Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Reflexões matutinas…

Hoje de manhã (mas não muito cedo) estava a fazer a barba e enquanto me olhava ao espelho - com todo o cuidado para não me cortar - dei comigo a pensar na “porca” da vida.
E pensava: desde há uns meses que acordo dorido dos diferentes músculos do corpo (diz a Amélia que essas dores são provocadas pela Sinvastatina que ando a tomar para baixar os valores do colesterol) e angustiado com este mal-estar causado por otites permanentes aqui neste ouvido esquerdo que também tem a membrana do tímpano perfurada. Enfim… chateado com a vida e ainda por cima agastado com este meu mau feitio que frequentemente me provoca insónias. 
E continuei a pensar: como se muda tanto com o tempo! Hoje pensa-se duma forma e amanhã de outra. Mas, caramba, não temos que ser amorfos e neutros. Não temos que ser (ou parecer) velhos e ainda por cima parvos. Ou que, pelo menos, não o sejamos enquanto ainda conscientes.
Tudo “isto” a propósito das eleições que decorreram no último Domingo e da minha posição inicial que era a de votar em X, anulando o meu voto. Não resisti, mudei de opinião e tive de votar em consciência com os meus princípios.
Mas aquilo que mais me incomodava, hoje de manhã, ao fazer a barba, não era só isso. Era sobretudo ao pensar na opinião hipócrita e contraditória da maioria dos “nossos” políticos ao analisarem os resultados.
Os políticos dos partidos da coligação do nosso descontentamento lá vão singrando e sangrando desta derrota que interpretam quase como uma das suas conquistas.
Oh valha-me Deus! Então não perderam as eleições!?
Os políticos do Partido Socialista nomeadamente o seu Secretário-geral, António José Seguro, vêm afirmar - com toda a convicção - que os 31% de votos que o PS obteve lhes confere uma retumbante vitória.
Ao ouvir isto chego à conclusão que vou ter de reaprender Português pois pelos vistos não sei o significado de algumas palavras.
Então não foram apenas quatro pontos percentuais de diferença para esta coligação que nos tem (des)governado?
E depois temos a esquerda que está estilhaçada. Constata-se mais uma vez a sua fragmentação e, sobretudo, a queda do Bloco de Esquerda. Que me entristece. Felizmente conseguiram manter Marisa Matias, uma excelente deputada, presumo.
Gostei no entanto do resultado do PCP. Merecido, pela combatividade, pela genuinidade, pela coerência.
Quem ganhou foi a abstenção.
Isso revolta-me porque Passos e Portas conseguem (mesmo perdendo) levar a água ao seu moinho porque há muita gente que vai (ou foi) na cantiga. Isto pode ser uma visão simplista porque é um facto que o Partido Socialista não é alternativa nenhuma. Ficou demonstrado.
Olha-se para aquele António José Seguro e percebe-se porque ficamos inSeguros.

E pronto. Acabo de me barbear e de pensar furiosamente. Mas que fico a  sofrer e a remoer com o rescaldo destas tristes eleições, lá isso fico... 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Hitler reage à venda dos Mirós


Descobri este vídeo no youtube. 
É uma bela caricatura da situação política que se vive actualmente em Portugal. Por isso resolvi "surripiá-lo" e postá-lo aqui, sobretudo porque demonstra que (apesar de se dizer que vivemos em democracia e num estado de direito) o governo age, em determinadas situações, de forma idêntica a uma ditadura. Ou, no mínimo, aplica o: "eu quero, posso e mando", independentemente do que diz a lei e a Constituição da República.
De facto, e apesar do governo português saber que cometeu uma ilegalidade ao autorizar a saída dos 85 quadros Miró sem a permissão da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), entidade competente nessa matéria, continua a querer levar em diante essa mesma ilegalidade.

sábado, 17 de maio de 2014

A idade, o tempo e a vida...

Parece-me que ainda o outro dia olhava para os meus pais sem me preocupar minimamente com a idade deles. Pareciam-me eternos. Vivia a fase em que, quando me perguntavam quantos anos tinha me apetecia sempre acrescentar um ou dois anos à idade real. Ou então, sem mentir, dizia: tenho quase 12, ou tenho quase 14 anos. E fazia-o com a facilidade de quem tinha pressa de ser adulto, convencido de que, com uma simples data, adquiria (por decreto) um estatuto superior… ou um nível acima. Que afinal me ocuparia tantos anos a subir, pensava eu.
De repente, tirei a carta de condução, tirei o meu curso, cumpri o serviço militar obrigatório, comecei a trabalhar, casei e fui pai de dois maravilhosos filhos.
Simultaneamente, passei a assumir com naturalidade, mas com mais cautela, a minha idade real… mas agora querendo fazê-la durar todo o tempo a que sentia ter direito e sem pressas.
Depois passei rapidamente por aquela idade em que ainda tinha o privilégio de olhar para cima  e ver o meu pai vivo mas a necessitar de uma atenção especial devido à sua doença e à sua idade… e para baixo, para os meus filhos que tendo já entrado na sua idade adulta não deixaram de me trazer as naturais preocupações de um pai sempre presente. Foi aquela idade em que me senti entalado e a correr entre os filhos e os pais, na ânsia de chegar e de estar para todos com a mesma intensidade.
Foi talvez a idade mais difícil para mim, aquela em que ajudamos uns a crescer e outros a morrer... 
Este balanço entre duas realidades tão opostas deveria remeter-nos para a brevidade da nossa existência e relativizar as nossas prioridades.
Sempre ouvi dizer que: “quem de novo não morre de velho não escapa”! Mas… caramba, não gosto mesmo nada de me ver a envelhecer e não aprovo nada a ideia de morrer já. Que dilema! 
Depois vem este chato do José Saramago no seu livro "As Intermitências da Morte", que tentei ler até ao fim mas, mais uma vez, não consegui. Mesmo assim ainda deu para me aperceber que ele vai divagando sobre a morte, a vida, o amor e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência. Para ele (e neste aspecto concordo) a morte é não só uma inevitabilidade da vida como irrevogável, a bem do equilíbrio. Aqui o termo irrevogável não tem nada a ver com o conceito trazido por Paulo Portas :-).

