é este um mendigo?
Também faz
parte da tradição ir dar lustro ao touro num
recanto pitoresco de uma das ruas mais típicas da vila, perto do busto do
cardeal Saraiva, que nos olha com o seu ar bonacheirão.
Perto dali encontramos
um mendigo, um sem-abrigo, estendido num banco de jardim. Pareceu-nos ter um ar
familiar. Brincou connosco e acolheu-nos com um sorriso nos lábios, como um
cachorrinho quando é afagado pelo dono.
Antes de
iniciarmos a viagem de regresso fomos à beira rio deixar-nos fotografar junto à legião romana que nos primórdios da nossa história veio cá com intuitos de
juntar esta terra à sua lista de conquistas. Mas viram logo que não é fácil
derrotar-nos. Connosco até têm medo das sombras. Reza a história que a legião
se recusou a atravessar o rio, convencida que quem passasse para a outra margem
perdia a memória.
Se não os
pudemos vencer pelas armas vencemo-los pela argúcia. Chicos espertos somos nós
e isso já vem de longe.
Felizmente em cada casa há um Toni que nos
acolhe de pernas abertas
Cumprida a
agenda de trabalhos havia que regressar a casa, onde chegamos já era noite
cerrada, apesar de pouco passar das 18 horas. Sem qualquer percalço a assinalar
na viagem só resta registar um episódio já recorrente. Já prestes a estacionar
o carro em casa este cronista começou a sentir as já crónicas cólicas intestinais,
que em espaço de minutos passaram de um simples mal-estar a uma desagradável e
difícil luta contra o tempo.
Telefona então
o Bernardino a dizer que se esqueceu dos bolinhos e foi preciso ir ao seu
encontro. Mas o assunto foi rapidamente resolvido. O pior foi um vizinho que
apareceu na altura mais inoportuna e começou a falar num problema do prédio
para o qual andamos à procura de solução. A questão é que com os problemas do
prédio posso eu bem. Com os outros é mais difícil, mas não se pode simplesmente
mandar o vizinho bugiar.
Despachado o
vizinho, foi o sprint do costume, com uma impressionante reta final a caminho
da vitória. E, como da outra vez no Toni de Vila Flor, chega-se direto ao céu
logo depois de se passar pelo inferno, contrariando tudo aquilo que se aprendeu
na catequese.
Valadares, 12 de Dezembro de 2013
Nota Final:
E agora o vídeo prometido! Comprovem, de preferência em full screen, a memória "fotográfica" do
nosso grande cronista!
São estes momentos de convívio, sadio e verdadeiro, que também nos dão alento para continuarmos a viver com alguma alegria...
sábado, 21 de dezembro de 2013
O Grupo 5.com(e) de novo em Ponte de Lima (II)
O Borges versus Cinda
Chegamos a
Ponte de Lima à hora prevista e fomos logo diretos ao destino, o restaurante
Borges, a caminho do Tesido, perto da Borracheta e Subquintão.
O menu do
almoço foi aprovado por unanimidade e sem necessidade de consultar a carta.
Aliás, já não foi preciso escolher. Vou só repescar o que consta da ata do ano
passado: “broa, azeitonas, chouriço
assado, arroz de sarrabulho e leite-creme queimado. Apenas nas bebidas o Jorge
destoou, pedindo água em vez do saboroso verde tinto da casa”. “No final de tão copiosa refeição a escolha
acabou sendo aprovada por aclamação e o preço não deixou ninguém de tanga – 14
euros por cabeça”. Transcrição sic da ata do ano passado.
Só se mudou o
cenário da Cinda para o Borges, pois quanto ao resto não se mudou uma simples
vírgula. Quando muito uns cêntimos, como a cópia da conta bem demonstra.
Apenas se
registam 3 notas complementares: a expressão de satisfação do Mota “maravilha. Isto está uma delícia”,
orgulhoso por ter influenciado a escolha; o chouriço assado foi devorado até
aos fios que atam as pontas e até se chupou o sumo da travessa (não, não veio a
frigideira para a mesa); o tinto escorregou tão bem que acabou por vir uma
média de uma garrafa por cabeça, se considerarmos que o condutor não podia
beber (mas deu uma ajudinha) e o Jorge fez jus à fama de abstémio (um palavrão
bonito e que lhe está corretamente aplicado).
Comandante Militar de Urrós
A conversa à
mesa versou os temas do costume, com a crise em lugar de destaque e com alguns
ausentes bem presentes: o inesquecível Carlos, o ainda não presente Álvaro e o
recém afastado Vaz Nunes. Vieram à baila histórias e peripécias, não faltando
os colegas de tropa, desde o Otelo ao Comandante Militar de Urrós.
