Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Alzheimer do Governo Alemão (I)

A propósito da visita a Portugal da chanceler alemã Angela Merkel (que hoje foi recebida no Palácio de Belém pelo presidente da República, Cavaco Silva e foi, de seguida, para o Forte de S. Julião da Barra, onde almoçou com Pedro Passos Coelho) convém relembrar que foi feito um vídeo de promoção de Portugal, por sugestão do Professor Marcelo  Rebelo de Sousa.   
Ora, segundo consta, o governo alemão recusa-se a exibir publicamente esse vídeo. Por outro lado, toda a comunicação social alemã manipula enormemente tudo o que diga respeito a Portugal e Grécia. 

Alguém disse e eu concordo que a ingratidão dos países, tal como a das pessoas, é acompanhada quase sempre pela falta de memória.
Por tudo isso recolhi os seguintes dados e factos históricos que deixo aqui para que todos possamos recordar e divulgar

1. Em 1953, há menos de 60 anos - apenas uma geração - a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país.
Tal qual como Portugal e Grécia actualmente.

2. A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que entraram em incumprimento na década de 30 após o colapso da bolsa em Wall Street. O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo Reino Unido.
Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no pós-guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA), de 1953. O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na crescente economia alemã.

3. O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia.


4. As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial. Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas. Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento da dívida.

5. Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrota em que se encontrava. Ora os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros.

Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas do exército alemão de ocupação. As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome). Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.
(continua...)

sábado, 10 de novembro de 2012

Falar de comida é coisa baixa ... para quem já comeu!

Ando a tentar manter-me calmo, mas há alturas em que aquilo que é dito me agride de tal forma que acordo; a bicada é tão forte que desperto do meu sono letárgico. 
Será que quem abre a boca e deixa sair coisas não repara que algumas delas têm cheiro infestante, podre, pestilento e que isso incomoda as mentes e os narizes mais insensíveis, mesmo daqueles que, por força das circunstâncias, já usam máscara?
 
Primeiro ouvimos o Sr. António Borges, conselheiro do primeiro-ministro para as privatizações, dizer com a arrogância de quem aufere um salário mensal de 225 000.00 euros: “Diminuir salários não é uma política é uma urgência.  
Vem agora a Sra. Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, com um “discurso caridoso” alertar para o «efeito perverso» do Estado Social, reafirmando e reproduzindo ainda a cassete de alguns dos governantes quando dizem que os portugueses “vivem muito acima das possibilidades”; que “vamos ter de empobrecer muito” e que “vamos ter de viver mais pobres”.

Depois de ouvir tudo isto, para além da conversa fiada dos políticos mentirosos que nos governam, tenho necessariamente de me revoltar e dizer basta! Que autoridade moral tem esta gente para falar assim?
Então as pessoas pobres e mesmo aquelas que pertenciam à classe média estão mal por culpa própria, por má gestão de recursos, por viverem acima das suas possibilidades? 
Está tudo doido ou quê???

Razão tem o criminalista Barra da Costa quando diz: “Portugal é hoje um paraíso criminal onde alguns inocentes imbecis se levantam para ir trabalhar, recebendo por isso dinheiro que depois lhes é roubado pelos criminosos e ajuda a pagar aos iluminados que bolsam certas leis”. 

Também o que disse Bertolt Brecht há mais de 70 anos tem agora a sua relevância: "Para quem tem uma boa posição social, falar de comida é coisa baixa. É compreensível: eles já comeram."

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Conquista

Para celebrar as 3000 visualizações de página a este blogue (que ontem se cumpriram) deixo aqui hoje mais um pensamento do escritor e poeta que mais admiro, não só por ser transmontano como eu mas sim por pensar e escrever desta maneira:
Livre não sou, que nem a própria vida
mo consente.
Mas a minha aguerrida
teimosia
  é de quebrar dia a dia
um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
que se afogou e flutua
entre nenúfares de serenidade
depois de ter a lua!


Miguel Torga 
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Retiro (VI)

Tive dúvidas se devia, ou não, citar-me a mim próprio. Hesitei muito em fazê-lo. Prevaleceu, no entanto, a minha vontade de finalizar o conjunto de posts a que chameiO Retiro” apresentando aqui as verdadeiras razões que o motivaram.