Cheguei assim a este ponto da minha idade em que passei a considerar que o ideal seria viver cada dia como se fosse o último e com a convicção de que não teremos o dia seguinte para corrigirmos o que hoje fizermos de errado. Até por que a idade (como alguém disse) é: “algo tão fugaz na vida de cada um de nós que o melhor é chamar-lhe presente e acreditar que tem a duração do instante que passa…”

terça-feira, 13 de maio de 2014

A balança que falava…

Nota introdutória: 
Hoje reproduzo aqui uma velha estória que me foi narrada no início da década de 70 pelo meu primo Alexandre, filho do meu Tio/Avô Marcelino, que veio, ainda na sua juventude, viver e trabalhar para a cidade do Porto.

Ele contou-me que havia uma Farmácia - a Farmácia Estácio - que ficava mesmo ao lado do 
Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e que era famosa, naquela época, sobretudo por ter uma balança que falava e que, rapidamente, se tornou um ex-libris da baixa portuense, chegando mesmo a formar-se filas de pessoas à sua porta.
Dizia-me ele com todo o entusiasmo: “Ainda me recordo da primeira vez em que me fui lá pesar! Foi um momento fantástico… depois de esperar a minha vez na fila, subi para a sua base redonda, o ponteiro movimentou-se no mostrador apontando para o meu peso e, ao mesmo tempo, uma voz metálica saiu da balança, informando: Vossa Excelência pesa 64 quilos e 700 gramas"!...
E continuou: “Tu imaginas lá!!!… naquela altura... deixa cá ver... decorria o Mundial em que o Eusébio marcou 4 dos cinco golos à Coreia, pois... foi em 1966 e, naturalmente, ainda não estávamos habituados a estas novas tecnologias e muito pouca gente sabia explicar este fenómeno! Pessoalmente, só percebi a “coisa” mais tarde quando o Porfírio, que fazia a manutenção da balança falante, me explicou o seu funcionamento. A balança, colocada na entrada da farmácia, nunca mudava de lugar. Nem podia!... Estava presa ao chão por parafusos. E na cave, precisamente por baixo da balança, havia um balcão de madeira sobre o qual se encontrava outro mostrador ligado por um veio ao tecto... precisamente à base (ou prato) da balança que estava na loja! Esse balcão era o local de trabalho da Srª Hermínia, a funcionária que empacotava comprimidos e rotulava xaropes, enquanto esperava que um cliente se fosse pesar. Quando tal sucedia, o mostrador da cave apontava o mesmo peso que o cliente comprovava visualmente, ao mesmo tempo que acendia uma lâmpada vermelha, chamando a atenção da funcionária. Esta, tinha um microfone e um botão para o ligar ao mesmo tempo que dizia o peso que via no mostrador que tinha à sua frente, e que o cliente ouvia na saída do som por detrás do painel do ponteiro!
O meu primo concluiu, deixando-me um pequeno aviso: “Quando fores lá experimentar e se a balança te parecer avariada... se, por exemplo, te mostrar o peso, mas não falar, não te preocupes. Isso acontece normalmente quando a funcionária da cave foi fazer as suas necessidades fisiológicas... fazer xixi… ou...  eh eh eh eh!!!”   

Nota final: 
Em 1975, um incêndio de grandes proporções na Rua Sá da Bandeira, atingiu a Farmácia Estácio e destruiu grande parte do seu interior, incluindo a célebre balança. 

sábado, 3 de maio de 2014

A mula Berta...

