Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


quarta-feira, 13 de março de 2013

Desaparecido em divagações...

Olho a imensidão do mar enquanto um sol tímido mas firme vai caindo na linha do horizonte neste dia frio de inverno. 
Sorrio, desaparecido nas minhas divagações… 
Comparo-me a esse sol que teima em não desaparecer. E penso na ocaso da minha vida profissional... no que foi, no que é e no que queria que fosse... Lembro-me com alguma tristeza, saudade e nostalgia a altura em que tudo era como um verão escaldante, ardente, interminável... e como a minha vida profissional acompanhava tudo isso com sofreguidão e paixão...
Onde para tudo isso?....
Não sei. Qualquer coisa, algures pelo caminho perdeu-se... a idade não perdoa! Talvez seja isso, a idade…
No entanto, continuo a precisar de sentir algo de ardente, que me tente, que me entusiasme e que me dê aquele gosto pela vida. Sim, algo que vá dando e recebendo como se não houvesse amanhã... 
Enquanto estes pensamentos me percorrem a mente ao mesmo tempo que corro no local do costume, começo a sentir o suor a escorrer e, de repente, um sentimento de alívio e de prazer diz-me: mas tu já tens tudo isso! É só estares atento e desfrutares... caramba! Tens quase tudo com que sempre sonhaste e… já chegaste à Granja! Que bom…

segunda-feira, 11 de março de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XX)

Chamava-se Roland, era um agricultor e produtor ligado à produção de aves (galinhas, frangos, patos e gansos). Tinha 76 anos e era culto, educado e muito, mas mesmo muito, falador... 

-Então és um estudante português que vai à boleia para Portugal!!?? Começou ele logo que Zeferino se sentou no exíguo espaço que lhe sobrava no banco da frente da Renault 4. Deves ser completamente maluco, não!? Sabes que é muito perigoso viajar sozinho na tua idade, não sabes? Nunca sabemos quem nos dá boleia, pá... Por acaso comigo tens sorte, pá, pois eu sou um bom tipo, um tipo fixe, tás a ver? E ria-se… ria-se muito!

E continuou… posso dar-te boleia até Orléans pois tenho a minha quinta em Jargeau, que fica poucos quilómetros mais a Sul de Orléans. É aí que eu vivo e trabalho, fazendo criação de aves e cavalos de recreio. (…) Hoje vim a Paris, mais precisamente ao Ministério da Agricultura, para me inteirar dos pormenores técnicos necessários para a construção de uma nitreira lá na Quinta. Sabes o que é uma nitreira? Ah, bem parecia que não sabias... Pois uma nitreira é... bom... podes dizer que é um armazém onde podemos guardar os efluentes pecuários (estrumes e chorumes) no período que decorre entre a realização da limpeza dos pavilhões e a sua posterior aplicação nos solos… Mas não podemos construir uma "coisa" destas de qual maneira. Tem que obedecer a determinados requisitos técnicos: tem que ser impermeabilizada, possuir coberturas, devendo as escorrências geradas nesse armazém ser recolhidas e armazenadas para encaminhamento adequado, normalmente fossas sépticas com vala absorvente... tudo isto está regulamentado por lei e é esse técnico do Ministério da Agricultura que vai supervisionar tudo isso, estás a ver? (…) Tudo isto fica muito caro pois exige muita mão-de-obra para fazer a manutenção e inspecção periódica de todas as estruturas ligadas à recolha/drenagem de águas; para garantir as boas condições físicas do sistema e para assegurar a limpeza das instalações dos animais, etc,etc.

E assim foi a sua primeira boleia!
Durante os 120 km deste percurso da viagem, toda ela feita pela A10, M. Roland não se calou por um minuto. 
À entrada da cidade de Orléans ele deu duas alternativas a Zeferino: “ou deixo-te já aqui à saída da cidade e continuas a pedir boleia ou então vens comigo até Jargeau, vês a Quinta, almoças lá connosco e talvez eu te arranje uma boleia até à cidade de Tours pois o meu empregado Jean Paul vai lá esta tarde com um carregamento de ovos e de frangos”. 