Para tal, deixo aqui a última mensagem que postei, em 22 de Julho de 2012, no meu outro blogue de nome RAXAlebre, e que diz o seguinte:

Interregno…

Este blogue está temporariamente encerrado ao público.
Vai assim estar enquanto durar este meu “retiro” do campo de batalha em que se transformou a Escola.
De momento respondo individualmente (e com as únicas armas que possuo) à guerra que o anterior governo declarou aos professores e que o governo actual generalizou a todos os funcionários públicos.
Depois de ter lutado colectivamente, fazendo greves, participando em todas as manifestações realizadas e ter chegado à conclusão de que perdemos a batalha com quem tem a faca e o queijo na mão, resolvi lutar sozinho -  não me rendendo ao "inimigo".

Quando acabar de lutar, regressarei - estou certo - vitorioso e, então sim, poderei concluir o meu trabalho e atingir os objectivos que defini para esse blogue, finalizando-o em simultâneo com a despedida da minha carreira profissional. 
Está para breve!

sábado, 3 de novembro de 2012

Viver e amar...



E todos nós vivemos, não por algum carinho
que possamos ter por nós próprios, mas
pelo amor daqueles que nos rodeiam.
                                                                                                                            
Tolstoi (1828-1910)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Paz...

Somos permanentemente conduzidos pelo caminho incansável do tempo, sobretudo deste tempo tecnológico que nos permite aceder a tudo e a todo o lado muito rapidamente.
Ainda em 2010, tivemos oportunidade de assistir praticamente em directo, pela televisão e pela internet, a diversas catástrofes naturais que mataram pelo menos 234 mil pessoas e afectaram quase 200 milhões no Mundo inteiro. 
Já em Março 2011, um terramoto de intensidade 9.0 na escala de Richer, no Japão, dizimou cidades e populações com mais de duas dezenas de milhares de mortos e desaparecidos. 
Agora, nestes dias finais do mês de Outubro, foi o furacão Sandy a fazer estragos, sobretudo na costa leste dos Estados Unidos e que vivemos, directa e intensamente, pelo telefone, televisão e internet (facebook, google e skype).

Por tudo isto julgo que o Homem tem que parar para reflectir. Valerá a pena continuarmos a agredir a Natureza quando sabemos que ela irá retaliar como, aliás, já vai fazendo? 

Paralelamente, vale a pena aliviar um pouco e repousarmos o olhar nas belas paisagens que o nosso país ainda tem para nos oferecer. 
 
O que pretendo transmitir com esta fotografia é uma grande paz, em contraponto com as desgraças citadas. 
A paz que senti quando captei na objectiva esta maravilhosa imagem na ilha de S. Miguel (Açores).

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Redundâncias linguísticas

Há dias a minha filha comentou um texto que aqui deixei, mais ou menos desta forma: «não gosto da forma como repetes vários termos e palavras para dizer mais ou menos a mesma coisa». “Acabas por ser redundante na tua escrita sem necessidade nenhuma”. Eu respondi-lhe: “eu também não”

Acho mesmo que revelo na forma de escrever um enrolamento de raciocínio e um rebuscamento de forma, que nunca me satisfazem e são provavelmente contrários às regras literárias em vigor. Mas já desisti de lutar por uma simplicidade, que me seduz por um lado, mas só me atrapalharia a escrita e me retiraria o prazer. É que o meu prazer na escrita não é, realmente, a busca ou a cultura de uma estética literária. 

Prefiro, isso sim, tentar comunicar de forma clara e entendível; expor uma ideia ou transmitir um desabafo, mas sem muita disponibilidade para trabalhar as subtilezas da complexa língua portuguesa. Mesmo que, por vezes, caia facilmente em formas de redundância linguística que me permitem transmitir maior expressividade e ressonância rítmica à frase e sobretudo aquilo que quero transmitir. 
Ou seja, consigo o que quero mas não da forma técnica mais correcta e, muito menos, com a competência literária que a minha filha gostaria que eu tivesse.

Como gostaria de ter sido eu a escrever "Vi, claramente visto, o lume vivo"!!! 
Mas foi o génio de Camões, no Canto V dos Lusíadas e... não é linda esta forma redundante de dizer?