Era uma mula velha e mansa, com umas enormes pestanas, que o meu avô Alfredo se lembrou de baptizar de “Berta”. Era o resultado de um cruzamento (portanto filha) de um jumento do meu tio/avô Marcelino e da égua do Senhor Simplício.
Desde as minhas primeiras lembranças da minha infância a Berta esteve sempre presente. Recordo os dias em que acompanhava o meu avô que a levava ao lameiro nos “Cerejais” lá longe na aldeia onde nasci, em Pinhal do Douro.
Num belo dia do verão de 1959, ainda não tinha completado seis anos de vida, atrevi-me a ir, sozinho visitar a Berta a esse lameiro. Interrompi a sua refeição, peguei nas rédeas e encostei-a a um muro de pedras soltas mais ou menos da sua altura e, qual cavaleiro experimentado, saltei para o seu dorso de pelo liso, suave e brilhante. Quando bati com os meus pés no sua barriga larga e escorregadia ela acelerou de repente o seu passo de forma tão surpreendente que, quando dei por mim, estava no chão a rebolar na erva macia mas que não impediu que eu me sentisse durante alguns momentos com uma grande falta de ar.
Este episódio aparentemente negativo não impediu novas e excitantes experiências deste género. Pelo contrário, serviu-me de motivação e deu-me um sentido de superação que passou a fazer parte das nossas tardes, talvez durante três semanas, não mais. E quando digo nós, englobo também os meus primos. O Toninho, filho da minha segunda prima Adozinda, que montava o macho da família que levava para um lameiro limítrofe ao nosso lá nos cerejais. E também o meu primo Acácio que levava um cavalo já idoso, mas muito grande e elegante, que era da sua avó.  Mas três semanas, naquela altura, naquela idade, naquele verão, era imenso tempo.
Um dia, no balanço diário que normalmente se fazia ao jantar lá em casa, acabei por referir, embora meio excitado por me atrever a contá-lo, que: “dei uma queda da Berta, nos Cerejais”. Tive receio de que o meu avô me viesse a proibir de voltar a montar a Berta. Mas ele sorriu, achou graça à minha imaginação e coragem e incentivou-me a voltar a fazê-lo com a condição de que até ao fim desse verão seria eu a levar a Berta para o lameiro. 
Tornou-se assim habitual ao jantar toda a família perguntar-me: “e a Berta, hoje que tal se portou?”, e eu lá ia contando os últimos episódios. E depois eles entreolhavam-se, sorrindo. E lá fui desembrulhando a história, todos os dias um pouco. E todos os dias eles ficavam a saber um pouco mais da mula Berta. Sabiam que nas corridas com o macho montado pelo Toninho e com o cavalo montado pelo Acácio, a Berta não gostava nada de perder e para não ficar atrás levava-me a velocidades que me pareciam supersónicas por caminhos de terra batida até à Fonte de Baixo que era por nós considerada a meta final.
Naquele verão, todas as tardes lá íamos buscar a mula Berta, o macho e o cavalo dos meus primos, e com eles passávamos aquelas horas que se estendiam até à hora da ceia. 
A Berta seguia-me, já naturalmente, dando as mesmas voltas, ficando-se quieta e tranquila quando nós nos sentávamos em algum dos muros do caminho, seguindo as nossas brincadeiras com os seus olhos e pestanas enormes, e por ali ficava no ócio connosco, com aquele olhar meigo, tendo-nos como companheiros. 
Depois vinha a noite, e por obrigação lá a ia deixar na loja, já com saudades, inquieto pelo dia seguinte.
Uma noite viram-me tristonho, e já na sobremesa questionaram-me. “Foi a Berta dizia-lhes, já lá não está. Tenho medo que tenha morrido”. E eles entreolharam-se, inquietos e um deles disse-me: “deixa estar, olha porque não passas a brincar com o Farrusco (que era o cão de caça do meu avô) vais ver que é um belo bicho”. Nunca mais voltei a ver a Berta, aquela mula velha e meiga, e as conversas ao serão acabaram por deixar de a trazer e eu de perguntar por ela pois fiquei magoado quando soube que o meu avô a tinha vendido a um cigano que vivia no Vilarinho da Castanheira.

Ainda hoje me lembro dos seus olhos tristonhos, aquelas pestanas enormes, a mansidão com que me matava as horas da tarde. E ouvia os meus pais contarem aos amigos, ou aos meus tios, do entusiasmo com que eu durante dias a fio, trouxe a Berta para as conversas do jantar. 

Nunca os contradisse, nem mesmo em adulto. Afinal, que importância teria?

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Donos de Portugal

Donos de Portugal é um pequeno vídeo baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louça e Fernando Rosas, editado em 2011 pela Afrontamento. 
O filme retrata a protecção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. 
Os novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

domingo, 27 de abril de 2014

A felicidade (im)perfeita...

No Domingo passado fui um dos muitos portugueses benfiquistas que se associou aos festejos a propósito da conquista do galardão máximo do futebol nacional por parte do Sport Lisboa e Benfica.
Não deixei, no entanto, quando percorri a Avenida da Liberdade e, sobretudo, enquanto permaneci na Praça do Marquês de Pombal, de ficar perplexo com a enorme expressão atingida pelos festejos.
Reconheço que tais celebrações se enquadram dentro daquilo que é a maneira de ser e de estar dos povos latinos e provavelmente foram semelhantes ao que acontece nas vitórias desportivas de outros clubes, nomeadamente do Futebol Clube do Porto, que ultimamente o têm feito com mais regularidade na Avenida dos Aliados, no Porto.
Mas… lá está! Há sempre um "mas" em tudo aquilo que fazemos! Dei por mim a interrogar-me se, ao entrar e aderir a este tipo de manifestações populares, não estaria eu também (sem querer) a contribuir para o aproveitamento político que este Governo iria fazer de tudo isto, desviando a atenção dos reais problemas que efectivamente preocupam, e com toda a razão, os portugueses em geral, numa lógica em tudo idêntica à que era feita no tempo da ditadura, em que se usavam os tais três efes (Fátima, futebol e fado) para anestesiar e alienar o povo.

