Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

E pronto. Nunca mais se viram!

Era o último dia do mês de Agosto. 
Atravessávamos um período político muito crítico e que ficou conhecido como o Verão Quente de 1975. Em pleno Período Revolucionário em Curso (PREC) que foi, de facto, um tempo marcante na História de Portugal, que teve início com o golpe militar de 25 de Abril de 1974 e viria a culminar (cerca de três meses depois) com o golpe militar de 25 de Novembro.

O Café Liz estava cheio com os clientes habituais, com a malta vinda de vários lados de Vila Flor e com alguns emigrantes mais retardados que ainda não tinham regressado ao País de acolhimento. Era mais um dia de convívio para uns e de despedidas para outros. Enquanto uns conversavam em pequenas tertúlias, outros jogavam snooker ou bilhar livre. Outros ainda visionavam o programa de Domingo à tarde que passava no ecrã da enorme televisão colocada mesmo por cima da porta de entrada do Café. Os restantes esgotavam todos os lugares do espaçoso Café. Cá dentro e lá fora na pequena esplanada não havia nenhuma mesa livre. 

Até que, entra uma bela e jovem mulher, curvilínea, irrepreensivelmente vestida, desconhecida de todos e que atraía os olhares dos homens, uns de forma disfarçada, outros de maneira ostensiva.
Caminhando por entre as mesas e contornando as duas mesas de bilhar a jovem mulher tentava descobrir, sem êxito, um lugar para se sentar. Fixou os seus olhos azuis, amendoados, numa mesa, lá ao fundo onde eu me encontrava sozinho e absorvido na leitura de um artigo do jornal O Comércio do Porto, que explicava como Pinheiro de Azevedo dava início às primeiras diligências para a formação do VI Governo Provisório.
- Desculpe-me estar a incomodá-lo, mas não consigo encontrar nenhuma mesa livre. Importa-se que me sente à sua?
Levantei os olhos do jornal, aparentemente surpreendido pela beleza daquela mulher, puxei uma cadeira e convidei-a a sentar-se, indiferente aos sorrisos da malta que seguia a cena: - Faça favor! É um prazer!
Sentou-se e agradeceu: - É muito simpático. Reparei que foi o único homem que, educadamente, não me "comeu" com os olhos enquanto eu procurava lugar.
- Estava a ler e, quando estou absorvido na leitura, consigo abstrair-me completamente de tudo o que me rodeia - esclareci com o meu melhor sorriso.
- Você, além de simpático, é um rapaz polido e de boas maneiras.
- Oh!!! Obrigado, acho que não fiz nada de mais – respondi, algo envergonhado, ao mesmo tempo que pousava delicadamente a palma da minha mão nas costas da mão dela.
Ela pareceu gostar daquele toque carinhoso. Retribuiu, olhando-me directamente nos olhos.
Desviei o olhar procurando concentrar-me no outro lado da rua onde o Sr. Eusébio Ápio Garcia, na sua loja de electrodomésticos, provavelmente gaguejando, mas de forma tranquila, dava orientações ao seu jovem e "Puto" empregado.
Quebrei o silêncio que se seguiu perguntando: - e o que faz uma jovem e bonita mulher, sozinha, em Vila Flor?
- Estou de passagem. Fui colocada na escola primária de Sampaio e vou para lá ainda hoje para, com tempo, arranjar uma casa, conhecer a escola e a própria aldeia…
Depois de uma pausa, enquanto a Maximina lhe servia o café, perguntou: - Como se chama?
- Bernardino, sou o Bernardino!
- Eu chamo-me Adosinda e gostava de o conhecer melhor...  Não quer ir visitar-me, lá à aldeia, amanhã?
- Amanhã!? A partir de amanhã o meu destino está fora de mim, não me pertence e não sei se fará parte do seu. Amanhã, dia 1 de Setembro, parto para a Escola Prática de Cavalaria de Santarém onde vou iniciar o serviço militar obrigatório. Sim, amanhã vou para a tropa e é única certeza que tenho sobre o amanhã…

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E pronto. Nunca mais se viram!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Renegar o tempo...