Assuntos
ligados à área da saúde começam também a ser tema recorrente, com uns bitaites
que os leigos costumam mandar em função das mazelas que vão acumulando e que
lhes vão dando um notável acervo de conhecimentos na área da medicina. Até
permitem diagnosticar que o médico X deve ser gay, mas isso não impede que se “goste dele”. Gostos não se discutem, mas percebe-se a
ideia.
A jovem que adivinha as nossas intenções
Terminado o
repasto fomos, como manda a tradição, tomar café ao centro da vila, à praça
principal, esplêndida esplanada sobre o Lima.
Estacionado o
carro no vasto parque junto ao rio (que fazem ali tantos carros? Haverá tantos
reformados a passear por Ponte de Lima?), posamos para a fotografia da praxe,
com a inevitável limitação de o fotógrafo não poder ficar no retrato. Vendo o
nosso embaraço e adivinhando as nossas intenções, uma amável jovem
prontificou-se, com grande entusiasmo, diga-se, a carregar no botão. Devia ser
uma jovem, pois apesar de aparentar ter mais uns anitos que nós ainda usava na
boca um aparelho corretor dos dentes.
Olha se fosse
uma jovem/jovem e que adivinhasse com a mesma precisão os nossos desejos e se
prontificasse de forma tão generosa a colaborar connosco! Ia ser bonito, ia.
Como enriquecem os políticos em Portugal
Como manda a
tradição, procedemos à troca de prendas, ato simbólico e momento de animação
com fotos a recordar o momento.
Quem reparasse
no nosso ar relaxado e visse uma das prendas - o livro “Como enriquecem os políticos em
Portugal” - julgaria porventura que seriamos um grupo de políticos da
oposição que estavam de passagem por Ponte de Lima, daqueles que pregam uma
coisa e fazem outra, gostando de saborear os prazeres da vida, apesar de
passarem o tempo a dizer mal dos governos.
Local de passagem
obrigatória em Ponte de Lima é um pitoresco estabelecimento de petiscos – O Cardápio da Márcia. Destacamos hoje “estouros explosivos a sair do redondo”.
Daí abalamos
para a sessão de compras, antes do regresso a casa. Ao contrário do que elas
(as nossas mulheres) possam pensar, estiveram sempre presentes no nosso
pensamento. Ai de nós se nos esquecêssemos! Havia que lhes levar uma lembrança
para as compensar de um dia sem os nossos “carinhos”.
Houve quem optasse por levar uns bolinhos, para lhes adoçar a boca. Outros
optaram por as presentear com uma vistosa “estrela
de natal”. Cai sempre bem oferecer flores a uma mulher.
Só espero que
cada um tenha feito a escolha acertada. Seria dececionante ouvir um comentário
do género “andaste a trazer bolos e nem
te lembraste que eu ando a fazer dieta e não quero engordar. Ainda se fosse uma
flor… “ou ao invés, aquelas que receberam flores dizerem “chegaste atrasado, que eu já tenho a
decoração do natal completa. Ainda se fossem uns docinhos…”.
“Não trouxe doces porque sei que andas a
fazer dieta” ripostamos nós.
“Pois, mas é só por uma vez e também faz bem
prevaricar de vez em quando”.
É difícil gerir estas sensibilidades.
(Continua...)
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Amestrado em austeridade...
A ideia não é minha mas concordo com ela e, naturalmente, adopto-a com a mesma descontracção com que a Senhora Christine Lagarde adopta o seu animal doméstico...
Nota:
Nota:
Este post, aqui no vyla58penedo.blogspot.com, era para ficar mesmo assim e só até aqui.
Também tinha a ideia de o publicar depois de concluída a crónica do nosso amigo Alexandre Ribeiro, da qual apenas publiquei a primeira parte.
No entanto, e depois de, agora mesmo no Jornal das 8, ouvir dizer a este canino
a quem chamam coelho que estava a dar
os passos necessários para encontrar uma
forma constitucional de reduzir as pensões, tenho mesmo que vir
reclamar. Tenho que vir gritar a minha revolta. Tenho que vir berrar.
Lá em Vila Flor costumava-se dizer com toda a propriedade: “Quem não chora não mama”. Aqui de Valadares
eu digo: “Estou farto de mamões! Porra!”.
Quando ouço este aldrabão, que tanto prometeu antes de ser
eleito, dizer - com a maior desfaçatez - que o chumbo (mais um) do Tribunal
Constitucional ao diploma da convergência das pensões da Caixa Geral de
Aposentações “abre também o espaço para
que sejam cortadas pensões em pagamento e que o Governo vai agora estudar as
condições em que isso pode ser feito” tenho uma necessidade enorme de me
revoltar e de fazer algo de mais concreto e assertivo.