Acabei por serenar, cair em mim e pensar que hoje em dia o povo é mais alfabetizado e não se deixa manipular com a mesma facilidade de antigamente. Por outro lado, enquanto extravasava também a minha alegria e a manifestava dessa forma tão efusiva e invulgar, convenci-me de que estava apenas a desfrutar de um prazer da vida que também contribui para dar cor e sentido à minha condição de simples mortal.

E pronto! Dentro dos meus 60 anos dei por mim a gritar como uma criança e com a multidão: Benfica, Benfica, Benfica. O campeão voltou, o campeão voltou… 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de Abril – Dia da liberdade

Nesta liberdade descobri lugares
Livre de correntes e de receios
Abri a minha alma sem grandes anseios
No passadiço gritei ao mar e ao céu 
Senti-me pequeno, mas livre 
Caminhei e corri com vigor
Como alguém que procura o sonho
Senti o pulsar da minha alma
Senti o rasgar da pele
Senti em mim sangue novo

Voltei a ser eu!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Joan Baez, Diamonds and Rust - Live, 1975

Ao ouvir esta música sou levado no tempo que ficou lá longe há muitos anos atrás na lindíssima Vila de Monção. Aí, num pequeno quarto da Residencial que dava para a Praça Deu-la-Deu Martins, ouvia - sozinho - esta canção a pensar em ti, no quanto te queria e te amava e no quanto gostava da tua maneira séria de ser e de estar na vida.
Fecho os olhos, "viajo" para esse tempo e sinto bem presente as boas sensações ao ouvir cantar Joan Baez no velho reprodutor de cassetes (Hitashi) que o meu avô Alfredo me oferecera e que comprou no Grand Magasin Printemps, em Paris
Era uma das formas que eu utilizava para relaxar e... esquecer como o meu mundo e a minha vida nesse tempo eram débeis e inseguros.
Diamonds and Rust-Live é, para mim e sem qualquer dúvida, uma das melhores canções de todos os tempos e proporcionou-me momentos de grande prazer e de bem-estar só comparáveis aqueles em que estava contigo e tinha os meus lábios nos teus...



segunda-feira, 21 de abril de 2014

Acontecem coisas "estranhas" no dia em que me apetece dizer: Diga 33!

No dia-a-dia de cada um de nós acontecem coisas aparentemente estranhas que, por vezes, nos parecem normais de suceder. Nenhuma dessas coisas é igual a outra, mas quase nunca damos por elas, ou não as valorizamos de forma conveniente, porque provavelmente acontecem frequentemente. É isso que as torna iguais, apesar de diferentes. Ultimamente, não é tão raro assim, dar-me conta de pequenas coisas que me tocam profundamente sobretudo com pequenos rasgos de afecto que surgem do nada, assim como um viajante desconhecido que sai do comboio numa estação qualquer à procura de aventura.
Numa paragem de autocarro em Sto Amaro, Lisboa, muito próximo do Museu da Carris  e perto do Hotel Opera Vyla Galé, onde me encontrava hospedado, o céu assemelhava-se a uma cinzenta aguarela com nuvens de diversas formas e vários tons de cinza sobrepostos em diferentes camadas e deixava cair pequenas gotículas a que normalmente chamam de “chuva de molha-tolos”. De repente, uma mulher, vendo-me assim desprotegido e com a careca exposta encostou-se discretamente a mim e dividiu o seu guarda-chuva comigo. Ficou ali a segurá-lo, protegendo-me da morrinha que ia caindo, como se isso fosse a coisa mais normal deste mundo. Mas não era. A normalidade também depende da estatística e eu não via mais ninguém a dividir o guarda-chuva com um desconhecido qualquer. Esse dia foi ontem, 20 de Abril de 2014 – dia de Páscoa e deslocava-me para o estádio da Luz na expectativa de ver o Benfica sagrar-se Campeão nacional de futebol, em jogo a disputar com o Olhanense.
Ela não disse nada. Nem sequer uma palavra. Eu, no fim, só disse uma. Obrigado. Depois vi-a sair perto da estação de Campolide e continuei no autocarro a acompanhar o seu percurso enquanto ela se dirigia a passos largos para não perder o comboio, que se dirigia para o Sul. 
Peguei no bloco de notas e escrevi estas linhas para não me esquecer destes pormenores. Veio-me, entretanto, ao pensamento um acontecimento análogo que visionei na minha última viagem de comboio que fiz de Valadares para a estação de São Bento, no Porto. Depois de me sentar confortavelmente no meu lugar reparei que no banco da frente seguiam duas pessoas. Pareciam mesmo um casal. Ele dormia com a cabeça pousada no ombro dela, enquanto ela olhava pela janela como se analisasse ao pormenor uma pintura qualquer. 
Ela acabou por sair numa das paragens mais próximas, mais precisamente na estação das Devesas-Gaia. Não sem antes lhe ter afastado cuidadosamente a cabeça e pousado para trás, como se estivesse a mudar de sítio uma frágil peça de louça de porcelana. Depois levantou-se e saiu em silêncio enquanto ele lhe pediu desculpa, ainda estremunhado. Afinal não eram um casal. Não se conheciam de lado nenhum, mas ele adormecera no ombro dela e ela deixara-se estar ali, tão quieta como uma mãe leoa que protege a sua cria.
Acontecem coisas estranhas nos dias normais.
Normais? Interroguei-me.
Penso assim por ser dia de Páscoa? Ou porque o Benfica se sagrará provavelmente campeão nacional neste dia?
Mas, de facto, é um dia que também tem as 24 horas do costume. Portanto é um dia normal.
Uma das coisas mais estranhas que me acontece a mim é quase nunca dar pelas coisas estranhas que acontecem em dias normais.
Ou das coisas normais que acontecem em dias estranhos. 