Agora que estou longe do reboliço dos horários, agora que os toques estridentes da campainha já não me chamam, agora que as horas, os minutos e a loucura exasperada dos relógios já não me controlam, agora que as reuniões intermináveis e as regras impostas pelo trabalho diário já não me perturbam, permanecer aqui nesta minha sossegada e plácida realidade tem um sabor agridoce e deixa-me com sentimentos contraditórios.
Por vezes o tempo que tenho para passar e ocupar o tempo é tão penoso que provoca a minha fuga constante. Por vezes até penso que vou passar o tempo a negar o tempo, as horas, os minutos e os segundos dos dias que me restam. Outras vezes desejo não estar aqui e vou para ali a pensar que nunca voltarei mas... a desejar voltar o mais rapidamente possível.

Hoje, ao acordar, não queria acordar, nem colocar os pés no chão e voltar à rotina cinzenta dos dias...
Apetecia-me negar o tempo que passa vagarosamente, partir-lhe os ponteiros, quebrar-lhe as asas. Apetecia-me fazer tudo isso e muito mais.

Mas nada do que fizesse adiantaria, porque voltar à realidade é sempre uma inevitabilidade e, pensando melhor (a meio da manhã e já bem desperto), também cheguei à conclusão que tenho um tempo que, por ser bom demais, passa muito rapidamente.  E tenho tanta, mas tanta, coisa boa para amar, apreciar e desfrutar... ainda por cima com todo tempo do mundo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

sábado, 7 de dezembro de 2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Por que não devemos votar em corruptos...

Parece perseguição, mas juro que não é. 
Infelizmente é a realidade que muitos continuam a apoiar e pouquíssimos a denunciar... 
Bem-haja José Gomes Ferreira, um dos poucos a fazê-lo e que aqui deixa, bem expressas neste vídeo, as mentiras de Sócrates.

"1ª MENTIRA- Afirmou que Portugal podia ter feito como Espanha e Itália e evitar a troika... Mas todos sabemos que Teixeira dos Santos, o seu ministro, disse-lhe que já só havia dinheiro para um mês de salários. Está dito, escrito e documentado. 

2ª MENTIRA - Sócrates diz que a divida pública sobe 30% de 2010 para 2012, insinuando que foi o PSD o culpado pela divida.
Esta é a maior mentira que se pode dizer a um povo, pois esse aumento resultou de a troika ter chegado e ter exposto o verdadeiro deficit do estado que estava escondido. É uma vergonha esta mentira.

3ª MENTIRA - Sócrates afirma que os encargos líquidos das PPP que ele deixou, era de 23 mil milhões de euros, mas citando o estudo de uma consultora que ajudou a criar estas parcerias, e contribuiu para o descalabro, conclui que, os encargos líquidos das PPP todas, incluindo as 8 de Sócrates, são de 32 mil milhões de euros. Encargos brutos, 45 mil milhões.

4ª MENTIRA - Cavaco Silva não foi a oposição, foi sim conivente,  mais uma vez ficou calado, enquanto o governo Sócrates se metia neste descalabro de endividamento das Estradas de Portugal. E o presidente foi avisado.

A história repete-se há décadas, foi desta forma que o PSD ganhou ao PS...  e o PS irá ganhar ao PSD, mas Portugal e os portugueses, são os que perdem sempre, por pura burrice e ingenuidade.
Os abutres, oportunistas, aparecem quando alguém está moribundo. 
Os cobardes ganham força, quando o inimigo está caído.
Os incompetentes, chegam a parecer competentes, quando reina o caos.
Os corruptos parecem santos, quando o diabo está à solta.
As crises provocadas por todos eles, servem de arma para os colocar de novo no poleiro."

E é assim que ao longo de mais de (quase) 4 décadas se elegem criminosos e incompetentes... digo eu.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Mário Soares a "reflectir"...

