Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.
Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!
quinta-feira, 30 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
sábado, 25 de maio de 2013
Georges Moustaki
Deixo aqui hoje a minha homenagem ao cantor e compositor francês, de origem grega, nascido no Egipto, que morreu na última
quinta-feira, dia 23-05-2013, em Nice, aos 79 anos, vítima de uma doença respiratória incurável.
Moustaki teve, na minha juventude, um enorme êxito como cantor com temas como: "Milord" (1958), escrita para Édith Piaf, e "Le Métèque" (1969),
cantada pelo próprio Moustaki e por Pia Colombo, "Sarah", "Ma Solitude" e "La Dame
Brune".
Como compositor Moustaki escreveu cerca de 300
canções para os principais intérpretes franceses, como Édith Piaf ou Yves
Montand.
A mim impressionou-me particularmente como poeta e com "Portugal", tema
dedicado à revolução do 25 de Abril.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Agora Lisboa! Porque merece e para que não fique invejosa...
Todos sabemos que Lisboa é uma das cidades mais bonitas do Mundo.
Não deixa, no entanto, de ser curioso que sejam dois cidadãos belgas a homenageá-la com esta
belissima canção e com este poema lindíssimo.
Ora apreciem!
(Em full screen podem ver melhor)
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Fusão Porto-Gaia? É só seguirmos o exemplo do arco-íris…
(clique na foto para ampliar a imagem)
Obs: Esta bela fotografia foi-me enviada pelo meu amigo R. C. do Grupo 5pontocome.
Obrigado amigo
terça-feira, 14 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
E foste tu para psicologia...
Acendeu o último cigarro que
tinha tirado uns segundos antes do maço SG Filtro.
Como acontecia ultimamente e
desde há várias noites, a insónia vencia-o e assim como as cinzas sinistras do
cigarro se esboroavam, também as suas ideias se lhe esbatiam, impossibilitado
de as encadear e de engendrar um raciocínio consequente.
Ali do seu quarto situado no 9º
andar do prédio nº 9 da Rua Ferreira Borges, os olhos passando por cima do
telhado do Hotel Astória divagavam pela mata Nacional do Choupal, corriam sem
se deter pelo estádio Universitário de Coimbra, pela Ponte de Santa Clara, e
imaginavam a aldeia de Bencanta.
Era ali que dormia a sua amada,
lá para os lados da Escola de Regentes Agrícolas que nesse mesmo ano e rapidamente
se transformara na Escola Superior Agrária de Coimbra, do Instituto Politécnico
de Coimbra.
Nunca se tinham falado, mas
apaixonara-se por ela desde o primeiro dia em que a viu num baile em S.
Martinho do Bispo onde tinha ido com uns colegas de curso há umas semanas
atrás.
Nuvens baixas e silenciosas
vindas do Mondego e do Choupal começavam a cobrir lentamente, as casas da Rua
Sofia e da Avenida Emídio Navarro deixando aqui e ali a descoberto os fantásticos
picos das suas chaminés.
Mal adivinhava o seu pai, lá
longe em Vila Flor, que, com sacrifícios imensos o mandara estudar em Coimbra,
alugando-lhe um quarto num dos locais mais emblemáticos da cidade, que o seu
filho, em vez de estudar, passava as noites a esfumaçar à janela e de coração
apaixonadamente obstinado na sua musa do Mondego.
Mal começou a romper a aurora,
passou a cara por água, tentando disfarçar as olheiras profundas, penteou-se,
vestiu-se, meteu dois livros debaixo do braço e saiu de casa.
Em vez de se dirigir à Escola Superior Agrária para ir às aulas, atravessou a pé a ponte de Santa Clara, acelerou o passo e dirigiu-se até à Av. João das Regras e, já próximo do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, parou numa esquina. Como de outras vezes, era ali que esperava que ela passasse para ir às aulas do Liceu onde frequentava o 7º ano.
Em vez de se dirigir à Escola Superior Agrária para ir às aulas, atravessou a pé a ponte de Santa Clara, acelerou o passo e dirigiu-se até à Av. João das Regras e, já próximo do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, parou numa esquina. Como de outras vezes, era ali que esperava que ela passasse para ir às aulas do Liceu onde frequentava o 7º ano.
Nunca antes lhe tinha falado, mas
desta vez estava resolvido a abordá-la e a declarar-lhe o seu amor.
Pouco depois, viu-a descer a
rampa que vinha da Avenida Inês de Castro em direcção à Rua Dona Mor Dias,
acompanhada de outras colegas, numa algazarra juvenil, de gargalhadas e
dichotes.
Mas o seu coração desabou. Num abraço
apertado, um rapaz envolvia a Isabel com o braço em redor dos ombros.
Afinal ela já namorava!
Desistiu de lhe dirigir a
palavra.
Sorumbático, desalentado, com o
coração a sangrar de desgosto, virou costas em direcção à próxima paragem da
Avenida da Guarda Inglesa para aí apanhar o próximo autocarro para a Escola Agrícola.
Duas décadas mais tarde, e a
trabalhar numa das várias escolas em que exerceu a sua actividade docente, viu
a Isabel entrar-lhe numas das salas pedindo-lhe para que analisasse um relatório
psicopedagógico de um dos seus pacientes de psicologia.
Ela era psicóloga e trabalhava
numa Instituição para onde ele enviara um dos seus alunos com necessidades
educativas especiais.