Zeferino escolheu a segunda hipótese e lá foi até à Quinta de M. Roland que ficava situada na margem direita do Rio Loire. 
E não se arrependeu pois o local era lindíssimo! A exploração era constituída por diversas parcelas, perfazendo uma área total de cerca de 25 ha, dispondo, todas elas, de rega por aspersão. Em cada parcela praticava-se uma cultura diferente: desde o milho, à ervilhaca, ao trevo, à batata, ao nabo, à pastagem espontânea e à horta familiar. A Quinta formava um conjunto harmonioso e com uma paisagem toda ela “pintada” de verde que contrastava com o azul do céu, com o azul da água do rio e com o branco das casas e pavilhões que constituíam os quatro aviários da exploração.

Depois de terem visto toda a Quinta, que circundaram sem saírem do interior da Renault 4, foram ver as instalações, os aviários e uma enorme cozinha que servia de fábrica onde se produzia o célebre foie gras com o fígado dos patos e dos gansos.

Zeferino já tinha comido foie gras e sabia que tinha um sabor suave e levemente amanteigado mas nunca tinha entendido por que razão era considerada  uma das maiores iguarias da culinária francesa. Até porque o foie gras é o fígado inchado através de alimentação forçada. Ao ver a forma como esses animais eram super alimentados antes de serem mortos para lhes extraírem o fígado inchado e aumentado, Zeferino ficou profundamente horrorizado e agoniado. De facto, é muito cruel a forma de tratamento imposta a esses animais... eles diariamente são obrigados a comer, depois de já terem comido várias vezes... Sobretudo uns dias antes da matança e através de um funil muito comprido é empurrada, pelo pescoço abaixo, uma quantidade enorme de cereais misturados com gordura. O corpo destes pobres animais fica distorcido e o fígado fica seis a sete vezes maior do que o normal. 

Zeferino questionou M. Roland sobre este método agoniante que lhe respondeu: "quanto maior o fígado mais foie gras e quanto mais foie gras naturalmente mais lucro…"  
 (continua...)

segunda-feira, 4 de março de 2013

sábado, 2 de março de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XIX)

De mochila às costas e com todos os sonhos possíveis a germinar na cabeça Zeferino saiu bem cedo de casa do seu avô.  Ainda era noite escura às cinco da manhã desse dia 19 de Abril de 1971 e já se encontrava sentado e encostado a um enorme carvalho francês plantado à beira da estrada, numa localidade dos arredores de Paris para onde um familiar próximo o havia transportado no seu Renault 8 Gordini de 1968. 

Estava inspirado e mentalmente abraçava a noite enquanto aguardava boleia ou, em alternativa, a chegada do sol. Sentia a brisa no rosto e "encaixava" a gratidão a esse familiar e a seu avô como única opção que lhe restava, contrariando a tendência que o afastava de prazeres tão simples como a de viver a madrugada enquanto a lua não era relegada para segundo plano. 

Estava mentalmente preparado para fincar os pés no alcatrão, esticar o dedo e partir... disposto a partilhar a viagem com quem lhe abrisse as portas de qualquer carro e lhe permitisse seguir estrada fora rumo ao seu destino. Aceitaria boleia de quem parasse o carro e estivesse disposto a partilhar a sua companhia.  

Inevitavelmente pensava nos últimos acontecimentos ocorridos na sua vida: “Que chatice de vida esta em que o amor se deita fora a si mesmo, ou se vai embora assim de repente sem avisar e sem termos tempo para nos prepararmos para essa eventualidade”. Continuando nesta introspecção apeteceu-lhe resumir os últimos dias da sua vida da seguinte forma: "duas pessoas solitárias, em viagem, inquietas, conhecem-se, apaixonam-se e parece que decidem amar-se numa linha recta em direcção a lugar nenhum que é o tempo... como um longo beijo que se dá antes do precipício para o desconhecido". 

De repente, e regressando para a realidade, deu-se conta de que ninguém reparou (ou fez que não reparou) no seu dedo esticado. Levantou-se e continuou com o dedo polegar no ar. Não tomou nota do número de pessoas que simulou não o ver: “devo ter ar de fora-da-lei ou de drogado”, pensou. Mas não desistiu até que uma Renault 4L parou mesmo a seu lado e um senhor com um bigode grande e branco, tipo Asterix, espreitando pela janela lhe perguntou para onde queria ir. Depois de se inteirar das intenções de Zeferino e, pelos vistos, achando-lhe alguma piada, deu-lhe a primeira boleia dessa que seria uma longa e interessantíssima viagem...