... antes de assinar o Manifesto  divulgado anteontem, em que se apelava à participação política e cívica dos cidadãos.
Nessa meditação esteve incluída, com certeza, a razão pela qual não houve razões para idêntico manifesto e o direito à indignação, no tempo da governação do eng. Sócrates.
Esta cogitação profunda “levou-o” ainda até à Fundação Mário Soares e tentou entender a razão por que são aí investidos tantas centenas de milhares de euros - por ano - do erário público! 

E, como não entendeu, adormeceu... sobre o dinheiro aí derramado...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A bola...

No dia em que Bill Gates promove os preservativos do futuro eu prefiro, para descomprimir desta terrível constipação que me arrasou durante esta última semana, deixar aqui este pequeno filme de Orlando Mesquita (Moçambique) que mostra como os preservativos podem ser usados de forma alternativa a... 

Mais a sério. Não queria deixar passar esta data (25 de Novembro) sem invocar uma das grandes figuras da nossa democracia o General Ramalho Eanes...

sábado, 23 de novembro de 2013

Afinal não é múmia paralítica...

No dia 1 deste mês publiquei aqui um post que denominei de A "múmia paralítica"...
Nessa mensagem alertei para o risco iminente de o presidente da República não pedir a fiscalização preventiva da constitucionalidade do regime de convergência de pensões entre o sector público e privado, que pretende (ou pretendia?) reduzir cerca de 10% nas pensões superiores a 600 euros pagas pela Caixa Geral de Aposentações.
Hoje, dia 23 de Novembro de 2013, Cavaco Silva contrariou um pouco aquilo que eu pensava dele e por motivos que merecem uma análise mais rigorosa a aprofundada… anunciou que pediu a fiscalização preventiva aos juízes do Tribunal Constitucional dessa medida que o Governo quer aplicar em 2014.

Só me resta dizer: Senhor presidente da República prometo que nunca lhe chamarei de “múmia” e muito menos de “múmia paralítica”...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Receba as flores que lhe dou...

Era o fim de um dia do mês de Maio. Mês de Maria, mãe de Jesus Cristo, segundo a Igreja Católica. Um rapaz de 15 anos e uma rapariga de 14. Ela dirigia-se para a Igreja Matriz para a novena diária, própria desse mês. Ele para o Café Liz (Café de Baixo), a fim de jogar bilhar com os amigos. Cruzaram-se, olharam-se profundamente nos olhos e, sorrindo, pararam um mesmo em frente do outro. Um calor de fim de tarde primaveril parecia agredir os dois como chapas de zinco expostas ao sol de verão. Agarraram-se para uma fotografia, sorridentes. E ela, esticando-se um pouco, beijou-lhe a face. E tudo ficou ainda mais quente, porque aquele beijo, que nenhuma fotografia capturou, foi um beijo de lábios quentes. Naquele beijo, ela disse-lhe “eu gosto de ti”. E ele em silêncio disse-lhe “eu quero-te” e ouviu como resposta “sou tua”. Não foi um beijo de prazer passageiro. Não foi um beijo de passatempo. Naquele beijo estava toda ela. Doce. Vibrante. Menina. Mulher.

Este é um conto curto. Mas não precisa de mais nada a não ser deste vídeo que pode não dizer nada mas que também pode dizer tudo…
E por aqui me fico.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

sábado, 9 de novembro de 2013

Tavira, um ano depois!

Este vídeo já tem mais de um ano mas... é sempre bom recordar os bons momentos.
Pelas fotografias e, sobretudo, pela música dessa grande banda que me acompanhou na minha adolescência, os "Credence Clearwater revivel"... 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

As premonições de Natália Correia...

"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".
"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".
"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".
"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".
"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

 "As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir"."
 Natália Correia

Nota: Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta.

domingo, 3 de novembro de 2013

Os diplomas de doutor-burro...