Uma coisa é certa. Se eu fosse capaz de reparar todos os dias nas mulheres que têm a coragem de salvar o dia de um homem, tenho a certeza que os meus dias seriam diferentes. Mais estranhos e mais normais. Certamente melhores.

Nota: Este dia “normal” acabou bem e, estranhamente, dei por mim no Marquês de Pombal, em Lisboa, a celebrar o 33º título de campeão nacional de futebol que o Benfica acabara de conquistar .

Por tudo isso apetece-me dizer: diga 33!


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Cá se vai andando...

A chuva deu tréguas e o sol começa a aquecer os nossos corpos. Umas corridinhas no passadiço, umas idas (escassas) ao cinema, fugas diárias ao hipermercado porque a casa ninguém traz nada, xadrez on line, manter o blogue activo, ler, ouvir música e tentar tenazmente não perder o contacto. Eis aqui, assim em síntese, o que tem sido a vida deste alegre cidadão, neste início de Primavera de 2014.
E... logo agora que podia dar asas à imaginação e martelar no teclado até os dedos sumirem na palma das mãos evaporaram-se todos os conteúdos que fervilhavam nesta "carola" ansiosos por se verem derramados no ecrã do monitor.

Resta-me "viajar" no tempo e relaxar ao som deste magnífico som até que a inspiração reapareça  :-)


terça-feira, 15 de abril de 2014

Pedro Abrunhosa - "Voámos Em Contramão" (Videoclip)


Este gajo é feio e parece que arrota em vez de cantar mas consegue cativar-nos pela música.

Eu gosto...

domingo, 13 de abril de 2014

O professor de Religião e Moral e a cor dos olhos da Natureza...

Externato de Santa Luzia, Vila Flor. Novembro de 1969.
Nesse dia chovia a cântaros e os alunos da turma A do (antigo) 5º ano viam-na cair, através das enormes janelas da sala de aulas situada do 2º piso do novo edifício, enquanto ouviam, distraidamente, o professor de Religião e Moral a discorrer sobre Deus. 
A páginas tantas ele quis que, todos nós, reflectíssemos sobre o tema. A mim, pessoalmente, não me apetecia nada falar de uma entidade tão abstracta. Apetecia-me pensar e discutir sobre coisas mais concretas como a fome, a guerra colonial ou a injustiça dos homens. Sobre a dor daqueles que sofrem. Sobre futebol. Sobre as diferenças entre a educação dos rapazes e das raparigas que nessa época ainda era muito acentuada, etc, etc.
De religião e de Deus não me apetecia falar. Pronto.
Mas - nem de propósito - o Professor, parecendo adivinhar os meus pensamentos, resolveu interrompe-los perguntando-me: - E tu, Bernardino, acreditas em Deus?
- Eu!? Respondi atarantado.
- Sim, tu mesmo.
- Para ser sincero não acredito- respondi agora com toda a convicção.
- Ai não!? Então como explicas a existência da terra, dos animais, das plantas, do céu e dos oceanos? Acreditas em quê, afinal?
- Acredito na natureza e na sua força para criar e transformar tudo isso - respondi simplesmente.
- Na natureza!? E quem criou a natureza?
- E quem criou Deus? – Retorqui já bastante nervoso
-Já que tens resposta para tudo, diz-me lá qual a cor dos olhos da natureza? - Perguntou-me o professor agora algo irritado mas com o seu sorriso mais irónico.
- Não sei! Mas talvez fique a saber quando o Sr. Padre me disser qual a cor dos olhos de Deus - respondi-lhe de pronto, enquanto ouvia as fortes gargalhadas dos meus colegas de turma.
Já não me recordo se, dessa vez, o professor me expulsou da sala de aulas. O que sei é que hoje, passados cerca de 45 anos após esta pequena discussão existencial, não tenho tantas “certezas” como tinha nessa época.       
O que me parece é que cada um à sua maneira o invoca ou o renega, de acordo com a sua imagem.
Muitas vezes, e perante determinados acontecimentos trágicos que se passam por perto penso que se Deus existisse tinha que ser muito grande, mas não do tamanho que os crentes imaginam que ele seja. Por outro lado, também penso que seria muito estranho que um ser tão grande, tão omnipresente e omnipotente, enfim, tão supremo, fosse tão facilmente perceptível por seres tão mesquinhos como os da nossa espécie. Desde logo por alguns daqueles que representam a própria Igreja.
Muitos falam em nome de Deus. Uns a favor, outros contra. Mas Deus não é futebol, nem política.
Felizmente, hoje em dia, somos tão livres que podemos ter opiniões tão discordantes. Tão "livres" que em alguns países existem fundamentalistas tão radicais que, em seu nome, matam, destroem e cometem as maiores atrocidades. Tão livres que muitos de nós vêm na nossa liberdade a prova da sua inexistência. Tão livres que muitos desejam um Deus que os apoie, principalmente quando se sentem comovidos por situações que os transcendem. Outros desejam um Deus que seja mais que um pai.
Para mim se Deus existisse não teria apenas o papel de perdoar e limpar os disparates e as crueldades que o Homem faz todos os dias em qualquer canto do globo terrestre.