 (continua...) 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Quem é o velho? :-)

 (clique na foto para ampliar a imagem)
Esta montagem fotográfica demonstra o bom humor, a criatividade e a competência técnica de quem a executou. É claro que só podia ser do meu amigo MFreire, que me surpreendeu com esta brincadeira divertidíssima. O seu “dedo” e, sobretudo, a sua imaginação estão aqui e… nota-se.
Por falar em imaginação recordo o que Albert Einstein disse um dia: "A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação dá a volta ao mundo". E disse ainda: “O conhecimento permite-nos ir de A para B, mas a imaginação permite-nos ir a qualquer lado”.
Tudo isto está em sintonia com o perfil pessoal e profissional de MFreire com quem muito aprendi nos finais da década de 70 e início da década de 80. Deixo aqui (apenas a título de exemplo) duas das suas "dicas" pedagógicas: “o saber fazer é, para a maioria dos nossos alunos, muito mais importante do que o saber saber” e… “devemos punir para corrigir e não punir por punir”.
Obrigado amigo. Pela brincadeira, por tudo o que aprendi contigo e por me teres "levado" para esse tempo já tão longínquo. Sabe sempre bem recordar os bons e velhos tempos... 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O azul do teu olhar...

Parece que foi ontem mas… já lá vão 34 anos!   
Desde esse dia - 25 de Fevereiro de 1979 - tão significativo para mim :-), tenho a impressão de que cada ano que passa se torna mais especial. 
Mesmo com algumas dificuldades, que sempre existem, acho que conseguimos realizar coisas lindas e concretizar sonhos que à partida pareciam impossíveis. 
A tua paciência, amor e competência são "detalhes" que fizeram toda a diferença e proporcionaram esta nossa forte e eterna união.
Estarei sempre aqui… a teu lado…

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XVIII)

Por fora, Zeferino usava o cabelo comprido, desgrenhado, típico dos adolescentes dos anos 70. Por dentro, tinha a cabeça cheia de sonhos e uma vontade enorme de se emancipar e crescer o mais rapidamente possível que fez com que quisesse partir assim sozinho e à boleia, apesar de sentir o pulsar rápido do seu coração de excitação e de medo. De facto, ele sempre tinha sonhado fazer uma viagem sem saber o destino certo ou o local onde dormiria no final da jornada. Esse género de incógnita quanto ao dia seguinte era para ele um fascínio. Viajar com a mochila às costas, de forma independente, sem gastar muito e fazendo o seu próprio percurso era para ele um sonho por realizar.
Tendo em conta os últimos acontecimentos, as circunstâncias e a conjuntura pessoal e familiar dessa época entendeu que era aquele o momento indicado para cumprir esse devaneio.
Dias antes tinha conversado com alguém que, aconselhando-o, lhe disse: "Para viajarmos à boleia temos que atender a alguns princípios. Em primeiro lugar temos de evitar o pôr-do-sol; temos de aparecer cedo na estrada, caso contrário ficamos apeados e não há outra solução a não ser tentar novamente no dia seguinte; se repararmos que há raparigas sozinhas atrás de nós, devemos deixá-las passar à frente; devemos estar preparados mentalmente para sermos capazes de guardar ou deixar à guarda de um estranho as mochilas sem que algo de errado aconteça."

No dia anterior à sua partida o seu avô, ainda incrédulo quanto à sua coragem de partir de Paris com os poucos recursos económicos que tinha, colocou-lhe nas mãos 100 francos, 200 pesetas e 150 escudos. Era muito dinheiro para a altura e resolveu investir parte dele em livros e revistas. O restante seria para a alimentação dos dias da viagem e, se fosse absolutamente necessário, para dormir numa local dos mais baratos que encontrasse. Foi, ainda nesse mesmo dia, comprar numa biblioteca do centro de Paris alguns livros que eram proibidos em Portugal e considerados "livros vermelhos", onde se incluía um de Mao Tsé-Tung, o político internacional que mais o fascinava nessa época. Naturalmente, teve o cuidado de os esconder num bolso falso da sua enorme mochila, na esperança de que na fronteira entre Espanha e Portugal os deixassem passar. 

Assim preparado, e depois de definir e riscar no mapa das estradas de França alguns dos itinerários possíveis, despediu-se de seu avô e partiu rumo ao seu sonho. O destino final, bom,  esse teria de ser a casa dos seus pais. Apesar de em Portugal ainda se viverem tempos de um clima opressivo e cinzento era para aí que tinha de ir. Era a sua terra, onde estudava e preparava o futuro e onde se encontrava a maior parte da sua família e dos seus amigos.