"Numa aldeia para os lados de Bragança havia um lavrador rico que resolveu mandar um filho estudar. Queria que fosse doutor. O rapaz foi então para Coimbra, e levou com ele um cavalo e um criado. Só que o tempo foi passando, e o rapaz, em vez de estudar, passava os dias na vadiagem, com o criado a fazer-lhe todos os améns. A data altura, como já tinha passado o tempo bastante para ser doutor, o pai mandou-o regressar à sua terra, dizendo que não se esquecesse de trazer o diploma. O rapaz dirige-se então ao reitor, e diz-lhe que o pai o tinha mandado ir para a terra, e que levasse o diploma. O reitor que lho desse, portanto. O reitor sim senhor. Lá lhe passou o diploma. O rapaz ficou todo contente, pegou no cavalo e no criado, e preparou-se para seguir viagem. Só que, quando ia a sair de Coimbra, diz-lhe o criado:
– Ó menino, estou aqui a matutar numa coisa, e tenho que lha dizer…!
– Então diz, rapaz, fala à vontade!

– Quando o menino veio pra cá pra ser doutor, eu vim também. O que o menino fez, eu também fiz. E então não acha justo que, se o menino leva um diploma, eu também deveria levar um?

O rapaz pôs-se a pensar, e teve de dar razão ao criado. Voltaram então para trás, e lá foi ele outra vez bater à porta do reitor a pedir um diploma também para o criado. Expôs-lhe as razões, e o reitor, claro, não disse que não. Deu-lhe também o diploma. Depois, já no caminho, como a obtenção dos diplomas tinha sido tão fácil, o criado diz ao patrão: 
– Ó menino, se pensarmos bem, o que nós os dois fizemos também fez o cavalo. Acompanhou-nos sempre. E acha justo agora nós levarmos um diploma cada um, e ele ir sem nenhum? 
– Pensando bem... – diz o patrão. E volta então atrás a pedir mais um diploma ao reitor. Lá lhe voltou a expor as mesmas razões, e o reitor até concordou com ele. 
– Eu o diploma, até lho dava, só que não posso. Não tenho mais. Acabaram-se.
Mas o rapaz insistiu: 
– Ó senhor reitor, e não tem ao menos um diploma de doutor-burro? Ainda que ele seja um cavalo, estou certo que não se há de importar…!
E diz-lhe então o reitor:
– Ó homem, não insista. Os dois últimos diplomas de doutor-burro que tinha já foram os que lhe dei!!!"

(PARAFITA, A. – Antologia de Contos Populares, Vol. 2, Lisboa, Plátano Editora, 2002)

Nota: O Sócrates é transmontano, o Vara também!!! Será que... ??

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A "múmia paralítica"...

Já ouvi muita gente chamar de “múmia” ao actual Presidente da República portuguesa. Os argumentos são quase sempre os mesmos e fundamentam-se no facto de, em momentos decisivos da nossa vida económica, social e política (como são estes que atravessamos) ele se esconder num mutismo estranho para lá dos altos muros do Palácio de Belém.
Nunca gostei de rótulos, por conseguinte ainda não chamei vez nenhuma de "múmia" a Cavaco Silva. Mas... se se confirmarem as minhas suspeitas (alicerçadas no pouco que ele vai dizendo nas suas fugazes e intermitentes intervenções) e ele não pedir a fiscalização preventiva da constitucionalidade de algumas das medidas previstas no orçamento de estado para o próximo ano, então... bom... então terei mesmo de ponderar se o irei chamar simplesmente de “múmia” ou de... "múmia paralítica"!
De facto, se ele não fizer nada e não pedir a fiscalização preventiva, faz mal, muito mal ao nosso País! Sobretudo porque não cumpre as funções para o qual foi investido, ou seja, “cumprir e fazer cumprir a Constituição…”.   
Se não agir rapidamente e com sentido de estado, exigindo que as leis da Constituição da República sejam respeitadas está a dar razão a quem lhe chama "múmia"! E, mais importante do que isso, perde a oportunidade de resolver de forma mais ágil esta questão, impedindo que se crie (como é previsível) um clima de insegurança financeira que as dúvidas levantadas vão com certeza provocar.
Todos sabemos que algumas das medidas tomadas por este governo têm suscitado fortes objecções quanto à sua consonância constitucional, nomeadamente a convergência das pensões entre o sector público e privado de forma retroactiva, pela quebra do princípio da confiança legítima.