Com toda a certeza que ele não daria a importância que qualquer um de nós imagina que ele daria a um texto como este. Acho que ele não estaria para aturar merdas destas...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A Lua

Tenho dias em que ando na Lua  e... a Lua tem o direito de ter as suas fases!!!


sábado, 5 de abril de 2014

Desabafo num dia de chuva...

Hoje, dia 4 de Abril de 2014, choveu! De manhã, à tarde e à noite!
Qual a novidade? Tem sido assim o Inverno todo! E este início de Primavera também! Então, por que razão estou eu aqui a protestar, outra vez, contra a chuva? É uma boa pergunta à qual, por agora, não sei responder. Mas… que me apetece promover um movimento BASTA contra a chuva, tal como o presidente do Sporting fez contra os árbitros de futebol, lá isso apetece.
Enquanto assim penso, e me interrogo desta forma rabugenta, estou encostado à porta do escritório que dá acesso à varanda de onde vejo lá baixo na rua e no Largo de Eiróz os carros a passar com os limpa para-brisas a funcionar incessantemente a as pessoas a caminhar também elas apressadas debaixo dos guarda-chuvas e, provavelmente, regressando a casa depois de mais um dia de trabalho. Em certos locais da rua o asfalto torna-se mais irregular e formam-se pequenas poças de água que brilham com a luz artificial dos candeeiros.
Aqui permaneço, neste meu refúgio (ou porto de abrigo) que é o escritório cá de casa e que me serve também de farol luminoso para o exterior. Gosto de ver o movimento dos carros e das pessoas que se encaminham para os seus destinos certos. De ver também os reclames luminosos e coloridos de algumas casas comerciais; as luzes ainda acesas e a brilhar que anunciam a Cerâmica de Valadares, embora já falida e extinta; as gaivotas que se refugiam do mar bravo esvoaçando e pousando nos candeeiros mesmo em frente à varanda; a Lua em certas noites e as nuvens a fugir empurradas pelo vento.  
Quando era rapaz e vivia lá longe em Vila Flor também gostava de me refugiar na varanda da casa dos meus pais e, de forma similar, apreciar o movimento das pessoas na Rua e no Largo da Fonte. Nesse tempo, as pessoas que passavam, isoladas normalmente, pareciam-me indolentes, tristes e mal sorriam. As que passavam acompanhadas normalmente faziam-no em silêncio ou a discutir entre si. Eram pessoas que iam e vinham frequentemente dos campos dos arredores da Vila. Agricultores que levavam os animais, cavalos ou burros, carregados com cestos ou canastras devidamente colocadas nas albardas.
Hoje, recordo-me dessas pessoas que se deslocavam na rua da casa da minha juventude e que iam normalmente acabrunhados naquela rotina que me parecia trágica. As imagens vão desfilando e há inúmeras delas que sempre me acompanharam. As vozes e os rostos é que já se perderam, e tenho pena.
Por que “carga d´água” me lembrei delas?

Regressando ao presente. A Amélia aproxima-se e, vendo-me assim meditativo, encosta-se a mim e diz: - "Não te atormentes tanto. As coisas mudam e nem sempre isto será assim. Para a semana já vem o Sol."
Pois! A verdade é que me sinto realmente muito aborrecido. Com o tempo, com o São Pedro e com a Primavera que nunca mais chega. Com os nossos governantes e, sobretudo, com o seu discurso já gasto. De facto, as palavras destes políticos, agora, de tão debochadas e gastas, já nem sequer agitam nem estimulam a minha indignação. Porém, tenho de continuar a fazê-lo, quanto mais não seja através de palavras. Palavras que digo e que escrevo. Tenho de continuar a trabalhá-las, a proferi-las e a escrevê-las com firmeza e ânimo. Por muito que me custe sinto que tenho de o fazer pois acho que essa é uma das minhas obrigações cívicas.
Há muitos anos um dos meus filhos perguntou-me: "Ó pai, escrever custa muito?" E eu: -não dói nada, mas… custa, custa muito… mas, no fim, vale a pena quando conseguimos exprimir o nosso pensamento com as palavras certas. Agora certamente acrescentaria: não as palavras destes políticos “jotinhas” aldrabões, que as não respeitam e que as despejam com futilidade, ignorância e menosprezo.

Mas... hoje já não me apetece (mais) escrever sobre estes políticos manguelas que nunca fizeram nada de jeito na vida a não ser enganar, manipular e mentir. Eles enojam-me. Por isso viro-me para dentro de mim e para o interior do escritório. Olho para as estantes carregadas de livros, para uma ou outra fotografia e para as medalhas e taças que fui conquistando nos diferentes torneios de Xadrez em que participei e que ajudaram a marcar a minha vida e o meu destino. Reavivam-me também algumas memórias dos meus amigos mais antigos e companheiros de brincadeiras, de jogos, de causas e de lutas. Tantos que já foram. O que demonstra que estou a ficar velho. Sento-me na cadeira da secretária e escrevo. Penso… 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Idade...