E... partiu tendo apenas definido o destino final: Vila Flor, Bragança, Portugal. 

Quanto ao resto não tinha planos, apenas o sonho de ser feliz...

 (continua...)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Imagens do Porto com o fado - Uma Casa Portuguesa - de Amália Rodrigues

Um amigo enviou-me há uns dias este vídeo com imagens do Porto e este fado de Amália Rodrigues.
Uma simbiose perfeita! Digo eu...



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O meu blogue e eu... (II)

- Haja modéstia! “Todos os meus leitores”! Como se fossem muitos! 
- Já são alguns... até hoje já tivemos 5590 visualizações de página em 8 meses, o que dá uma média de 698,75 por mês e 23,29 por dia. Mas isso agora também não interessa para nada! Por causa de ti e desta maldita conversa já me estou a ver num daqueles programas da Fátima Lopes, com o tema do dia: "Senhor quase sexagenário que fala com o seu blogue"!
- Ah, isso não! Nunca te perdoaria tal baixeza! E... 5590 visualizações!!??? Se calhar são sempre os mesmos e que entram no blogue muitas vezes!
- Lá isso não sei. Só sei que, a não ser aos meus amigos mais próximos, não falei nele a ninguém, nem sequer fiz qualquer tipo de publicidade. No entanto podemos comprovar que o público reside em várias regiões do globo. Vai de Portugal à Holanda; do Brasil à Alemanha; dos Estados Unidos ao Reino Unido e de Timor a Espanha e ao Canadá! Mas.. deixa lá isso e explica-me, VylaPenedo, porquê eu?
- E porque não? Afinal, foste tu que me criaste e viste crescer! 
- Calma, não fales dessa maneira... Tudo isto é tão estranho... E difícil de explicar! Mesmo sendo o teu criador, uma hipotética conversa contigo poderá ser considerada uma alucinação. 
- Deixa-te de disparates! 
- Desculpa!? Agora não percebi...
- Estás a arranjar subterfúgios para esconderes os teus sentimentos, porque o teu raciocínio está ofuscado! 
- Mas ofuscado como? Não entendi.
- Vês como te conheço bem? Já sabia que responderias desse modo, conheço bem a tua apetência para trocadilhos. 
- Seja! Mas, com tantos blogs que se encontram por aí, decerto acharás um bem mais merecedor desta tua atenção!
- Enganas-te! A maioria dos blogs são de um narcisismo tal que impedem muitas vezes qualquer tentativa de aproximação mais séria. Por vezes, até a mera partilha de ideias se torna complicada. E por falar nisso, não tens aparecido muito por aqui ultimamente. 
- Até tenho. Mas sabes, por vezes sinto a necessidade de me distanciar.
- Daquilo que escreves? 
- Não. Os meus escritos ficam registados, o único distanciamento que tenho em relação a eles é temporal. Falo dum distanciamento físico. De quando em vez preciso de me afastar, de um certo recolhimento...
- Será isso uma espécie de “distanciamento vylapenediano”? 
- Sim. Respondi sorrindo – podes chamar-lhe assim.
- Isso foi tão profundo! (Notava um tom de escárnio na sua voz) – E que fazes nesses períodos de isolamento? 
-Leio, estudo, pesquiso, jogo xadrez on line, caminho e corro no passadiço e... ando por aí.
- Essa foi para me impressionar? De qualquer modo, com ou sem distanciamento, acabas sempre por voltar aqui! 
- É natural, VylaPenedo! És o meu blogue no qual pus todo o meu empenho!
- Muito engraçado! Agora divagas... 
- A divagar se vai ao longe, eheheh. Agora a sério, tens de perceber que esta tua interpelação, ou como lhe queiras chamar, não é muito normal... ou vulgar, vá lá!
- Certo. Mas eu quis apenas animar-te, alimentar-te um pouco o ego, para ver se não desistes do blogue e continuas a postar! 
- O meu ego não é para aqui chamado.
- Pois... claro! Mas atenção, posso gostar da tua criação vylapenediana, mas também não te convenças demais... 
- Quer dizer que não voltarás a falar comigo?
- Sim... mas fica a saber que sempre que precisares de falar, estarei aqui. 
- É bom ouvir isso, mas não creio que te interpele, em nome do pouco que resta da minha sanidade mental.
- Como queiras. Foi um prazer falar finalmente contigo. 
- O prazer foi todo teu...:-) Até sempre! 
Adeus!