Eram
5 horas e 30 minutos dessa noite cerrada que nunca mais acabava e ainda
não se vislumbravam sinais de que a luz do sol iria aparecer tão cedo. A dor e
o desconforto não me deixavam dormir nem me deixavam fazer aquilo de que tanto
gosto: ler e escrever.
“É
ensurdecedor o barulho que este silêncio faz!”. Esta citação que ouvira, ou
lera algures, ajustava-se justamente àquele instante em que sentia a alma cheia de
uma dose extra de dor, tristeza e… silêncio. Ao mesmo tempo que os meus ouvidos
se "enchiam" com esse barulho silencioso, receei não me lembrar destes pensamentos/tormentos no momento em que, utilizando o teclado, os quisesse transferir
para o texto.
É o que estou a tentar fazer neste momento… embora com medo de que a minha memória me traia mais uma vez e que essa mensagem se perca...
Sempre admirei a Joan Baez, sobretudo após a Revolução dos Cravos do dia 25 de Abril de 1974. E essa admiração deve-se não só à sua voz melodiosa mas também, e sobretudo, às letras das suas canções, que sempre revelaram uma personalidade lutadora e interventiva.
Ela
cantava pela liberdade dos povos oprimidos, pelos direitos civis, contra o
racismo, contra a guerra e… pela paz e amor.
Eu identificava-me com tudo isso e tocava-me profundamente.
Ao ouvi-la nessa noite no Coliseu não pude prender o pensamento que “voou” para o ano de 1978 e para a lindíssima vila de Monção. Numa noite também de insónias e do meu quarto que alugara na Pensão Central, contemplava com olhar triste o exterior e o céu estrelado que perscrutava através da janela. No meio dessa solidão, natural de quem tinha chegado há pouco tempo a uma terra desconhecida para dar início à minha carreira profissional, escutava, para me abstrair dos meus pensamentos, os rumores e murmúrios da rua e da Praça Deu-la-Deu Martins, enquanto ouvia várias canções da Joan Baez, nomeadamente Diamonds and Rust - Live.
Eu identificava-me com tudo isso e tocava-me profundamente.
Ao ouvi-la nessa noite no Coliseu não pude prender o pensamento que “voou” para o ano de 1978 e para a lindíssima vila de Monção. Numa noite também de insónias e do meu quarto que alugara na Pensão Central, contemplava com olhar triste o exterior e o céu estrelado que perscrutava através da janela. No meio dessa solidão, natural de quem tinha chegado há pouco tempo a uma terra desconhecida para dar início à minha carreira profissional, escutava, para me abstrair dos meus pensamentos, os rumores e murmúrios da rua e da Praça Deu-la-Deu Martins, enquanto ouvia várias canções da Joan Baez, nomeadamente Diamonds and Rust - Live.
Regressando ao concerto, e nesta
ambiguidade entre a dor física e o prazer espiritual, apesar das dores que sentia fui desfrutando da forma como Joan
Baez foi interagindo com o público, falando sobre várias das canções antes de as tocar e procurando integrar-se connosco sobretudo quando, de forma inesperada, começou a cantar, em português, o clássico de Zeca Afonso "Grândola Vila Morena", sendo acompanhada por todo o público que, por sua vez, lhe foi enviando para o palco vários cravos vermelhos. Vivi, emocionado, este momento empolgante.
Por sua vez o mestre Agostinho da Silva diria que “o melhor é não fazermos muitos planos para a vida para não baralharmos os planos que a vida guardou para nós”.
Já eu (e embora não seja um fatalista) só me apetece dizer: Porra! (E uns palavrões depois) Que merda... estas hérnias discais a chatearem-me... que não me deixaram desfrutar a Joan Baez... que não me deixam dormir e que não me deixam escrever confortavelmente...
Amigo Bernardino
ResponderEliminarInvejo-te a sorte. Não das dores, obviamente (essas compreendo-as e partilho-as), mas de teres assisto ao concerto da Joan Baez, artista que igualmente me marcou na juventude e sobre quem perfilho exatamente as mesmas opiniões que tu.
Um abraço, com os votos de rápida recuperação.
Obrigado amigo. Tudo de bom também para ti. Um abraço
ResponderEliminar