É nos momentos difíceis que os grandes estadistas se destacam e mostram a sua grandeza.
O Presidente da República tem aqui a oportunidade de demonstrar que é um estadista (desconfio que grande nunca será) impedindo que o actual governo crie este novo imposto extraordinário (confisco) sobre o rendimento dos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações que, de boa-fé e cumprindo a lei vigente, fizeram os seus descontos durante toda a carreira...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ora digam lá...



Obs: O fundo de cor cinzenta é para que um amigo meu possa ler melhor... :-)

sábado, 26 de outubro de 2013

De bancário a banqueiro…

Ou o exemplo oposto (dos muitos possíveis) ao que aqui deixei no último post.

Falemos então de Armando Vara, essa inextinguível figura do socratismo.
Da biografia de Vara pode extrair-se que nasceu em Lagarelhos, Vilar de Ossos, Vinhais, a 27 de Março de 1954.
Foi(!) administrador bancário e político. Estudou(?) Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, tendo abandonado a universidade sem obter o diploma de licenciatura. Em 2004, antes de ter qualquer licenciatura, obteve (!!!) um diploma de Pós-Graduação em Gestão Empresarial no ISCTE. Mais tarde obteve o diploma de licenciatura no Curso de Relações Internacionais na agora defunta Universidade Independente, três dias antes da sua nomeação para a Administração da Caixa Geral de Depósitos.
Um mês e meio depois de ter abandonado a Caixa Geral de Depósitos para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Português, foi promovido(!) no banco público ao escalão máximo de vencimento, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma.
Actualmente recebe do estado (de todos nós… mesmo dos aposentados como eu) uma subvenção vitalícia mensal!!!

Pessoalmente, considero Armando Vara um dos casos paradigmáticos de maior sucesso do Governo de José Sócrates, que - pasme-se - conseguiu transformar um bancário local (Balcão da Caixa Geral de Depósitos de Mogadouro) num banqueiro de sucesso nacional.
Armando Vara que, no âmbito do processo Face Oculta, do qual é (ou foi) o principal arguido, garantiu que as únicas prendas que recebeu de Manuel Godinho foi um Pão-de-Ló e uma caixa de Robalos. Não consegue, no entanto - coitado - livrar-se da justiça que, noutro espaço de jurisdição, investiga de onde vieram os 800 mil euros da diferença entre os rendimentos auferidos e o dinheiro que entrou nas suas contas bancárias, em 2008 e 2009.
São 800 mil euros não declarados ao Estado que o podem levar a responder pelos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, na sequência de uma certidão já extraída do processo principal e cuja investigação foi entregue ao DIAP de Lisboa.

Entretanto, na imagem, Vara surge em pose contemplativa, quando ainda era dirigente do BCP.
No fundo, bem lá no fundo, Vara só está a olhar para mais um banco – a sua inquestionável especialidade. Neste caso, é o banco ou a cadeira em que se sentava... Bárbara Guimarães.

Armando, enfim, não passa de uma figura (um cromo) que ilustra bem o estilo dos políticos que têm desgovernado este País...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

General Ramalho Eanes...