A cada ano que passa, cada vez mais e melhor o compreendo meu caro amigo professor Agostinho da Silva!!!

terça-feira, 1 de abril de 2014

O "Mata-Frades" de Coimbra...

Quando fui estudar para Coimbra, na primeira metade da década de 70, fiquei instalado primeiro nas águas furtadas desta casa da Rua da Sota, nas traseiras do Hotel Astória.
Depois mudei-me, como também já aqui referi em posts anteriores, para o nº 9 da Rua Ferreira Borges.
Quer a Rua da Sota, quer a Rua Ferreira Borges, vão desembocar no Largo da Portagem. Este local foi, em consequência e nessa época, um dos meus pontos de referência da cidade.
Certo dia, enquanto tomava café e lia o Jornal "A Bola", na esplanada da Tabacaria da Portagem, um senhor já de muita idade e com "ar" de intelectual sentado na mesa mesmo ao lado da minha  meteu conversa comigo. 
A páginas tantas perguntou-me se eu sabia de quem era a estátua que se encontrava mesmo à nossa frente e bem no centro da Praça da Portagem.
Eu lá lhe respondi (por ter lido na placa respectiva) que era um monumento dedicado a Joaquim António de Aguiar.
- Pois! Mas quem foi Joaquim António de Aguiar? E sabes qual a razão por que lhe chamavam o Mata-Frades?
- Não, confesso que não sei. – lá lhe respondi já um pouco incomodado pelo interrogatório e, sobretudo, por ter de lhe expor a minha ignorância.
- Então eu vou dizer-te – respondeu ele com toda a convicção. E, durante a hora seguinte, lá discorreu sobre o célebre Mata-Frades e a sua importância para a história de Portugal ainda durante o tempo da Monarquia. Finalizou o seu discurso, que mais me pareceu uma aula de história, dizendo-me: - Repara bem na estátua... vê que ele tem na sua mão esquerda uma folha de papel e na sua mão direita uma pena. Não sabes para quê, pois não? Então eu digo-te: - Dizem que é para anotar os nomes das jovens estudantes que chegam a Coimbra virgens e saem de cá ainda virgens... e juro-te que ainda ninguém o viu mexer a sua mão direita! Eh, eh, eh.

Parece-me que ainda estou a ouvir  a sua sonora gargalhada quando acabou de contar esta história. E sorrio...

Nota 1: se derem um "clique" em cima de cada fotografia poderão ver melhor os seus pormenores.
Nota 2: Apesar de hoje ser o dia das mentiras (1 de Abril) a história é verdadeira :-)

domingo, 30 de março de 2014

Passeio do Grupo 5.com(e) à Serra da Freita (V)

Como vem sendo frequente - nem de propósito - estava numa mesa próxima um grupo de 5 (exactamente 5) jovens da nossa geração, com idades entre os 50 e os 55. 
Esclareça-se, porque a palavra “jovens” é ambígua, que se tratava de elementos do sexo feminino. Ficamos à distância estrategicamente conveniente: não demasiado próximos, para não nos inibir de falar à vontade; nem excessivamente longe para não se quebrar a corrente de interesse nem esbater o perfume do romantismo serôdio que nestas circunstâncias se estabelece. Pelo nosso traquejado faro concluímos que se tratava de um grupo de professoras. Provavelmente a conversa recaia sobre os testes a aplicar aos alunos ou sobre a má criação, tão em voga nos dias de hoje. Certamente já não se lembram das asneiras que faziam quando eram da idade deles. Ou falariam antes sobre as malfeitorias do governo, com alvo particular na vilipendiada classe dos professores?
Nisto aproximou-se alguém que tanto poderia ser o director da escola, como o homem das fotocópias. Mas a sua presença de pouco nos interessava, pelo que nem demos pela sua ausência, passado pouco tempo. Parece ter saído à sucapa, para não perturbar a nossa etérea contemplação.
O Bernardino ainda disse que noutros tempos não teria qualquer pejo em procurar uma aproximação, atrevendo-se temerariamente a meter conversa, confiante no sucesso da investida. Mas agora nem sequer ousou. Ficamo-nos por isso naquele tipo de conversa de velhos jarretas, como a raposa que, ao saber que não pode chegar às uvas, sabiamente limita-se a proferir o célebre: “não prestam. Estão verdes”.
Entretanto faziam-se horas para regressar a penates. Mas como o almoço tinha sido sóbrio e regrado, só o Rogério teve necessidade de procurar um “Toni” em Vale de Cambra, mas para uma visita rápida e descomprometida.