Como não tenho vinte anos e já sou aposentado, velhinho
portanto, a quem podem vir assim com jeitinho alterar o montante da minha
pensão, não posso pegar numa arma e defender aquilo que é meu por direito
acumulado ao longo de quase quatro décadas de trabalho. Mas tenho o direito de dizer e fazer alguma coisa. Estou a fazê-lo e prometo que não ficarei por aqui...
Estou cansado de ouvir estes "palhaços" que nos governam a
chamar de “poupança” ao confisco de salários e de pensões à margem da lei; de “ajustamento”
ao empobrecimento dos portugueses e à destruição do país e de “ajuda externa” a
um empréstimo que pagamos a juros agiotas.
Basta! A paciência tem limites! Temos o direito de gozar a
nossa reforma sem sobressaltos e, permanentemente, na dúvida se o governo nos vem
ou não roubar…
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O Grupo 5.com(e) em Ponte de Lima (I)
Crónica de
Alexandre Ribeiro
Cinquenta e cinco semanas depois da última deslocação a Ponte de Lima, aos 12 dias do mês de Dezembro de 2013, teve lugar mais uma reunião ordinária do Grupo 5.com(e) que se deslocou a essa ancestral vila portuguesa para saborear o tradicional e insuperável arroz de sarrabulho.
De notar que
o grupo já se encontra devidamente representado nessa lindíssima terra, através
da escola de Condução Jorge Matos e do Escritório de Advogados Alexandre Rocha.
Porto e Benfica andam à procura de
reforços.
Na véspera e
na antevéspera o Porto e o Benfica foram eliminados da champions. Por isso
quase não se falou de futebol, nem houve as habituais picardias e chistes, pois
num velório não se devem contar anedotas e não fica bem o roto rir-se do
descamisado.
Mas recuemos
um pouco: a recolha ao domicílio estava programada para as 11 menos um quarto,
em casa do Rogério. Antes da hora marcada o motorista de serviço, o Alexandre,
lá estava no seu Volvo, à espera do primeiro passageiro, que não se fez
esperar. Depois, quando pensávamos ter de esperar pelo Bernardino, dado
estarmos adiantados na hora, fomos surpreendidos ao vê-lo já à nossa espera. Em
casa do Jorge foi só esperar que descesse da varanda presidencial, onde
apareceu com a sua dama a saudar os presentes. O Mota, claro, devia ter descido
quinze minutos antes da hora marcada, pois apesar de anteciparmos a chegada já
o vimos impaciente à porta do prédio, a salivar.
Conclusão:
para a ramboiada não há perna manca. Se o Jorge Jesus e o Paulo Fonseca sabem
disso, com tantos pernetas lá para as bandas deles, ainda nos chamam para
reforçar os respetivos plantéis.
Assim se constrói a democracia
Mas se não
foi difícil o cumprimento do horário, já a escolha do local do repasto foi algo
complicado depois de o Bernardino ter lançado a confusão ao falar num sítio
onde havia comido uma vitela deliciosa.
Antes de
chegarmos a casa do Mota já tínhamos abordado a questão do destino. Perante a
hipótese de irmos ao sarrabulho a Ponte de Lima ou à vitela a Vieira do Minho,
concluiu-se que o Mota já tinha afiado os dentes e iria ficar dececionadíssimo
se não fossemos ao sarrabulho. E tinha que ser no Borges, que é o melhor do
mundo. Mesmo assim, depois de o apanharmos, por um imperativo democrático
colocou-se o problema a votação. Começou o Mota com uma declaração prévia: tanto me faz ir a Ponte de Lima como a
Vieira do Minho. Vou para onde a maioria decidir.
Todos
fingiram acreditar. E colocada à votação a hipótese de ida ao sarrabulho a
Ponte de Lima a proposta não recolheu um único voto favorável. Todos se
abstiveram.
Mas também
não apareceu ninguém em defesa da hipótese alternativa. Por isso o Jorge,
sabiamente, resolveu a questão: pronto,
vamos então a Ponte de Lima, como quer o Mota.
A isto se
chama respeito pelas minorias. Mas depois do almoço, como se verá, comprovou-se
que há decisões aparentemente pouco democráticas mas que o tempo se encarrega
de revelar muito acertadas. A sabedoria de alguns iluminados às vezes funciona
melhor que o somatório dos votos da plebe.
Agradáveis para-choques e confortáveis airbags
A primeira
paragem técnica foi na área de serviço de Santo Tirso para tomar café.
Há que realçar este facto, porquanto constatamos que a área passou a estar
apetrechada para outro tipo de serviços procurados por clientes cujas oficinas
caseiras não ofereçam a qualidade pretendida. Com agradáveis para-choques e
confortáveis airbags, os condutores que pretendam mudar óleo podem encostar às
boxes e usufruir de saborosos momentos de relaxamento no meio de uma viagem
mais cansativa.
(Continua...)
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