Ramalho Eanes, perante as dificuldades financeiras da Presidência da República, vendeu... sim, VENDEU A SUA PRÓPRIA CASA DE FÉRIAS, na Costa da Caparica, para pagar os custos inerentes à Presidência da República... ou seja, custos que deveriam ser suportados pelo Estado... Mais, não tendo, efectivamente a Presidência fundos suficientes, Ramalho Eanes mandou virar dois fatos (na altura ainda se usava recompor e remendar a roupa...), sendo que o alfaiate (do Norte) lhe ofereceu tecido para lhe fazer outros dois... Pois... Ramalho Eanes não usava Armani... Quando pretendia falar ou aconselhar-se com alguém, convidava-o não para jantar, mas para tomar chá no fim do jantar para evitar custos desnecessários ao Estado... Consta até que lhe terão oferecido acções da SLN-BPN, mas recusou...
Mas mais, muito mais...
Aquando do seu segundo mandato presidencial, Ramalho Eanes foi confrontado com a aprovação, pela Assembleia da República, de uma lei, especialmente criada com a intenção de lesar os seus legítimos interesses. De facto, a chamada lei ad hominem (a lei para aquele homem), foi criada para evitar que o General Ramalho Eanes viesse a acumular o seu salário de Presidente da República com "quaisquer pensões de reforma ou sobrevivência que auferiam do Estado", isto é, com a sua pensão de General 4 estrelas. Mas, Ramalho Eanes não obstante estar consciente da intenção dolosa desta lei soarista e das suas implicações na sua futura reforma, não hesitou em promulgá-la. E, quando concluiu o mandato presidencial, Eanes optou pela sua reforma enquanto Presidente, por serem estas as suas últimas funções, prescindindo da sua reforma enquanto General de 4 estrelas... Anos depois, após parecer do Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, segundo o qual todos os Presidentes deviam ser tratados de igual forma, a referida lei foi revista por iniciativa de José Sócrates. E, não obstante, poder ser ressarcido dos retroactivos que lhe eram devidos e que se cifram a 1300 milhões de euros, Ramalho Eanes recusou recebê-los!
Ramalho Eanes é, portanto, um exemplo a seguir... E, por isso mesmo, lhe dou cinco das suas estrelas!
É o único que merece todos os privilégios por ter sido Presidente da Republica!

Bem haja General...


Nota 1: 
Este texto não é meu, mas deixo-o aqui mesmo assim porque explica, de certa forma, a razão pela qual aderi naquele tempo ao sonhador e idílico (neste País de políticos mentirosos e corruptos) Partido Renovador Democrático.

Nota 2: E... como ninguém é perfeito :-) ele é adepto do FCP... carago!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Obrigado Troika!!!!????

Depois de uma noite mal passada a tentar resolver problemas de acessibilidade ao blogue por conteúdo inserido numa página de distribuição de programas maliciosos, nada melhor do que me distrair vendo e ouvindo este engraçado (mas muito bem feito) vídeo.

Nota: Ainda gostava de saber quem tentou instalar malwares no meu computador através deste blogue. Que mal é que eu fiz?? E a quem????

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Agnóstico praticante me confesso…

Como bem percebeu quem leu o último post sou de facto um agnóstico praticante.

Não acredito em nenhuma das religiões inventadas pelo homem e para o homem. Na verdade eu acho que a religião é uma das armas mais poderosas e perigosas.
Sem ter que recordar o que aconteceu no tempo da Inquisição, basta-me constactar o que vai acontecendo, ainda hoje, por esse Mundo fora, especialmente no mundo árabe e islamita, para comprovar que a Religião, seja ela qual for, quando levada ao extremo e de forma fundamentalista, é a arma de demolir mais perfeita que o homem criou. 
Esta arma destrói o corpo, o alento e a paz interior.

Eu acredito sobretudo nas pessoas.
Em algumas pessoas que por vezes se confundem com aqueles personagens mitológicos que tanto me fascinaram na minha infância e adolescência... as Musas. Essas pessoas transmitem-me uma boa onda e são capazes de extrair de mim aquilo que de bom também ainda vou tendo. Se fosse um artista de certeza que me dariam todo o talento e inspiração.
Essas pessoas nasceram com um talento especial para a criação e activação do talento e da sensibilidade de quem as rodeia, ao mesmo tempo que provocam uma enxurrada de ideias e de sentimentos com um ligeiro movimento de pálpebras, ou um sorriso insinuante...

Acredito também na natureza.
É reconfortante fazermos uma corridinha à beira mar, sentindo a brisa fresca no rosto, sob um sol brilhante e o azul do céu.
Ou no campo fazermos um qualquer percurso numa atitude descontraída, aproveitando a oportunidade para olharmos para as árvores com seus ramos e folhas oscilando ao vento num sussurro agradável e apreciarmos as flores e a sua beleza natural.

Em qualquer destes casos o corpo sente-se desafogado, rejuvenescido, e a mente fresca e enlevada…