Reconheceu-a, falaram de Coimbra,
de Bencanta e do baile onde se viram pela primeira vez. Ela disse-lhe que tinha simpatizado com
ele desde o primeiro instante e que nunca mais se tinha esquecido dos seus olhos verdes que tanto a olharam nessa noite.
Ele respondeu que (pelos vistos) a empatia tinha
sido recíproca, que andara uns meses para lhe falar e que no dia em que estava
disposto a fazê-lo a encontrou na sua deslocação para o Liceu abraçada a um
tipo.
Ela sorrindo de forma enigmática
disse-lhe que aquele rapaz que a abraçava, naquele tenebroso dia, era o seu irmão
que a tinha ido visitar. Disse-lhe ainda que o tinha visto ao longe e
que lhe quis fazer ciúmes com a finalidade de estimular a seu avanço…
E foste tu para psicologia! Pensou ele.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Janis Joplin- Piece of my heart
Recuando um "pouquinho" no tempo, deixo hoje aqui esta belíssima canção desta enorme cantora, que me habituei a ouvir usando as velhinhas cassetes piratas.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XXII)
Jean
Paul continuou a dissertar sobre si e sobre o seu percurso de vida, num longo
monólogo que Zeferino ouvia com alguma impaciência ao mesmo tempo que o tempo
demorava a passar: "A
minha aldeia ficava lá longe e distante dos grandes centros urbanos".
Aqui Zeferino pensou: dizes isso porque não conheces a minha lá em
Trás-os-Montes!
Mas
ele não se calava. "Como deves calcular,
devido ao isolamento da aldeia acabei por frequentar apenas a escola primária,
pelo que só mais tarde, já adulto, frequentei uma outra escola, onde obtive
formação profissional e um diploma académico correspondente ao ensino médio.
Tive como directora desse curso a professora Simone que era uma belíssima
senhora mas cujo marido se tinha reformado antecipadamente das suas funções
maritais. Engraçou comigo e apoiou-me naquilo que pode. Posso mesmo dizer, sem
qualquer dúvida, que foi a principal responsável por toda a minha
formação profissional, sexual e académica. Muito devo a essa senhora que
já lá está na companhia dos anjos!”.
Zeferino
tentava desligar-se da conversa do motorista. Sentia-se farto, cansado...
queria simplesmente encostar-se melhor, fechar os olhos e adormecer. Adormecer
para os pensamentos sombrios, para os problemas, para as dores... Adormecer
para o que existe de feio no mundo. Permanecer por um tempo alheio a tudo o que
existe para se refazer e ao acordar poder ver todas as coisas com olhos novos,
com a autenticidade do adolescente que ainda era e que se arrebatava e se
divertia, ou aborrecia, facilmente com cada descoberta que ia fazendo.
Mas
Jean Paul não estava para aí virado e continuava no seu discurso. (…) “Fui criado juntamente com
6 irmãos, dois gémeos mais novos dois anos do que eu e três irmãs mais velhas,
um cavalo, uma égua, uma vaca, algumas cabras e muitas galinhas... todos
vivíamos mais ou menos harmoniosamente em três divisões na exígua casa onde
nasci”… “Naquele tempo as dificuldades eram de toda a ordem, da alimentação ao
agasalho, da educação ao lazer, tudo era conquistado com muito esforço quer dos
mais velhos, quer dos jovens e das crianças”… “Porém a vida decorria
placidamente e se o inverno era rigoroso, o calor de verão era impiedoso”… “Até
aos 20 anos decorreram banalidades várias na minha vida, até que fiz o tal
curso profissional com a minha mestre Simone. No final, e porque o marido já
andava desconfiado, ela arranjou-me este emprego aqui na quinta do seu primo
afastado M. Roland e despachou-me a grande velocidade”…
A viagem decorria assim monocórdica, lenta e
aborrecida. Para não pagar a portagem da autoestrada (A10) Jean Paul conduziu sempre
o seu camião por uma estrada secundária que se encontrava em relativo mau
estado de piso e sempre paralela ao Rio Loire. Zeferino ia apreciando a paisagem e as
diversas localidades de reduzidas dimensões mas que lhe prendiam a atenção pela
arquietectura das casas muito diferente do que estava habituado a ver em
Portugal. Até que em
Saint-Denis-sur-Loire, já muito perto da pequena cidade de Blois, Jean Paul
resolveu parar. “Vou ali e já venho. Fica
aqui e toma conta do camião.” Disse-lhe no seu sotaque açoriano francês.
Regressou passados aí uns dez minutos acompanhado por uma rapariga loura e com
uma saia curtíssima que permitia a visão de umas pernas longas e bem torneadas.
Retomaram a viagem com a miúda sentada entre os dois mas muito encostada a Jean
Paul. Zeferino não pode deixar de ver pelo reflexo do para-brisas como a mão
dela o acariciava entre as pernas. “Isto
promete”, pensou ele. E, de facto, na cidade de Blois Jean Paul parou,
virou-se para Zeferino e, ao mesmo tempo que lhe piscava o olho direito,
lhe disse: “ficas aqui um pouquinho que
eu vou levar a minha amiga Yolande ao paraíso
e já volto”. Pois que remédio, pensou Zeferino.
Depois
de uma longa espera Jean Paul lá regressou sozinho e bem-disposto. Retomaram a
viagem e ao chegarem ao destino (Tours) Jean Paul propôs a Zeferino: “ se me ajudares a descarregar a mercadoria
no cliente de M. Roland eu prometo-te que te dou boleia, pela A10, até à cidade de
Poitiers e ganhas assim mais uns quilómetros da tua longa viagem”.
(continua...)
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