Adeus até ao meu regresso
Este grupo é mesmo muito organizado. Já está prometido e alinhavado com pormenores mais uma ida a Trás-os-Montes, logo que mude a hora. Quase só falta acertar a data. Mas mais, enquanto esse longínquo e ansiado dia não chega, não podemos perder tempo. Tratou-se já da próxima viagem, tendo-se mesmo fixado a data e seleccionado o local e a ementa: será em 7 de maio, novamente no Mira Freita, para voltarmos a saborear o cabrito serrano. Não é só pelo gosto de repetir: desejamos compartilhar estes inolvidáveis e saborosos momentos com as nossas consortes (com sorte), que sabemos estarem ansiosas por esse dia, há muito prometido e mais que por uma vez adiado.
“Uma vez sem exemplo”, ouvi eu no carro. E, como cronista fiel, não posso deixar de registar com precisão o que ouvi com estes que a terra há-de comer, mesmo que a expressão não traduza o verdadeiro sentimento de quem proferiu tão oportuna quão assertiva e assassina frase, embora sem lhe medir as consequências (obviamente, isto não pode sair daqui. Todos os cuidados são poucos e nestas coisas elas não perdoam).
Como não podia deixar de ser, o Mota ditou sábia sentença: “entretanto, e como o 7 de maio ainda vem longe, podemos no meio organizar um novo almoço só para nós, para desenferrujar a língua e não perder o ritmo” (a tradução é livre, pois a memória não registou a frase sic).
E sem mais nada de especial digno de registo acabamos por chegar a Valadares. Aí nos despedimos com um até já, já com saudades do futuro encontro no Mira Freita.

O secretário/cronista
Alexandre Ribeiro

Nota final: O vídeo já nem era necessário mas... "o prometido é devido"! Aqui fica, portanto. Vejam em ecrã inteiro para verem melhor.


sexta-feira, 28 de março de 2014

Passeio do Grupo 5.com(e) à Serra da Freita (IV)

Finalmente
Depois de uma descida até ao sopé da serra finalmente chegamos ao Mira Freita, em Felgueira, o ponto mais almejado desde a nossa saída, local onde iríamos confortar o estômago e proporcionar uma onda de requintados prazeres ao palato. Faltavam ainda 5 minutos para a hora marcada. O Mota programou a coisa com todo o rigor.
O restaurante é enorme, com espaço para quase 200 comensais, com amesendação simpática, a não merecer qualquer reparo. Como era meio da semana a afluência era escassa, deixando-nos à vontade para uma conversa descontraída, mesmo que porventura viesse a descambar para o desbragamento (o que obviamente não aconteceu, como é apanágio deste grupo).
Pelas bandeiras portuguesa e suíça ostentadas em frente ao edifício, que a brisa fazia ondular nos mastros em suaves movimentos, concluímos que o restaurante pertenceria a um português provavelmente ex-emigrante na Suíça que, soubemos, agora produzia vinho numa quinta em Sever do Vouga.
Comodamente instalados, passamos ao que interessaAbrimos as hostilidades começando
por uns tradicionais rojões de porco conservados no pingue, à antiga (que deixaram o Mota a calcorrear com nostalgia os caminhos e sabores da infância) acolitados por saborosa morcela tradicional caseira.
Para melhor aconchego mandamos vir um verde tinto da “Quinta do Patrão”, leve e saboroso, servido em pequenas canecas, o que obrigou o empregado a ter de proceder ao reabastecimento vezes sucessivas.
E veio então o cabrito, servido em assadeira de barro, com honras de verdadeiro campeão, profusamente ladeado de folhas de louro. Um cabritinho daqueles que não enganam: carne tenríssima, nacos suculentos, assadura no ponto, tempero com sapidez milimétrica. A quantidade - 3 doses para 5 galfarros - foi exactamente quanto baste: deu para ficar plenamente satisfeito, embora se mais viesse não iria sobrar nada, com os inconvenientes que se conhecem. Como acompanhamento veio um arroz malandrinho de carqueja, com as flores
da dita a boiar à superfície. Em complemento ou alternativa havia legumes, batata cozida e nabos.
A lista de sobremesas, não sendo extensa, era suficiente. Quantidades generosas, sabor agradável. Para culminar esta refeição de príncipes da idade média, o serviço foi concluído com os inevitáveis cafés e umas reconfortantes aguardentes para os apreciadores.
A conta não ofereceu surpresas: 20 euros por bico, englobando já uma algo pífia gratificação ao garçon, sempre prestimoso, amável, discreto e eficiente.

Como "sobremesa" extra assistiu-se, na varanda voltada a sul, a um animadíssimo despique em matraquilhos, que opôs uma equipa mista Porto/Benfica (Rogério e Bernardino) aos declarados portistas Jorge e Alexandre. Depois de um robusto 5-1 na primeira partida, favorável aos portistas Jorge/Alexandre, os adversários acabaram por ganhar terreno, nas três restantes partidas, sempre renhidas e disputadas até ao fim, registando-se um empate e dois resultados tangenciais favoráveis à dupla mista Rogério/Bernardino.

Vale de Cambra
Terminado o repasto havia que queimar os últimos cartuchos, antes de regressar a casa.
O que é bom acaba sempre depressa. Para não falar em outros exemplos (porventura de sabor mais intenso e excitante), recordo apenas a saudade dos adeptos de Mary Quant, quando diziam o mesmo: “o que é bom acaba depressa. Por isso é que a moda da minissaia durou tão pouco tempo”.
Descemos, assim, até Vale de Cambra, calmamente, para não apressar o tempo.
Aí preenchemos o habitual euromilhões, sempre com a expectativa e a promessa de que a próxima viagem seja de helicóptero, para saborear de forma condigna o jackpot que um dia, fatalmente, se atravessará no nosso caminho.
Ficamos numa acolhedora esplanada a conversar um pouco, enquanto ajudávamos a digestão com as águas da praxe.
(Continua...)